CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

26.6.12


O julgamento ético e religioso sobre o aborto interfere no atendimento às mulheres que dão entrada no hospital depois de tentar a interrupção da gravidez. A avaliação foi feita pela pesquisadora Estela Aquino, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com base em trabalho realizado com 2.562 mulheres em sete hospitais de Salvador, oito de Recife e quatro de São Luís. "Isso leva as mulheres a procurar esconder que a interrupção foi voluntária, com medo de serem punidas ou mal-assistidas", pondera.

Agência Brasil

Segundo a pesquisa, o atendimento nem sempre segue recomendações de atenção humanizada, indicadas pelo Ministério da Saúde ou pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Exames clínicos também deixam de ser feitos. "A realização de exame após o procedimento, permitindo a avaliação do volume e aspecto do sangramento, correspondeu a 64,1% em Salvador e a 65,4% em Recife, mas foi bem menos frequente em São Luís, que teve 23,3%", descreve.

De acordo com informações colhidas, "a aferição da pressão arterial foi muito frequente em Salvador e Recife (respectivamente 80,5% e 88,7%), mas insuficiente em São Luís (31,7%)". A a adequação de prevenção de complicações infecciosas, quando se considera o controle da temperatura, foi ainda pior - em Salvador essa medida foi feita antes e depois do procedimento em 69,8% das mulheres, enquanto em Recife isso ocorreu em 43,8% daz veses. Em São Luís foi praticamente inexistente, com 4,4%.

Além da falta de procedimentos recomendados, muitas pacientes não são orientadas adequadamente após a intervenção cirúrgica, o que pode expor as mulheres a riscos de saúde e de nova gravidez.
"A falta de orientação sobre cuidados pós-alta e o agendamento de consulta de revisão permitiriam evitar complicações imediatas à saúde das mulheres, mas sobretudo a falta de orientação e prescrição da contracepção pós-aborto contribui para a reincidência do aborto, ferindo os direitos reprodutivos das mulheres", disse Estela.

A pesquisadora da Ufba mostra que a formação dos médicos "é estritamente clínica" e "voltada ao manejo de complicações dentro da obstetrícia". O que falta são conteúdos que permitam uma visão social ampla sobre o aborto. "Mesmo os aspectos bioéticos e legais parecem ser negligenciados, o que se traduz no desconhecimento dos profissionais sobre aspectos no exercício da prática clínica. Também desconhecem a importância do aborto como problema de saúde pública", acrescenta.

A falta de discussão sobre o aborto como problema de saúde pública pode fazer sobressair um atitude legalista das equipes médicas, reforçada pelo julgamento moral. Para Estela, o comportamento denunciante tem contradições éticas. "Os médicos devem respeitar o princípio de sigilo profissional, e a denúncia contra as mulheres baseada em informações obtidas na prática profissional viola esse princípio e os direitos humanos das mulheres", destaca.


A proposta apresentada da meta 12 para o Plano Nacional de Educação (PNE) está distante do que foi estabelecido na Conferência Nacional de Educação (Conae) em 2010, mas representa avanços significativos para a educação, soberania e desenvolvimento do Brasil.

Por Murilo Silva de Camargo, professor da Universidade de Brasília (UnB) – Portal Vermelho

A proposta apresentada da meta 12 para o Plano Nacional de Educação (PNE) está distante do que foi estabelecido na Conferência Nacional de Educação (Conae) em 2010, mas representa avanços significativos para a educação, soberania e desenvolvimento do Brasil.

“Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e a taxa líquida para trinta e três por cento da população de dezoito a vinte e quatro anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão de, pelo menos, quarenta por cento das matrículas, no segmento público.”

A elevação da qualidade e a ampliação da rede de universidades públicas é um investimento caro, mas essencial para a garantia de soberania e desenvolvimento nacionais. A formação de recursos humanos em áreas estratégicas em níveis de graduação e pós-graduação ocorre principalmente nas universidades publicas. Oitenta por centro da formação em nível de mestrado e doutorado e mais de 95% da produção de conhecimento ocorrem na rede de universidades públicas.

A expansão de, pelo menos, 40% das matrículas, no segmento público implica um acréscimo de, pelo menos, 2,6 milhões de matrículas no setor público. Com esse aumento, o total de matrículas públicas passaria dos atuais 1,64 milhão para pelo menos 4,1 milhões. A meta global de se atingir a taxa líquida de 33% e taxa bruta de 50% na faixa de 18 a 24 anos representa elevar até o final da década o número de matrículas dos atuais 6,38 milhões para aproximadamente 12 milhões de matrículas na educação superior. Nessa perspectiva, o número de matrículas no setor público passaria dos atuais 25,76% para 35% em 2020. Deve-se observar que a Conae aprovou que o percentual de matrículas públicas na Educação Superior deveria ser de ao menos 40% em 2020.

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Cláudio Guerra reafirmou os crimes que cometeu durante a ditadura militar (1964-1985). Entre as denúncias, relatadas no livro Memórias de uma Guerra Suja, está a incineração de corpos de militantes de esquerda na Usina Cambaíba, em Campos dos Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro.

Daniela Jonkings da Agência Brasil

De acordo com o coordenador da comissão, ministro Gilson Dipp, durante a oitiva, Guerra sugeriu que o grupo ouvisse algumas pessoas citadas por ele no livro. Em entrevista ao programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, Guerra fez um apelo aos militares que atuaram com ele durante o regime militar para que falassem sobre os crimes cometidos.

As denúncias de incineração de cadáveres feitas por Guerra estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Perguntado sobre a possibilidade de as investigações atrapalharem os trabalhos da Comissão da Verdade, Dipp disse apenas que é necessário esclarecer que o grupo não é jurisdicional ou persecutório, nem trabalha visando a fornecer dados para o Ministério Público.

“O Ministério Público trabalha numa linha própria e eu não conheço nenhum detalhe. Se vai prejudicar, em um momento desses as pessoas podem ter algum temor”, disse o ministro.

Dipp informou ainda que pretende convocar o tenente-coronel reformado Paulo Malhães, que em entrevista ao jornal O Globo nesta segunda-feira (25), disse que jacarés e uma jiboia eram usadas para torturar presos políticos. “Em uma conversa informal, demonstrei minha opinião de que devemos ouvi-lo. [Malhães] é alguém que estará na nossa pauta para oitiva”.

25.6.12


Por Leide Franco (@LeideFranco)


Os homens nunca vão entender o motivo pelo qual as mulheres precisam de vinte pares de sapatos, de pelo menos dez bolsas de diferentes cores e tamanhos e ainda um armário cheio de roupas. Eles entendem muito menos quando elas dizem que não têm o que vestir na hora de sair.

E as mulheres nunca vão entender os homens. Nunca vão entender porque aquela partida de futebol é a coisa mais importante da vida deles naquela tarde de domingo ou porque ainda eles nunca percebem que você cortou aquelas pontinhas do seu cabelo. Homem deve ter os cinco sentidos menos apurados que nós mulheres, é o que explica.

Muitos homens nunca vão entender a força de uma TPM. Então é assim: “Se não suporta TPM, case-se com um homem!”, grita ela. As mulheres nunca vão entender o que quer dizer “a última cerveja da noite”. Não entendo porque seres tão diferentes tiveram que nascer um para outro...

O que move uma união entre homens e mulheres sempre foi o interesse. O interesse pela companhia e trocas mútuas. Parece que nos relacionamentos toda forma de interesse vale a pena, desde que seja recíproco. Desde que não ande em mão única.

E assim vamos acompanhando as batalhas diárias entre os sexos. Aquilo que garante a sobrevivência dos casais antes que seja cada um no seu canto, uma bifurcação na vida, aquela coisa que eu também não entendo...


Ter um companheiro nos estágios mais avançados da vida é fundamental, dizem médicos

Reuters – estadao.com.br/saúde

Pessoas com problemas no coração que vivem sozinhas tendem a viver menos que aquelas com as mesmas complicações, mas que têm companheiros, aponta um estudo conduzido por médicos da Escola de Medicina de Harvard.

Embora as razões para isso sejam desconhecidas, o doutor Deepak Bhatt, que liderou o estudo, diz que a preocupação com a saúde e visitar regulares ao médico estão envolvidas. "Pacientes sós têm mais dificuldade de lembrar de tomar seus remédios e de reabastecer seus estoques. Eles também não têm ninguém para levá-los ao médico ou chamar o socorro caso não estejam bem", diz.

O estudo tentou englobar diversos aspectos, como sistema imunológico enfraquecido, enfartes e isolamento. Bhatt e seus colegas, porém, deram atenção especial às pessoas com doenças no coração ou com alto risco de desenvolvê-las. Mais de 44 mil pessoas foram avaliadas, todas com 45 anos ou mais e de várias nacionalidades.

Durante os quatro anos que o estudo durou, 7,7% dos entrevistados com menos de 65 anos que viviam morreram, ante 5,7% dos que tinham companheiros. A diferença foi menor no grupo entre 66 e 80 anos, mas atestou a conclusão mesmo quando considerada a separação por sexo, país e etnia.

Uma série de pesquisas realizadas no Brasil mostra que as desigualdades social e racial típicas do país desde a época colonial marcam também a prática do aborto. “As características mais comuns das mulheres que fazem o primeiro aborto é a idade até 19 anos, a cor negra e com filhos", descreve em artigo científico inédito a antropóloga Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), e o sociólogo Marcelo Medeiros, também da UnB e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Gilberto Costa - Agência Brasil

O texto, relativo a uma etapa da Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), será publicado em julho na Revista Ciência e Saúde Coletiva, da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Pública (Abrasco). A edição traz um dossiê sobre o aborto no Brasil, produzido com pesquisas feitas para o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Diniz e Medeiros coordenaram, entre agosto de 2010 e fevereiro de 2011, levantamento com 122 mulheres entre 19 e 39 anos residentes em Belém, Brasília, Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em Salvador.

Segundo os autores, a diferenciação sociorracial é percebida até no acompanhamento durante o procedimento médico. “As mulheres negras relatam menos a presença dos companheiros do que as mulheres brancas”, registram os pesquisadores. “Dez mulheres informaram ter abortado sozinhas e sem auxílio, quase todas eram negras, com baixa escolaridade [ensino fundamental] e quatro delas mais jovens que 21 anos”.

Os dados confirmam resultados encontrados pelos dois pesquisadores em 2010, quando verificaram, por meio de pesquisa de urna (método em que a entrevistada não se identifica no questionário que preenche e deposita em caixa vedada), que “o aborto é comum entre mulheres de todas as classes sociais, cuja prevalência aumenta com a idade, com o fato de ser da zona urbana, ter mais de um filho e não ser da raça branca”.

Todas as dores de Mario Balotelli, o craque-problema da seleção italiana

Christian Carvalho Cruz - O Estado de S.Paulo

O atacante italiano Mario Balotelli sofre de tabloidismo. Diagnóstico fácil. Difícil é conhecer a causa, como observou o colega Daniele De Rossi, capitão da seleção da Itália: "Não sei se os tabloides são maus demais com o Mario ou se ele dá demais de comer a eles". Os dois. Seu jeito rebelde e extravagante - nos campos, nas boates ou nos carrões - o torna um prato cheio para os fofoqueiros. E ele não procura evitar. Uma vez, ao marcar um gol, levantou a camisa e mostrou outra, por baixo, na qual se lia "Why always me?" (Por que sempre eu?). Depois que trocou a Inter de Milão pelo Manchester City, da Inglaterra, dois anos atrás, a coisa desandou de vez. Lá, onde gostam tanto de xeretar a vida privada alheia quanto de uma boa Guinness, vira e mexe listam "as maiores encrencas de Balotelli".

Tome um trago: Balotelli acende fogos de artifício no banheiro e quase incendeia sua mansão de £ 3 milhões (R$ 9,6 milhões). Balotelli lança dardos nos juvenis do City e, questionado por que cazzo fez aquilo, diz que "estava entediado". Balotelli tem sua Maserati guinchada pela 27ª vez, por estacionar em local proibido. Balotelli sai no braço com cinco leões de chácara e é expulso de um inferninho por infringir as regras da casa: "tocou" numa dançarina, quando podia somente pendurar-lhe dinheiro na tanga. Balotelli passa a noite num cassino, abiscoita 28 mil (R$ 72 mil) e, na saída, dá 1.000 a um mendigo. Balotelli é parado numa blitz e o guarda quer saber por que ele carrega £ 5 mil em cash espalhadas no banco do passageiro: "Porque eu posso. Sou rico". Balotelli ganha 4,5 milhões por temporada. Balotelli se define: "Quando decido marcar um gol vou lá e marco. Eu sou um gênio. E os gênios são tão diferentes que as pessoas não os compreendem". Balotelli tem só 21 anos.

E também sofre preconceito. Onde quer que vá, das arquibancadas lhe jogam bananas - aconteceu agora mesmo na Euro disputada na Ucrânia e na Polônia. Gritam-lhe "preto bastardo", "volte para a África". Imitam macacos. Estendem faixas onde se lê que "não existem italianos negros". Filho de imigrantes ganeses e nascido em Palermo, Balotelli é o primeiro jogador não branco a defender a seleção da Itália. É italiano de nascimento e papel passado, porque ao atingir a maioridade, podendo optar entre sangue ou terra, escolheu a cidadania da família de Brescia que o criou desde os dois anos, depois de ser abandonado pelos pais biológicos. "Sou italiano, negro e orgulhoso de minhas raízes africanas. Não tolero o racismo. É incrível que ainda aconteça em 2012. Eu vou para a cadeia, porque ainda mato um", já disse.

Formar profissionais que dominem idiomas estrangeiros – especialmente o inglês – para atender a turistas, empresários, jornalistas, esportistas e representantes de delegações internacionais durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 é um desafio. Não há dados oficiais disponíveis que confirmem o déficit de pessoas que falem inglês no Brasil, mas os próprios estrangeiros no país confirmam que têm certa dificuldade para se comunicar.

Carolina Sarres da Agência Brasil

De acordo com a pesquisadora em aprendizado e bilinguismo Nara Vidal, a inexistência de levantamentos ou bibliografia sobre o tema indica o atraso em debater a questão de forma ampla. “É extremamente difícil encontrar dados. Fontes informais indicam que apenas 10% da população brasileira falam inglês. E essa informação é bastante problemática e difícil de analisar, porque falar inglês é um conceito complexo. Há aqueles que sabem um pouco, sabem muito, são fluentes. Enfim, 5%, 10% ou 30%, seja o que for, não temos nem metade da população brasileira falando inglês”, informou Nara.

A Agência Brasil falou com a enfermeira canadense Celine Purcell, 28 anos, em visita ao Brasil pela segunda vez, sobre a sua percepção da qualidade do inglês quando um estrangeiro é recebido no país. Para ela, é possível entender os brasileiros e se comunicar de forma simples. Celine explicou, no entanto, que não sente segurança para resolver problemas mais complexos, que poderiam envolver a necessidade de vocabulário mais avançado e fluência.
“Pedir uma refeição ou pegar um táxi não é problema. Ainda não passei por grandes dificuldades aqui, mas acredito que se precisasse comprar um remédio, explicar um sintoma no hospital ou me envolvesse em algum problema com a polícia, não conseguiria ser compreendida ou compreender de forma satisfatória”, disse.

Ao perceber a necessidade de os funcionários se comunicarem melhor para incrementar os negócios, Malu Farkuh, dona de uma lanchonete no Mercado Municipal de São Paulo, permitiu que três atendentes cursassem aulas de inglês pelo Programa É a Língua Que Nos Une, da prefeitura da cidade, em parceria com a São Paulo Turismo (SPTuris) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Elas não saíram falando inglês fluente, mas conseguem se comunicar com os clientes de fora e tem sido positivo. Inclusive, agora vão fazer o curso de espanhol”, disse Malu.

A primeira revista brasileira foi publicada em 1812. Duzentos anos depois, essa mídia se vê no meio do redemoinho da era digital e enfrenta o seguinte questionamento: como ser relevante em um mundo em que as informações estão disponíveis das mais variadas formas e muitas vezes de modo gratuito? Nos Estados Unidos, os magazines têm uma tradição de mais de três séculos.

Por *Fabrício Marques, no jornal Estado de Minas

Uma das maiores autoridades no assunto é David Abrahamson, professor na Medill School of Journalism, da Northwestern University, e professor de excelência de ensino na Charles Deering McCormick. Ele também foi presidente da Associação Internacional de Estudos de Jornalismo Literário. Abrahamson é o autor de Magazine-Made America: The cultural transformation of the postwar periodical (Hampton Press, 1996) e organizador de The american magazine: Research perspectives and prospects (Iowa State University Press, 1995) — ambos sem tradução em português. Em entrevista ao Estado de Minas, ele fala do futuro das revistas e de como elas poderão ter um papel importante no contexto das mídias.

Estado de Minas: No texto “The future of magazines, 2010-2020”, o senhor chama atenção para a importância do contexto, quando pensamos no futuro das revistas. O senhor diz: “O mais provável é que sejamos (os EUA) uma nação relativamente mais pobre, com mais desigualdade social e talvez o encolhimento da classe média”. Ao mesmo tempo: “Nós vamos desfrutar substancialmente menos de vantagens econômicas e geopolíticas em comparação com o resto do mundo”. Como o senhor situa o Brasil, que tem vivido situação econômica semelhante a China e Índia?
David Abrahamson: Acho que a maioria dos observadores estão bastante confiantes de que o Brasil, como os outros países do Brics, desfrutará de um crescimento significativo em seu padrão de vida na próxima década. Programas como os subsídios do governo para as famílias brasileiras que assegurem a frequência de seus filhos à escola terão, a longo prazo, uma boa chance de aumentar substancialmente o tamanho da classe média do Brasil.

Estado de Minas: Em que medida os avanços na ciência e na tecnologia afetarão a indústria de revistas?
David Abrahamson: Tecnologia e ciência têm um enorme efeito sobre a indústria das revistas. Na visão macro, o relativo sucesso das revistas em tirar proveito da rede mundial de computadores (por exemplo, muitas revistas têm o que é denominado “sites de destino”) salvou muitas revistas da turbulência existencial diante da indústria de jornais. No nível micro, o surgimento em poucos anos de “papel digital” (“tela flexível” do Google) pode transformar para melhor a publicação de revistas, bem como tornar os tablets obsoletos.

Estado de Minas: “A manipulação de coisas se tornará menos importante do que a manipulação de informação, com frequência na forma simbólica.” O que significa isso? Pode explicar melhor?
David Abrahamson: Estava falando do declínio da economia manufatureira/industrial e o surgimento da informação/economia de serviços. O mundo pós-industrial é alimentado por elétrons efêmeros (em computadores), que representam simbolicamente informação e conhecimento. É um mundo virtual.
Um dos maiores especialistas em leitura do mundo, o francês Roger Chartier destaca que o hábito de ler está muito além dos livros impressos e defende que os governos têm papel importante na promoção de uma sociedade mais leitora.

Amanda Cieglinski da Agência Brasil

O historiador esteve no Brasil para participar do 2º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários, realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Em entrevista à Agência Brasil, o professor e historiador avaliou que os meios digitais ampliam as possibilidades de leitura, mas ressaltou que parte da sociedade ainda está excluída dessa realidade. “O analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital”, disse.

Agência Brasil: Uma pesquisa divulgada recentemente indicou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano (a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em abril). Podemos considerar essa quantidade grande ou pequena em relação a outros países?
Roger Chartier: Em primeiro lugar, me parece que o ato de ler não se trata necessariamente de ler livros. Essas pesquisas que peguntam às pessoas se elas leem livros estão sempre ignorando que a leitura é muito mais do que ler livros. Basta ver em todos os comportamentos da sociedade que a leitura é uma prática fundamental e disseminada. Isso inclui a leitura dos livros, mas muita gente diz que não lê livros e de fato está lendo objetos impressos que poderiam ser considerados [jornais, revistas, revistas em quadrinhos, entre outras publicações]. Não devemos ser pessimistas, o que se deve pensar é que a prática da leitura é mais frequente, importante e necessária do que poderia indicar uma pesquisa sobre o número de livros lidos.


ABr: Hoje a leitura está em diferentes plataformas?
Chartier: Absolutamente, quando há a entrada no mundo digital abre-se uma possibilidade de leitura mais importante que antes. Não posso comparar imediatamente, mas nos últimos anos houve um recuo do número de livros lidos, mas não necessariamente porque as pessoas estão lendo pouco. É mais uma transformação das práticas culturais. É gente que tinha o costume de comprar e ler muitos livros e agora talvez gaste o mesmo dinheiro com outras formas de diversão.

ABr: A mesma pesquisa que trouxe a média de livro lidos pelos brasileiros aponta que a população prefere outras atividade à leitura, como ver televisão ou acessar a internet.
Chartier: Isso não seria próprio do brasileiro. Penso que em qualquer sociedade do mundo [a pesquisa] teria o mesmo resultado. Talvez com porcentagens diferentes. Uma pesquisa francesa do Ministério da Cultura mostrou que houve uma redistribuição dos gastos culturais para o teatro, o turismo, a viagem e o próprio meio digital.

24.6.12


Depois de cinco horas de conversa, o velho oficial estava livre de um dos mais bem guardados segredos do regime militar: o propósito e a rotina do aparelho clandestino mantido nos anos 1970 pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis, conhecido na literatura dos anos de chumbo como “Casa da Morte”, onde podem ter sido executados pelo menos 22 presos políticos.

O Globo

Passados quase 40 anos, um dos agentes que atuaram na casa, o tenente-coronel reformado Paulo Malhães, de 74 anos, o “Doutor Pablo” dos porões, quebrou o silêncio sobre o assunto.

No jargão do regime, revelou Malhães, a casa era chamada de centro de conveniência e servia para pressionar os presos a mudar de lado e virar informantes infiltrados, ou RX, outra gíria dos agentes. O oficial não usa a palavra tortura, mas deixa clara a crueldade dos métodos usados para convencer os presos:

— Para virar alguém, tinha que destruir convicções sobre comunismo. Em geral no papo, quase todos os meus viraram. Claro que a gente dava sustos, e o susto era sempre a morte. A casa de Petrópolis era para isso. Uma casa de conveniência, como a gente chamava.

As equipes do CIE, afirmou, trabalhavam individualmente, cada qual levando o seu preso, com o objetivo de cooptá-lo. O oficial disse que a libertação de Inês Etienne Romeu, a única presa sobrevivente da casa, foi um erro dos agentes, que teriam sido enganados por ela, acreditando que aceitara a condição de infiltrada. 



Como em todas as batalhas que travou na vida, Inês Etienne Romeu diz estar pronta para mais uma. Aos 69 anos, ela também quer colaborar com a Comissão da Verdade.

Chico Otávio, Juliana Dal Piva e Marcelo Remígio, O Globo 

Inês possui vários títulos dos anos de chumbo, todos difíceis de carregar. Foi, por exemplo, a última presa política a ser libertada no Brasil. A única prisioneira a sair viva da Casa de Petrópolis, depois de 96 dias de tortura.

Só a partir de um depoimento escrito por ela no hospital, em 1971, e entregue à OAB em 1979, quando terminou de cumprir pena, foi possível localizar a casa e identificar parte dos agentes que atuavam no local — entre eles o colaborador dos torturadores, o médico Amílcar Lobo.

Também é crédito dela saber que passaram pela Casa da Morte alguns dos militantes desaparecidos na época, entre eles o Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, que comandou Dilma Rousseff nos tempos da VAR-Palmares.

— Quero colaborar como puder — disse, com esforço, ao saber da reportagem sobre a Casa de Petrópolis. 



Ela se autodefine como uma "geek" (nerd do mundo tecnológico) e vem sendo festejada como uma das publicitárias brasileiras mais criativas da atualidade.

Mariana Barbosa, Folha de São Paulo

@fefaromano, ou Fernanda Romano para quem não é íntimo de Twitter, passou a última semana na Riviera Francesa comentando sobre seminários, baladas e prêmios no #canneslions.

Ela foi um dos 12 profissionais de criação selecionados pelo festival de publicidade de Cannes para atuar como "storyteller" (contadora de histórias), com tuítes reproduzidos no aplicativo para iPhone do festival, que neste ano bateu recorde de público -com 10 mil delegados.



Os consumidores que utilizam os serviços bancário e de telefonia celular enfrentam problemas diários que ferem pelo menos três regras do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Yolanda Fordelone, Estadão.com.br

De acordo com um levantamento do Procon-SP, os dois principais problemas, comuns aos dois setores, são cobrança indevida e abusiva de contas e tarifas e não cumprimento e alteração unilateral do contratos. As práticas ferem pelo menos três artigos do CDC, segundo especialistas.

"Fere, sobretudo, o artigo 39, sobre práticas abusivas", diz a advogada Letícia Zuccolo Paschoal da Costa. "A grande questão é que talvez as empresas não estivessem esperando o aumento tão significativo do número de clientes, o que não significa que não estão se preparando agora, para fidelizá-lo", afirma a advogada, ao comentar sobre as empresas de telefonia.

Esses dois principais problemas, de cobrança e contratos, foram responsáveis por 5.733 reclamações de telefonia celular e bancos no Procon-SP no primeiro trimestre, 42% do total recebido pelo órgão. Os dois setores são os mais reclamados, sendo que os protesto aumentaram 30,5% entre o primeiro trimestre de 2011 e o mesmo período deste ano.

Além dessa regra, os atos desrespeitam outros dois artigos: o 46, que dá ao consumidor o direito de ter o conhecimento prévio do que estiver no contrato, e o 51, sobre a anulação de cláusulas contratuais abusivas.



Após 18 anos, estabilidade não é uma tarefa encerrada e a questão fiscal é desafio a ser enfrentado segundo um dos pais do Plano Real, o economista Pérsio Arida

Ilton Caldeira , iG São Paulo 

Em 1º de julho de 1994, a população do Brasil vivia um misto de esperança e apreensão. Esperança com uma nova moeda, o real, que entraria em vigor naquela data, lastreada em mais um plano econômico com a promessa de estabilizar o sistema financeiro do País e derrotar de vez o dragão da inflação que ganhava cada vez mais força e havia chegado a 2.400% um ano antes.

A apreensão ficava por conta do receio de que o Plano Real não pudesse cumprir o estabelecido, a exemplo de outras tentativas, como o Plano Cruzado, lançado logo após o fim do regime militar.

Na próxima semana, o real completa 18 anos desde seu lançamento com um saldo bastante significativo. O plano, gestado quase uma década antes com base em estudos elaborados pelos economistas Pérsio Arida e André Lara Resende, e que depois ficou conhecido também como plano “Larida”, trouxe para o Brasil estabilidade econômica e pôs fim ao processo inflacionário que corroía o poder de compra da população.


22.6.12


O governo brasileiro informou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos que não vai reabrir a ação criminal sobre a morte do jornalista Wladimir Herzog devido à Lei de Anistia.

Sérgio Roxo, O Globo

O país havia dado a mesma justificativa quando foi questionado em 2010 pelas mortes na Guerrilha do Araguaia. A família de Herzog e entidades de direitos humanos vão contestar na Corte a resposta brasileira. O Brasil foi denunciado em março deste ano pelo caso Herzog.

— Recebemos com muita decepção. Estava esperançoso de que o governo, em função de instalação da Comissão da Verdade, fosse ter outra posição — desabafou Ivo Herzog, filho do jornalista, assassinado durante a ditadura.

Militante do Partido Comunista e diretor de jornalismo da TV Cultura, Herzog compareceu espontaneamente para prestar depoimento no dia 24 de outubro de 1975, na sede do DOI-Codi, em São Paulo, depois de ser convocado pelo Exército para esclarecer suas atividades políticas. 




O cidadão poderá participar das discussões e oferecer sugestões para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013, que está tramitando na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional. A participação popular será feita por meio do portal e-Democracia, que criou uma comunidade virtual para discutir a LDO. A comunidade tem um espaço para enquetes com os internautas.

Agência Brasil

Os deputados e senadores da CMO acompanharão os debates e poderão acatar as sugestões da sociedade na formulação das emendas à LDO. As partes mais importantes do projeto da LDO, além de uma nota técnica com análise do texto enviado pelo Executivo ao Congresso, elaborada pelas consultorias de orçamento da Câmara e do Senado, já foram disponibilizados na comunidade virtual para que a população conheça melhor o tema em discussão.

Esta é a primeira vez que a Comissão de Orçamento disponibiliza um canal para que a sociedade possa se manifestar e ser ouvida pelos integrantes da CMO. A comissão já vinha recebendo sugestões do cidadão na discussão das propostas orçamentárias de 2011 e 2012, por meio de seminários feitos em algumas regiões do país. De acordo com o presidente da CMO, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a diferença é que agora a população poderá, de casa, interferir no debate e participar da elaboração da LDO.

O portal e-Democracia pode ser acessado pelo site da Câmara dos Deputados


A disposição dos consumidores em comprar um imóvel vem caindo lentamente no País desde 2010, motivada principalmente pela apreensão e saída de investidores desse mercado. O diagnóstico faz parte de um levantamento inédito realizado pela empresa de pesquisa imobiliária Datastore e obtido com exclusividade pela Agência Estado.

Circe Bonatelli, Estadão.com.br

De acordo com a pesquisa, o porcentual de consumidores com intenção de comprar um imóvel de médio ou alto padrão em São Paulo nos próximos dois anos atingiu 27% no fim do primeiro trimestre. Esse dado representa um recuo de 4 pontos porcentuais desde o fim de 2010, quando o mercado viveu o ápice de vendas.

Em outras cidades cobertas pela pesquisa (Porto Alegre, Brasília, Campinas (SP), Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís e Campo Grande), a baixa média foi de 3 a 5 pontos porcentuais no mesmo período.

O recuo também é verificado nas intenções de compra para os próximos 12 meses, que indicam uma tendência mais forte para o fechamento dos negócios. Hoje, o patamar em São Paulo é de 53%, um recuo de 23 pontos porcentuais ante os 76% verificados no fim de 2010.



A presidenta Dilma Rousseff destacou ontem (21), perante o fórum O Que as Mulheres Querem, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, que o governo brasileiro vem fazendo esforços para assegurar os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, como o planejamento familiar.

Agência Brasil

“Aqui, a palavra-chave para todos é acesso, sobretudo das mulheres. No Brasil, estamos investindo para superar dificuldades e precariedades no acesso aos serviços públicos de saúde, com pleno exercício dos direito sexuais e reprodutivos, inclusive o planejamento familiar, a gestação, o parto e o puerpério, com assistência de qualidade”, disse Dilma no fórum, promovido pela Organização das Nações Unidas - Mulheres (ONU Mulheres).

Embora a presidenta não tenha comentado a exclusão do tema no documento final que os chefes de Estado e de Governo vão assinar ao fim da conferência no Rio de Janeiro, a questão apareceu no plenário daquele fórum. Ao fim do pronunciamento de Dilma, algumas participantes levantaram faixas lembrando o tema, que foi abordado nos discursos de outras líderes que participaram do encontro. Entre elas, a ex-primeira ministra da Irlanda Mary Robinson, que lamentou o fato de a defesa dos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres não ser abordada de “forma clara” no documento final.

“É uma pena que nesse documento não haja uma referência tão clara sobre isso. As mulheres vão ficar cientes disso”, disse, acrescentando que ficou satisfeita com vários elementos do texto que, segundo ela, foi fruto dos esforços das mulheres envolvidas. “Apoio e sempre vou apoiar o trabalho da ONU Mulheres. Não deve haver um retrocesso em princípios fundamentais porque fazer isso seria um sinal que não é necessário para as mulheres do mundo hoje”, completou.
A banda larga chegou a 75,1 milhões de acessos em maio, um crescimento de 74% em relação ao mesmo mês de 2011, segundo dados da Associação Brasileira das Telecomunicações (Telebrasil). Desde o início do ano, 15,4 milhões de acessos foram ativados.

Anne Warth, Estadão.com.br

Do total de 75,1 milhões de acessos em maio, 18,7 milhões de conexões foram por banda larga fixa e 56,4 milhões, por banda larga móvel.

O crescimento da banda larga móvel foi de 114,6% nos últimos 12 meses. Em maio, as conexões por modems de acesso à internet chegaram a 11,2 milhões, uma expansão de 72,3% ante igual mês do ano passado. Já os acessos de terceira geração (3G), que incluem os smartphones, atingiram 45,2 milhões, aumento de 128,6% frente a um ano antes.

De acordo com a Telebrasil, a cobertura das redes 3G já chegou a 2.958 municípios do País, onde mora 85% da população brasileira.


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, de forma unânime, a condenação do ex-senador Luiz Estevão e dos empresários José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz e Fábio Monteiro de Barros Filho, ex-sócios da construtora Incal. Junto com o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, eles superfaturaram as obras do fórum do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. O ex-senador foi condenado a 36 anos e meio de prisão.

Heloísa Cristaldo, Agência Brasil

Entre os crimes, os réus foram condenados por peculato (crime praticado por servidor público que se apropria de dinheiro ou qualquer bem a que tenha acesso em razão do cargo), corrupção ativa, estelionato majorado, uso de documento falso e formação de quadrilha. O voto-vista do ministro Og Fernandes acompanhou integralmente a posição do relator do processo, desembargador convocado Vasco Della Giustina, e rebateu todos os argumentos da defesa.

O julgamento da Sexta Turma do STJ, retomado hoje, foi iniciado em 8 de maio e tratava de recurso especial contra decisão de 2006 do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que condenou Luiz Estevão a uma pena total de 36 anos e meio; José Eduardo Teixeira a 27 anos e oito meses e Fábio Monteiro a 31 anos, todos em regime inicial fechado. Os três ainda foram condenados a pagar multas em dinheiro: Luiz Estevão em R$ 3 milhões; José Eduardo em R$ 1,2 milhão e Fábio Monteiro em R$ 2,4 milhões.

Na primeira sessão de julgamento, a Sexta Turma também negou o pedido da defesa do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto para que fosse admitido recurso especial contra sua condenação. Seguindo o voto do desembargador convocado Vasco Della Giustina, os ministros entenderam que a análise das questões propostas exigiria reexame de fatos e provas, o que é vedado ao STJ em recurso especial. Com isso, fica mantida a condenação de Nicolau dos Santos Neto a 26 anos e meio de prisão e à pena de multa no valor de R$ 900 mil.

21.6.12


Um estudo da ONG Global Witness concluiu que 711 ativistas foram assassinados no mundo todo ao longo da última década por protegerem a terra e a floresta - e mais da metade são brasileiros. De acordo com a pesquisa, divulgada durante a Rio+20, 365 brasileiros foram mortos entre 2002 e 2011 ao defenderem direitos humanos e o meio ambiente.

Júlia Dias Carneiro, BBC Brasil

Depois do Brasil, os dois países com mais mortes no período também estão na América do Sul: o Peru, com 123 mortos, e a Colômbia, com 70.

Para o pesquisador britânico Billy Kyte, o alto número de mortes no Brasil se deve a uma conjunção de fatores que fazem a concorrência pela terra e pelos recursos naturais se intensificar e geram maior pressão - e tensão - no campo.

Ele enumera a desigualdade na posse de terra no país, com a concentração de propriedades nas mãos de latifundiários; o grande número de comunidades que tira o seu sustento da terra; e a atuação de setores cuja produção consiste também em explorar a terra, como oagropecuário, de mineração e madeireiro.



Uma pesquisa conduzida pela consultoria Capgemini junto da gestora de ativos RBC Wealth Management revelou nesta quarta-feira que o Brasil registrou, em 2011, a mais alta taxa de crescimento no número de milionários entre 12 países analisados.

BBC Brasil

O número de milionários no Brasil passou de 155,4 mil em 2010 para 165 mil no ano passado, um aumento de 6,2%.

Nessa base de comparação, a China ocupou o segundo lugar (+5,2%) e o Japão, o terceiro (+4,8%).

Apesar de registrar a maior taxa de crescimento entre as 12 nações, o Brasil ocupa a 11ª posição no ranking quando se analisa o total de milionários, à frente apenas da Coreia do Sul, que tomou o lugar da Índia.

O estudo considerou como milionário toda pessoa que possui patrimônio de ao menos US$ 1 milhão (excetuando bens patrimoniais).


O volume de cheques sem fundos em todo o país representou 2,2% do total emitido no mês de maio, atingindo 1,7 milhões de documentos. Este é o maior percentual de cheques devolvidos em um mês de maio desde 2009, auge da crise econômica global, quando 2,52% do total voltaram por falta de fundos.

Lino Rodrigues, O Globo

Os números fazem parte do Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos e mostram que o endividamento e a inadimplência crescente do consumidor têm puxado a alta dos cheques emitidos sem cobertura em todas as regiões do Brasil.

Em abril, o percentual de devoluções havia sido menor. No mês, 2,08% do total de cheques compensados (76,1 milhões) foram devolvidos por falta de fundos. No acumulado de janeiro a maio deste ano, o volume de devoluções atingiu 2,08% dos cheques emitidos (386 milhões) — acima do 1,93% registrado no mesmo período de 2011. 



O governo federal está estudando medidas para aumentar a velocidade do tráfego de dados da internet no Brasil. De acordo com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a ideia é criar condições para que esses benefícios sejam estendidos também à internet popular, uma das vitrines do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Agência Brasil

“Queremos começar a fazer ações visando a acelerar a velocidade média da internet. Para isso, podemos inclusive trabalhar a questão da velocidade mínima na internet popular. Queremos melhor preço, melhor qualidade, mais velocidade e achamos que, para isso, são necessários muitos investimentos”, disse Paulo Bernardo nesta quarta (20), no Congresso Brasileiro de Radiodifusão.

Segundo ele, esses investimentos já são incentivados pelo governo. “Tiramos os impostos para construção de redes de telecomunicações e vamos tirar os impostos dos smartphones [celulares com funções de computador], que são os celulares usados pelas pessoas para se conectar à internet”.

Estimulada com o PNBL, a internet popular oferece conexão com velocidade de 1 megabit por segundo (Mbps), com limite de recebimento de dados [download] de 300 megabytes (MB) por mês para internet fixa e de 150 MB para internet móvel. “O problema são os limites de download”, disse Paulo Bernardo. “Pode ser que, em 2014, ninguém queira mais 1 Mbps por R$35. Ou [as empresas] vão ter de baixar o preço ou terão de aumentar a oferta, porque o quadro [a demanda] está aumentando muito rapidamente”.

O ministro informou que, em maio, a internet móvel de terceira geração (3G) registrou um aumento de 2,12 milhões conexões. “Isso é um problema porque a 3G está sobrecarregada e precisa de investimento”. De janeiro de 2011 para cá, acrescentou Paulo Bernardo, o número de conexões de internet mais que dobrou no país. “E queremos chegar a 2014 com 70% dos domicílios conectados”, reiterou.


Levantamento do Ministério da Saúde (MS) aponta que o custo de internações por acidentes com motociclistas pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em 2011, foi 113% maior do que em 2008, passando de R$ 45 milhões, há quatro anos, para R$ 96 milhões, no ano passado.

Heloisa Cristaldo, Agência Brasil

O crescimento dos gastos acompanha o aumento das internações, que passou de 39.480 para 77.113 hospitalizados no período. Segundo dados do MS, o número de mortes por este tipo de acidente aumentou 21% nos últimos anos – de 8.898 motociclistas em 2008 para 10.825 óbitos em 2010.

Homens representaram 89% das mortes de motociclistas, em 2010. Os jovens são as principais vítimas: cerca de 40% dos óbitos estão entre a faixa etária de 20 a 29 anos. O percentual chega a 88% na faixa etária de 15 a 49 anos.

“O Brasil está definitivamente vivendo uma epidemia de acidentes de trânsito e o aumento dos atendimentos envolvendo motociclistas é a prova disso. Estamos trabalhando para aperfeiçoar os serviços de urgência no SUS, mas é inegável que essa epidemia está pressionando a rede pública”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

Além do crescimento de fatores de risco importantes, como excesso de velocidade e consumo de bebida alcoólica antes de dirigir, a diretora de Análise de Situação em Saúde do Ministério da Saúde, Deborah Malta, destaca o aumento na frota de veículos como fator para aumento do número de acidentes.


20.6.12


Neste mês de junho de 2012, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) completa um ano e seis meses de governo, enfrentando sérias dificuldades na administração, muito embora tenha fortíssimo apoio político no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa: dos onze parlamentares potiguares no Congresso Nacional - oito deputados federais e três senadores -, Rosalba tem o apoio dos três senadores e de cinco deputados federais; tem, ainda, o apoio, em Brasília, do Ministro da Previdência, Garlbaldi Alves Filho (PMDB); na Assembleia Legislativa tem maioria folgada entre os 24 deputados estaduais, como, de resto, tiveram todos os governadores desse nosso Rio Grande do Norte, sejam eles bons ou maus administradores.

Por Sávio Hackradt*

Portanto, não são de natureza política os problemas que o governo Rosalba enfrenta - nesse campo lhe sobram apoios. Rosalba, que prometeu ao Rio Grande do Norte uma gestão moderna, eficiente, capaz de tirar o estado do atraso, tem dado sinais, isto sim, neste um ano e meio de mandato, de que o seu governo é carente mesmo é de uma boa gestão, de capacidade administrativa.

E nada parece lhe convencer a tirar o olho do retrovisor  e arregaçar as mangas para achar o seu próprio caminho. Se o seu primeiro ano de governo foi marcado pelos ataques constantes ao governo anterior – Wilma e Iberê - , também chegamos na metade do segundo ano de governo e o Rio Grande do Norte continua à espera de uma gestão eficiente, moderna, capaz de  “reconstruir” o que Rosalba e seus aliados denunciaram como má gestão dos antecessores. E enquanto a lenga a lenga das críticas persistem e se tornam marcas da gestão atual, até o momento não se conhecem projetos relevantes do governo que sejam, como prometido, capazes de abrir novos horizontes para o estado.

Ultimamente a governadora passou a personalizar ainda mais suas criticas. Recentemente, anunciou em discurso: “No meu Governo não tem Foliaduto, não tem Operação Higia, não tem Ouro Negro. No meu Governo não tem essas operações que envergonhavam o nosso Estado pelo Brasil todo” - referindo-se assim aos escândalos denunciados no governo Wilma de Faria (PSB).

Mais do que marcar uma diferença em relação à sua antecessora, Rosalba parece se aprofundar nas críticas ao passado na mesma proporção em que crescem na sociedade as críticas à sua própria gestão, que enfrenta graves problemas em áreas essenciais como saúde, educação e segurança públicas – índices oficiais registram até uma piora nesses serviços na administração do DEM. Talvez a sua estratégia, aparentemente muito equivocada, seja se agarrar às denúncias, que envolvem seus antecessores e que estão sendo apuradas pela justiça, na esperança de colocá-las no topo da pauta da discussão política, ainda mais com a proximidade das eleições municipais, como forma de desviar a atenção de seu próprio fracasso administrativo e, consequentemente, das muitas falhas nas promessas feitas em praça pública.

O fracasso chega a ser contraditório: enquanto a saúde vive um estado de calamidade pública, e só piora, não tem como esquecer que, ironicamente, a governadora é médica pediatra. Portanto, é em um estado comandando por uma profissional da saúde que todos os dias morrem crianças, jovens, adultos e idosos nos hospitais públicos por absoluta falta de equipamentos e estrutura. Médicos e profissionais da saúde dizem abertamente que diariamente há um genocídio assistido nas unidades de saúde pública do estado. E isso é crime. É a ausência total do estado na proteção dos cidadãos e cidadãs.

No campo econômico o governo Rosalba sofre também da falta de rumo, da ausência de um projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte. A indústria, o turismo, o comércio, o setor de serviços estão entregues ao Deus dará às vésperas da Copa do Mundo/2014. Sem rumo, o Rio Grande do Norte caminha para a Copa/2014. Podemos perder uma grande oportunidade, especialmente o turismo, grande fonte de geração de empregos e divisas.

Analisando, assim, todos esses aspectos, sabe o quê parece? Rosalba, de forma surpreendente e incompreensível, parece querer copiar a trajetória da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), que, sem nunca tirar o olho do retrovisor e também sem conseguir vencer seu fracasso como gestora, amarga uma desaprovação administrativa da ordem de 90% dos natalenses.

A governadora potiguar já alcança 75% de desaprovação. A continuar assim, em breve Rosalba alcançará Micarla na corrida pela disputa do maior índice de desaprovação de um governo.

Mais: assim como Rosalba continua com franco apoio na Assembléia, a despeito de suas dificuldades de gestão, Micarla, apesar de ser desaprovada por 90% dos natalenses, também não tem problema político na Câmara Municipal de Natal, mantendo o apoio de 90% dos vereadores. Ambas, sem problemas políticos nas casas legislativas, nem mesmo para uma cobrança maior de resultados administrativos, não conseguem implantar uma gestão moderna e eficiente e Natal e o Rio Grande do Norte vivem um dos piores momentos de suas histórias.

Rosalba e Micarla percorreram os mesmos caminhos. Prometeram durante suas campanhas eleitorais realizar boas gestões e quando assumiram preferiram só atacar seus antecessores. Passaram seus primeiros anos olhando pelo retrovisor e se esqueceram de governar o seu tempo. Só olharam para o quintal do vizinho e esqueceram de cuidar do quintal delas.

E nunca é demais lembrar: Rosalba e Micarla estão abraçadas desde suas campanhas eleitorais, afinal, se apoiaram política e eleitoralmente e tiveram os mesmos apoiadores. Será que vão abraçadas para o desastre?

*Artigo publicado na Palumbo edição de junho/2012


Por Gustavo Maia (@GustavoMaia1)

Sempre que se tenta adicionar produtos de mais qualidade e preço maior no "carrinho de compras" de um cliente, a barreira do "não" parece uma montanha. Por que tantos vendedores continuam tentando e não conseguindo? Porque usam a abordagem errada. Oferecem o produto até algum dia o cliente perceber o que ganha e querer comprar. Às vezes acontece. Mas, em geral, não haverá negócio só pelos "belos olhos" do vendedor ou pelas maravilhas do produto. 

Às vezes, os vendedores esquecem que no mundo dos negócios a palavra de ordem é lucro. Os profissionais bem-sucedidos têm usado algo mais sábio que a teimosia: a venda consultiva. Como resultado do trabalho consultivo, eles fazem recomendações direcionadas, para mostrar o que o cliente ganha e quanto lucra.

Na venda consultiva, a sugestão da mudança proposta é encarada pelo cliente como uma recomendação, e não como uma oferta de venda. É uma percepção interna do cliente, motivada pela aura que a venda consultiva consegue ao demonstrar com detalhes onde o cliente se beneficia.

Isso acontece, em especial, quando o profissional de vendas consegue fazer uma avaliação séria da situação, em conjunto com o cliente. Vender a ideia de fazer uma análise séria da aplicação do novo produto ou serviço é o início da venda. Muitas vezes, é o mais difícil de ser feito. No entanto, uma vez permitido, fica sob responsabilidade do profissional localizar e medir quanto isso gera de ganho. 

-Menos gastos com assistência pós-venda.

-Recuperação da imagem de qualidade da empresa ou de um produto.

-Atingir novos preços com a remodelagem de um produto.

-Atingir outras classes econômicas com margens maiores.

-Diferencial único para produto atual comum no mercado (commodity).

Estabelecido o ganho, a comparação vai dizer se a mudança proposta é viável ou não. Na venda consultiva, o vendedor sai do discurso e vai para a ação, suas propostas de negócio são estudos bem montados com base em dados de mercado oferecidos por sua empresa, complementados com informações levantadas junto ao cliente. As regras abaixo são um guia para conseguir que o cliente perceba o profissional de vendas como alguém que, em vez de aumentar preços e custos, adiciona valor:

-Municione-se de informações de sua empresa sobre seu produto ou serviço.

-Busque dados sobre seus clientes e o mercado em que atuam.

-Descubra os processos de produzir ou de fazer negócios de seus clientes.

-Tenha múltiplos contatos de clientes. Faça contatos com o decisor, com o influenciador técnico e com o influenciador usuário.

-Faça propostas escritas bem fundamentadas na forma de projeto.

Oriente o cliente no preparo de seus vendedores. Vender o novo produto ou serviço de maior valor exige preparo para tal.


O documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que chega hoje (20) às mãos de chefes de Estado e de Governo é “aguado”, não apresenta metas claras, formas de financiamento de ações e está aquém do texto elaborado há 20 anos, na Rio92, conferência que vinculou o desenvolvimento ao meio ambiente.

Isabela Vieira - Agência Brasil

As avaliações foram apresentadas por representantes de organizações não governamentais (ONGs) que acompanharam as discussões do texto final por meio do Major Group ONGs e por especialistas da área ambiental. A apresentação foi feita ontem (19) à noite na Cúpula dos Povos - evento paralelo à conferência oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) -, no Aterro do Flamengo.

Ao lado de representantes de organizações como Greenpeace, WWF e Oxfam, o coordenador do Vitae Civilis, Aron Belinky, disse que para conseguir o consenso uma série de questões polêmicas foi varrida "para debaixo do tapete”, sem resolvê-las. “Achamos que essa é uma estratégia arriscada, que coloca o resultado à frente do que deveria ser encarado”.

Para Belinky, o melhor era ter deixado claro que certo pontos não tinham o apoio dos negociadores. “Se não tem consenso, que fique claro que não tem consenso. Que não se faça um documento aguado, que todo mundo concorda porque não faz diferença nenhuma”, criticou o diretor, sem pontuar os itens que poderiam ter obtido maior avanço.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Costa Ribeiro, que teve acesso a versão do texto final e participou da avaliação apresentada pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Fboms) na cúpula, disse que a consolidação do documento, acordado por 193 delegações, foi forçada e reflete a insatisfação de várias partes.

“É uma festa onde todo mundo sai descontente”, comentou Ribeiro. Elaborar o consenso a partir da insatisfação não me parece algo importante. O que vi realmente não é estimulante porque não cria metas ou vínculos ou quem vai pagar a conta”, acrescentou.

Ao comparar o documento da Rio92 com o texto da Rio+20, o professor culpou o cenário internacional, de crise financeira, pela falta de grandes avanços. Ele também citou a reunião do G20 (que ocorre no México, paralelamente à Rio+20), as eleições na Grécia e até a Eurocopa (o campeonato europeu de futebol). “Não diria que foi pior, mas que não teve o mesmo nível de ousadia”, avaliou.

Os especialistas também criticaram a ONU pela pequena abertura para participação da sociedade nas negociações  da conferência. “É um espaço limitado, de dois ou três minutos de fala, nos Major Groups. Ou seja, pequenas intervenções em meio a uma burocracia que não permite o avanço de uma proposta democrática”, destacou o representante da Vitae Civilis.


Após sete meses de trabalho, a comissão de juristas do Senado que discute a reforma do Código Penal chegou a um consenso jurídico sobre as propostas na segunda-feira, 18, dia da reunião final.

Ricardo Brito, Estadão.com.br

E foram tantas as sugestões de mudança que o presidente do colegiado, Gilson Dipp, disse que nenhum tabu ficou de fora. Mas será a partir de agora, com a busca do consenso político, que a quebra de tabus se tornará o verdadeiro adversário do anteprojeto.
Integrantes da comissão entregarão na quarta-feira da semana que vem o texto de 300 páginas ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A proposta então poderá ser formalmente discutida pelos parlamentares.

Segundo eles, entre as sugestões propostas, a maior batalha será senadores e depois deputados aprovarem mudanças na legislação dos temas considerados religiosos, como o aumento de hipóteses em que o aborto deixa de ser crime.

Pela proposta, uma gestante de até 12 semanas poderá interromper a gravidez desde que um médico ou um psicólogo ateste que a mulher não tem condições de arcar com a maternidade. Atualmente, a prática é crime, exceto nas hipóteses em que a gravidez acarreta risco para a vida da mãe ou é resultado de estupro.


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