30.8.11
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Sávio Hackradt
O ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou nesta segunda-feira 29 a elevação da meta do superávit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central). O valor das economias brasileiras para pagar as dívidas subiu de 81,8 bilhões de reais para cerca de 91 bilhões de reais em 2011. Uma medida que, para o ex-secretário municipal de Finanças de São Paulo, Amir Khair (1989-1993), significa a “submissão total do governo ao mercado financeiro”.
Fonte: Carta Capital
“Enquanto o ministro [Mantega] faz uma economia de 10 bilhões de reais, o Banco Central (BC) gasta 220 bilhões em um ano com juros”, diz, e completa: “O governo devia acelerar a economia e aumentar os investimentos, uma vez que com a economia presa perde-se muito mais que esse valor. Isso se traduz em menor crescimento e arrecadação”.
De janeiro a julho, o superávit primário do setor público consolidado alcançou 91,9 bilhões de reais, ante os 43,5 bilhões de reais do mesmo período do ano passado, chegando a 78% da meta de 117,9 bilhões de reais do ano.
Mantega também afirmou, durante a coletiva de imprensa no Ministério da Fazenda, que o espaço fiscal cria condições para a queda dos juros básicos, o que poderia levar ao corte de cerca de 134 bilhões de reais em gastos com juros no primeiro semestre de 2011. Porém, segundo Khair, para quem o BC é comandado pelo mercado financeiro, a taxa deve ficar em 12,5%.
Segundo o economista e especialista em finanças públicas, a Selic é uma “anomalia que nenhum governo enfrenta” e as reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) – a próxima ocorre na terça-feira 30 e quarta-feira 31 – não apontam o caminho que o País deveria seguir para escapar da crise que se aproxima. “Não podemos pagar 6% do PIB em juros quando o mundo não gasta nem 1,8%, estamos jogando dinheiro fora por causa dessa política suicida”.
Para ele, o Conselho Monetário Nacional, composto pelo ministro da Fazenda, a ministra do Planejamento e o presidente do BC deveriam assumir a responsabilidade da inflação, câmbio e juros, tirando essa função do banco. “Assim poderemos operar com os juros no mesmo patamar de 6% dos países emergentes”.
Sobre como a queda da Selic poderia impactar a inflação, Khair defende que o problema depende de medidas macroprudênciais, as que regulam o crédito. “A Selic não comanda o consumo, pelo contrário, desestimula a oferta e os investimentos das empresas”.
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Sávio Hackradt
Marcelle Ribeiro – O Globo
Executivos de grandes jornais brasileiros estão analisando uma forma para cobrar pelo acesso à informação nos seus portais na internet. Em congresso da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que se encerra nesta terça-feira, em São Paulo, diretores dos grupos que controlam os jornais O GLOBO, "Folha de S. Paulo", "O Estado de S. Paulo" e "Lance!" afirmaram que é preciso pensar a maneira de fazer essa cobrança no curto prazo e decidir se é o caso de seguir o exemplo de jornais americanos como o "The New York Times", que já cobram pelo acesso a seus conteúdos na internet.
Receitas da publicidade não serão suficientes
Para o diretor-presidente do Grupo Estado, Silvio Genesini, os veículos devem parar de oferecer conteúdo grátis na web.
- Ainda podemos aumentar a circulação no papel (dos jornais), há mais gente entrando na classe C, mas precisamos ser mais decididos e definitivos na cobrança na internet. Não temos mais alternativa - afirmou.
Segundo Genesini, os jornais têm que investir na cobrança de conteúdo dos usuários na rede, pois, nos próximos cinco anos, os veículos de comunicação não conseguirão sobreviver só com as receitas da publicidade.
- Não dá para viver de publicidade. Primeiro porque a publicidade não cresce num ritmo muito grande. Em segundo lugar, porque ela está dividida, fragmentada por muitos canais. E também porque a publicidade é muito instável. Você tem uma "crisezinha" e a publicidade é a primeira que sofre - afirmou.
O diretor-presidente do Grupo Lance! e vice-presidente da ANJ Walter de Mattos Júnior defendeu que a indústria dos jornais pense em conjunto numa solução para a cobrança.
- Acho que não há solução individual. Nós, como indústria, temos que nos mover. Claro que não vamos encontrar uma sintonia completa, mas temos que acordar nos princípios gerais.
Marcello Moraes, diretor geral da Infoglobo - empresa que publica O GLOBO -, concordou que os veículos brasileiros têm que pensar o modelo de cobrança o quanto antes, mas, ressalvou, sem o desespero dos veículos de comunicação americanos, que fizeram a cobrança de forma "atabalhoada".
- O que devemos pensar em conjunto é monetizar o nosso conteúdo. Mas como vai ser? Cada empresa tem seus clientes, seus modelos. Isso temos que fazer num curto prazo. Mas não precisamos fazer nada desesperado. Podemos fazer um modelo, testar; se não der certo, mudamos, ajustamos, fazemos de outra forma. Não podemos perder mais tempo nisso. Nosso conteúdo é de alto valor - disse Moraes, que citou as análises de colunistas como um tipo de conteúdo que poderia ser cobrado.
Na opinião de Moraes, daqui a seis meses as empresas terão de testar novos modelos de negócios digitais. Para ele, os jornais brasileiros devem fazer planejamento pensando num futuro com múltiplos cenários, que abranjam as áreas analógica, digital, novos modelos de negócios e modelos tradicionais.
- Não deveríamos mais fazer apostas num futuro único. Antes dizíamos "acho que o futuro vai nessa direção". Como o mundo está muito mais complexo, as iniciativas estratégicas devem buscar preparar seus projetos para qualquer uma das quatro áreas - afirmou.
Apuro técnico é essencial para a nova estratégia
O diretor-superintendente do Grupo Folha, Antônio Manuel Teixeira Mendes, diz que para cobrar pelo conteúdo é preciso resolver problemas técnicos.
- A expectativa que se tem é de que o modelo para rentabilizar o conteúdo digital, pago ou não, tende a ser hegemônico. Dificilmente você vai ter empresas agindo de maneira diferente das outras em escala mundial. É preciso um desenvolvimento técnico, científico, para fazer com que aquilo efetivamente funcione. Qual modelo vamos adotar? - questionou.
29.8.11
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Sávio Hackradt
Entrevista 10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)
Perfil de Addson Costa - São Paulo/SP, 38 anos, casado, Teólogo, licenciado e mestrado em Letras. No momento perambulando pelo RS.
P - Você é de São Paulo, quando resolveu vir morar em Natal?
Addson Costa - Somente nasci em São Paulo. Meus pais são potiguares. Por não me adaptar, aos 3 anos, adoeci. Um bom médico recomendou a cura: voltar ao RN.
P- Como e quando surgiu o interesse em fazer o curso de Teologia?
Addson Costa - Para me aprofundar mais no conhecimento de Deus. Sempre fui fascinado pelos temas teológicos. Depois isso redundou em aplicação ministerial.
P- Como é exercida sua atividade profissional?
Addson Costa - Hoje sou capelão militar e presto assistência religiosa no Exército Brasileiro.
P- Hoje você está exercendo suas atividades no Rio Grande do Sul. Como surgiu esse interesse de ir pra lá?
Addson Costa - Sirvo no Rio Grande do Sul. Apesar de ser um ótimo e belo estado, pretendo voltar ao Nordeste, preferencialmente ao Rio Grande do Norte.
P- As redes sociais lhe ajudam para exercer sua profissão?
Addson Costa - A exercer não, mas servem-me de atualização, estabelecimento de contatos e entretenimento.
P- Já realizou ou pretende realizar algum trabalho voluntário?
Addson Costa - Já realizei, mas não ligado a instituições voluntárias. Quem sabe possa fazê-lo com mais engajamento no futuro.
P- O que as pessoas precisam fazer para viver num mundo melhor?
Addson Costa - Serem pessoas melhores. Buscar a Deus, desenvolver a espiritualidade e a cultura é a melhor forma de ser melhor e recriar um novo mundo.
P- Um sonho a ser realizado?
Addson Costa - Ver os meus filhos crescerem e serem pessoas melhores para um mundo melhor.
P- O que é o Twitter para você?
Addson Costa - Sou tímido, mas gosto de gente. Esta ferramenta me proporciona um ponto de encontro e entretenimento.
P- Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Addson Costa - Depende das oportunidades, mas se estas não ocorrerem, a internet ser-me-á uma boa opção.
*Se você quer conhecer um pouco mais o Addson Costa converse com ele no Twitter @manjotudo
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Sávio Hackradt
Fonte: Blog do Planalto
Lançada em 6 de maio deste ano, a Campanha Nacional do Desarmamento – Tire uma arma do futuro do Brasil, já recolheu 17,6 mil armas de fogo e cadastrou mais de 1,4 mil postos de coleta por todo o país.
Os revólveres foram os mais comuns – cerca de 10 mil -, especialmente os de calibre 38. Também foram entregues 2.132 espingardas e 1.728 pistolas, além de 53 fuzis. São Paulo é o estado que lidera a lista com 4.906 armas, seguido pelo Rio de Janeiro (2.457) e Rio Grande do Sul (2.362).
A Campanha Nacional do Desarmamento busca retirar o maior número possível de armas em circulação, além de promover a cultura de paz. Segundo o Ministério da Justiça (MJ), reduzir o número de cidadãos armados é um dos caminhos para a diminuição da violência.
Foi assim em 2004 e 2005, quando 500 mil unidades foram recolhidas e o número de mortes por armas de fogo caiu 11%, de acordo com o Mapa da Violência 2011 – MJ/Instituto Sangari.
Os dados ajudam a esclarecer a relação entre armas nas mãos de cidadãos comuns e criminalidade. De acordo com informações da Polícia Federal, 80% das armas apreendidas com criminosos são de fabricação nacional, sendo que na maioria das vezes têm origem legal e, posteriormente, são desviadas para o crime.
A campanha tem ganhado apoio de várias esferas da sociedade. Além da adesão de governos estaduais à campanha nacional (18 estados brasileiros e o Distrito Federal são já são parceiros), entidades da
sociedade civil, parlamentares e artistas estão deixando suas mensagens na rede.
28.8.11
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Sávio Hackradt
Entrevista 10 x 140
Perfil de Carlos Alberto Barbosa – Natal/RN, jornalista, trabalhou na Rádio Poty, assessor de imprensa no gov./RN, repórter do DN, editor do JH, chefiou a EBN/RN, é blogueiro.
P- Onde você se formou, em que ano e como começou no jornalismo?
Barbosa – Concluí Jornalismo na UFRN em 1985 e iniciei minha carreira na extinta Rádio Poty.
P- Você foi repórter nas editorias de política, cidades e economia. Fale dessa experiência como repórter.
Barbosa – Foi uma experiência rica e diversificada, pois tive oportunidade de conhecer do mais humilde, até empresários e políticos.
P – Você também ocupou cargos de sub-editor e editor no jornal. Explique o trabalho de um sub-editor e de um editor.
Barbosa – O sub-editor ao mesmo tempo que ajuda na edição, tem o trabalho de garimpar as matérias. Ao editor, compete editar e titular as reportagens.
P- Você dirigiu a sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN) e foi correspondente da Radiobrás no RN. Fale do trabalho do correspondente.
Barbosa – Fazia matérias para serem distribuídas em rede nacional com assuntos ligados ao RN. Lembro que na vinda do Papa a Natal, participei da cobertura pela RDB.
P- Como foi sua experiência na assessoria de imprensa nos governos de José Agripino e de Garibaldi Alves filho?
Barbosa – No gov JA fui repórter. No governo de Gari, coordenador de imprensa, o que muito contribuiu para o amadurecimento profissional.
P- Qual o trabalho que mais lhe marcou como jornalista?
Barbosa – Sem dúvida o de editor de Política do JH Primeira Edição
P- Qual sua avaliação sobre a qualidade da imprensa no RN?
Barbosa – Com algumas ressalvas, o jornalismo potiguar está bem na foto, haja vista a Inter/TVCabugi, que serve de referência no NE.
P- Depois de tantos anos de experiência na imprensa de Natal você tem agora um blog. Fale do blog www.blogdobarbosa.com.br
Barbosa – Considero o blog um espaço interativo entre quem o faz e o web-leitor. Pra mim, trata-se de um exercício diário de cidadania.
P- O que é o Twitter para você?
Barbosa – Diria que as redes sociais, e aí se inclui o twitter, são a grande revolução na comunicação de massa no século 21.
P- Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Barbosa – Está com os amigos, ir ao teatro, cinema e ler um bom livro. Sim, ir a praia é outra coisa que faço com prazer.
*Se você quer conhecer um pouco mais o Carlos Alberto Barbosa converse com ele no Twitter @blogdobarbosa
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Sávio Hackradt
Agência Lusa
A economia mundial está enfrentando cada vez mais riscos e as formas de lutar contra essas ameaças são cada vez menores, alertou hoje (27) a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Ela disse que, apesar das opções serem cada vez mas reduzidas, “uma ação resoluta vai ajudar a dissipar as dúvidas” e que o caminho da recuperação econômica, ainda que mais estreito neste momento, é possível.
“Em suma, os riscos para a economia global estão aumentando, mas há ainda possibilidade de recuperação. As opções políticas são mais estreitas do que antes, mas há um caminho”, afirmou Christine, em discurso a presidentes de bancos centrais que decorre no estado do Wyoming, nos Estados Unidos.
“Tenho confiança de que, com as ações corretas, será possível restaurar o crescimento forte, sustentável e equilibrado”, acrescentou.
O discurso da diretora-geral do FMI surge um dia depois de Ben Bernanke, presidente do Banco Central norte-americano, ter dito que não há muito o que a instituição que dirige possa fazer para reforçar o crescimento econômico e apelou aos líderes políticos americanos que façam mais para estimular a criação de emprego e o mercado imobiliário.
Christine destacou a necessidade de “uma nova abordagem, baseada numa ação política forte, com um plano abrangente que englobe todas as alavancas políticas, a ser implementada globalmente, de forma coordenada”.
A diretora-geral do FMI disse que, hoje, as opções políticas são mais reduzidas que em 2008 e que “não há soluções fáceis, mas isso não significa que não existam soluções”, destacando, sobretudo, a consolidação fiscal e políticas macroeconômicas que estimulem o crescimento como opções.
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Sávio Hackradt
Quando usamos o termo “corrupção”, quase sempre o associamos ao peculato. Corruptos, no entendimento comum, são os que roubam do patrimônio público. Mas a corrupção do Estado não se restringe aos subornos, à lavagem de dinheiro, ao superfaturamento das obras. Nem mesmo aos crimes maiores, de transferência do patrimônio nacional aos grupos privados, nacionais e estrangeiros, como ocorreu no caso das privatizações.
Por Mauro Santayana, em seu blog
Corrupção, antes de ser vocábulo assumido pelo léxico político, significava infecção, putrefação dos organismos vivos. Assim, qualquer perversão dos grupos sociais – e, principalmente das instituições políticas – pode ser entendida como infecção e putrefação – enfim sintomas de gangrena que, sem a rápida intervenção cirúrgica nos órgãos atingidos, evolui para septicemia.
A violência policial é um tipo de corrupção, esteja (o que costuma ocorrer) ou não associada às propinas e subornos. O grande problema das forças policiais é o da falta de seu controle efetivo pelas autoridades políticas e judiciárias. O parlamento é um poder desarmado. Desarmada é a Justiça.
A supremacia do poder desarmado sobre o poder dos homens, armados e pagos com os recursos tributários dos cidadãos que trabalham, é convencional. Ele deriva da credibilidade dos governos e de respeito ao Estado, sobretudo de parte dos homens armados, que devem ser educados a fim de acatar as leis e obedecer às autoridades constituídas pelo povo – em lugar de ser adestrados e instigados para matar.
A polícia sempre foi violenta. Mas havia, no passado, um sistema de pluralidade dos organismos de repressão que representava, mal ou bem, certa garantia contra os excessos. O policiamento ostensivo urbano estava a cargo da Guarda Civil, quase sempre dotada apenas de cassetetes.
No Rio de Janeiro havia a Polícia Especial, de origem não muito elogiável, desde que fora criada por Filinto Strubing Muller, Chefe de Polícia do Distrito Federal, cujo nome germânico, naquele tempo de nazismo ascendente, tinha perigoso significado. Esse corpo se destinava a conter as manifestações populares a porretadas, enquanto a polícia política, sob o comando do mesmo homem, torturava e matava.
A Guarda Civil, apesar de atos esporádicos de violência, era mais ou menos “civil”, e normalmente respeitada pelas pessoas. Em um dos sambas de Noel Rosa, essa simpatia se expressa nos versos de “O orvalho vem caindo”, quando o morador de rua canta que seu despertador “é o senhor guarda-civil, que salário ainda não viu”.
Nos Estados, a Polícia Militar, nos grandes centros urbanos, quase não era vista. Limitava-se a proteger os edifícios públicos, a garantir a segurança dos presídios e, eventualmente, a intervir nos distúrbios de rua, em que agia com violência generalizada, em que raramente havia mortes.
O vídeo que a Folha de São Paulo está divulgando, em sua edição on-line, é um murro na cara de todos os homens decentes neste país. O escárnio dos policiais, diante de um homem, supostamente baleado por eles mesmos, que agoniza, e diante do outro, ferido aparentemente com menos gravidade, com as frases abjetas: “estrebucha, filho da p.”, e “ainda não morreu, não, tomara que morra antes de chegar ao hospital” horroriza os homens de bem.
Tal como a corrupção dos meios políticos, essa corrupção nos organismos policiais – em que há também dinheiros sujos – deve ser combatida por toda a sociedade. A ousadia desses policiais arbitrários e insanos, que torturam e matam, não tem limites e, se não houver a mobilização nacional, em breve eles que se acham senhores do bem e do mal, associados ao crime organizado, assumirão o poder de fato no país.
O assassinato da juíza Patrícia Acioly, que, pelos indícios reunidos, foi executada por homens da Polícia Militar do Rio de Janeiro, demonstra a que nível de audácia essa organização criminosa chegou. Dela participam os bandidos comuns, os grandes traficantes de drogas e as “milícias”, constituídas de meliantes fardados, como todos sabemos e, em muitos casos, sob proteção política.
Seria conveniente que novo corpo armado, de âmbito federal, e com o objetivo específico de policiar a polícia, fosse rapidamente organizado, nos moldes da Polícia Federal. Esses policiais teriam que ser muito bem pagos, bem treinados e dotados de armamentos sofisticados e poderosos, a fim de intervir rapidamente e extirpar a gangrena que ameaça generalizar-se. E não poderiam intervir nos estados em que estivessem destacados, como forma de preservá-los da corrupção local.
Os governos estaduais, responsáveis pela segurança em seus territórios, irão, naturalmente, aceitar a ação dessa força nacional. A nova corporação não pode ser tímida como a que foi criada recentemente – constituída de integrantes das polícias militares estaduais – que não se encontra devidamente armada, nem adestrada, para ações dessa amplitude.
Para a tranquilidade da cidadania, quanto mais corporações policiais houver, melhor. Quanto mais difuso for o controle sobre tais corpos armados, e quanto mais rigorosa for a punição contra os abusos policiais, menos riscos correremos.
A violência, no entanto, não é só policial. A violência social contra os pobres – obrigados a abandonar os lares e os filhos nas ruas, a fim de trabalhar a dezenas de quilômetros de distância – explica a crescente delinqüência de menores, como no caso do bando de crianças de menos de 12 anos, que se dedicava a “arrastões”, e foi detido, há dias, em São Paulo.
Uma sociedade que é cúmplice da violência contra os pobres, acaba sendo dela também vítima.
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Sávio Hackradt
Elaine Patricia Cruz
da Agência Brasil
Uma manifestação realizada na tarde de ontem (27), na Avenida Paulista, em São Paulo, marcou o lançamento de uma campanha nacional contra o bullying e a violência infantil. A manifestação é parte da mobilização Quebrando o Silêncio, criada pelos Adventistas do Sétimo Dia e que há dez anos luta contra a violência à mulher, ao idoso e à criança. Segundo a Polícia Militar, o ato contou com a participação de cerca de 900 pessoas. Os organizadores estimaram em duas mil pessoas.
“Bullying é todo ato de violência física ou psicológica exercida por alguém que seja fisicamente superior àquele que é oprimido e que traz prejuízo significativo para a vida dessa pessoa”, explicou Noel José Dias da Costa, psicólogo da rede educacional adventista e um dos voluntários do evento.
Uma das crianças presentes à manifestação, a estudante Talita A., de 11 anos, disse já ter sido vítima de bullying. Talita contou que alguns garotos da escola a apelidaram de Olivia Palito (personagem do desenho Popeye) por ela ser magra. Depois de ter ficado triste e chorado, ela contou a história para a mãe, que conversou com a escola. “A escola falou com os meninos e eles me pediram desculpa”, contou.
Talita disse que agora se sente mais feliz. “Acho importante a escola discutir isso porque assim as crianças vão parar de praticar isso e vão respeitar mais as pessoas”.
Segundo o psicólogo, a criança que é vítima de bullying pode apresentar dificuldades em suas interações com outras pessoas, na escola e na formação de sua identidade. “No longo prazo, os prejuízos podem trazer severos traumas psicológicos que podem vir na forma de ansiedade, depressão e comportamentos inadequados”, disse.
A ação desta tarde (27) foi marcada por um mural, de cerca de 30 metros, onde as pessoas puderam deixar a marca de sua mão, com o objetivo de formar um grande símbolo contra a violência.
“Nossa campanha é preventiva e educativa. Fazemos algumas manifestações públicas, como a de hoje, mas nosso foco é a educação. Fazemos campanhas nas escolas e palestras”, disse Sonia Santos, coordenadora estadual da campanha.
Segundo a organização do ato, uma pesquisa sobre bullying no país, publicada no ano passado pela organização não governamental Plan Brasil, apontou que cerca de 70% dos estudantes dizem já terem presenciado cenas de violência em suas unidades de ensino. Quase metade dos estudantes consultados na mesma pesquisa (47%) disse já ter visto um colega sofrer bullying.
Pouco antes da manifestação contra o bullying, cerca de 50 estudantes fizeram um outro ato, também no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, pedindo por uma destinação maior do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação.
“A principal reivindicação é maior investimento para a educação. Também reivindicamos um sistema igualitário público de ensino, universal e de qualidade”, disse Yuri Gonzaga, estudante de jornalismo da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores do movimento, que foi convocado pelas redes sociais na internet.
