3.9.11
Postado por
Sávio Hackradt
Reproduzido do blog Código Aberto, 27/8/2011; título original “As novas obrigações da imprensa como espaço político”
* Por Carlos Castilho – Observatório da Imprensa em 31/08/2011 na edição 657
O
espaço político contemporâneo transferiu-se para os veículos de comunicação.
Esta frase cunhada pelo sociólogo espanhol Manuel Castells já é quase um lugar
comum entre os eleitores, mas a imprensa faz de conta que não tem nada a ver
com a questão. Não há mais política sem os veículos de comunicação em massa,
que foram transformados no ambiente preferencial para a definição do poder. As
hegemonias não se decidem mais no Parlamento, mas nas manchetes de jornais e
dos telejornais.
Esta
constatação já é corrente entre os pesquisadores da política contemporânea, mas
ainda questionada pelos parlamentares e pela imprensa por causa de interesses
corporativos. Deputados e senadores resistem a admitir que as sessões do
Parlamento deixaram de ser relevantes como ambiente para a produção de atos políticos
para se transformarem em cenário para protagonismos cênicos voltados mais para
as câmeras e microfones do que para o plenário. Já a imprensa acredita que
continua sendo uma observadora isenta, quando de fato está fornecendo a matéria
prima para que os marqueteiros formatem as mensagens que chegarão até nós, os
consumidores de informações.
Mais
diversidade
O
tema parece complicado porque vai contra ideias, valores e comportamentos
estabelecidos há tempos. Mas é quase óbvio. A midiatização da política, ou o
que Castells chama de “política informacional”, é o resultado de um processo
bem antigo e que no fundo está diretamente ligado a um fenômeno conhecido por
todos nós – o crescimento demográfico e a democratização do acesso à
informação. Quando poucas pessoas estavam habilitadas a participar da política,
votando ou não, e quando os canais de comunicação eram escassos, a política
acontecia de forma direta, sem a necessidade de intermediários com a imprensa.
Mas,
na medida em que a população do planeta cresceu, os veículos de comunicação de
massa foram se tornando cada vez mais necessários para intermediar a relação
não apenas entre as pessoas comuns, mas entre elas e os tomadores de decisões e
os governantes. O avanço da tecnologia também contribuiu, e muito, para que
essa intermediação se tornasse cada vez mais complexa e generalizada. Como era
inevitável, a intermediação gerou uma indústria altamente lucrativa no segmento
da informação e do entretenimento. Não houve nenhum maquiavelismo premeditado
no desenvolvimento da grande aldeia global prevista por Marshall McLuhan.
O
problema surge quando os políticos e os executivos da indústria da comunicação
ignoram ou minimizam as mudanças ocorridas na esfera da comunicação provocadas
pelo surgimento da digitalização, da computação e da internet. Os políticos
fazem de conta que a política ainda é decidida nos parlamentos e nas urnas
porque este é o ambiente que eles conhecem e controlam. Por sua vez, os
executivos da indústria da informação e entretenimento, hoje cada vez mais
entrelaçadas (infotainment), agarram-se ao discurso construído em torno a uma
imprensa que já não existe mais, aquela em que a notícia era isenta de
interesses políticos e onde as empresas eram movidas pela mais genuína
preocupação com o público.
A
transformação da mídia em espaço político preferencial, como conseqüência das
mudanças ocorridas na realidade social e econômica, altera irremediavelmente as
bases sobre as quais se apóia o discurso tanto dos políticos como da indústria
do infotainment. Os políticos sabem que hoje uma campanha eleitoral não depende
mais de propostas e ideias, mas de um bom marqueteiro, de muito dinheiro e um
ágil assessor de imprensa. Os eleitores sabem que, uma vez eleitos, a grande
preocupação dos políticos é garantir recursos financeiros para a próxima
eleição.
Por
seu lado, a indústria da comunicação usa a relevância que lhe foi dada pela
evolução social, econômica e tecnológica da sociedade para ganhar dinheiro,
apoiando-se num discurso que poderia ter sido válido no início do século 20,
mas que hoje perdeu seu significado. A imprensa não é mais uma observadora
imparcial e distante, mas é parte essencial do jogo político. Sem ela, todo o
modelo das eleições diretas, da transparência econômica e administrativa, da
prestação de contas dos governos e da participação popular torna-se letra
morta.
A
indústria dos jornais nega-se a reconhecer esta mudança porque isso
significaria reconhecer que é parte interessada, ou pelo menos beneficiada, no
jogo político. Portanto teria que mudar seu discurso. Em vez de cada jornal se
apresentar como o mais isento, fidedigno e objetivo – adjetivos que se tornaram
inócuos diante do aumento da complexidade informativa –, teria que passar a
defender a diversidade de veículos de informação e a transparência corporativa,
já que são protagonistas efetivos do jogo político e o eleitor precisa conhecer
quais os interesses que movem cada empresa jornalística.
Futuro
modelo
A
midiatização da política não implica a eliminação das indústrias da comunicação
e da informação. As empresas jornalísticas continuarão sendo parte do sistema
de comunicação pública. Não podemos cair na ilusão de que o governo, seja qual
for o seu nível (federal, estadual, municipal ou local), é capaz de garantir a
diversidade, transparência e contextualização (causas, conseqüências,
beneficiados e prejudicados) das noticias e informações oferecidas ao eleitor.
Atualmente, os governos são exercidos por políticos que como tal têm
interesses, logo a instituição acaba contaminada por esses mesmos interesses.
Ainda
é impossível vislumbrar qual será o modelo futuro da imprensa e da comunicação
num ambiente onde a informação é a matéria prima mais valorizada. Mas uma coisa
já sabemos. A imprensa precisa mudar o seu discurso, suas responsabilidades e
comportamentos numa era em que a sua matéria prima, a informação, tornou-se uma
espécie de DNA de nossa existência civil.
*Carlos
Castilho é jornalista e professor universitário
Postado por
Sávio Hackradt
Agosto
da Alegria, projeto promovido pelo Governo do Estado, se encerra neste fim de
semana, com muitas atrações.
Sábado
(3), haverá o encerramento do I
Encontro de Bonecos e Bonequeiros do RN, às 9h, na Feira do Alecrim. No Beco da
Lama, o grupo de Capoeira Cordão de Ouro se apresenta a partir das 18h e às 19h
é a vez dos violeiros Paulo Varela, Domingos Matias e Antônio Morais, Domingos
Tomás e Manoel Soares e Xexéu se apresentarem. Para encerrar a noite de sábado,
a atração Siba e a Fuloresta se apresenta no Largo do TAM, às 20h.
Domingo
(4), o grupo de capoeira Cordão de
Ouro se apresenta, às 10h, em Ponta Negra e, às 15h, na Praia dos Artistas. Às
15h, no Largo do TAM, haverá a apresentação do Festival das Quadrilhas Campeãs
da Inter TV Cabugi, do Mossoró Cidade Junina, do Arraiá Quatrocentão e da
Prefeitura do Natal. Às 20h, no Largo do TAM, a atração musical fica por conta
do Cantor Waldonis.
As exposições de Fé Córdula e do Salão Nordeste de Arte
Popular Chico Santeiro ainda estarão abertas à visitação no Palácio Potengi, no
sábado e domingo, das 08h às 17h.
Neste
final de semana, ainda será possível visitar a Feira de Produtos Orgânicos, o Festival
de Gastronomia Sabor Potiguar e a Feira do Artesanato Potiguar, das 15h às 23h,
nas Praças Sete de Setembro e André de Albuquerque, no centro da cidade.
2.9.11
Postado por
Sávio Hackradt
Entrevista
10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)
Perfil
de Ilana Félix - Natal/RN, 41 anos, solteira, (com orgulho), Licenciada em
Construção Civil e Espec. em Marketing. Produtora da Semana da Música de Natal.
P-
Como e quando surgiu o interesse de fazer o curso de Licenciatura em Construção
Civil?
Ilana
Félix - Eu já tinha efeito o téc. em Edificações e cursava Arquitetura. A
licenciatura em Construção foi uma extensão do conhecimento nessa área.
P-
E por que resolveu em se especializar em marketing?
Ilana
Félix - Ñ me realizei na minha área. Fui trabalhar c/ eventos e o SEBRAE me
chamou p/ ser consultora em MKT cultural. Precisei me especializar.
P- Hoje
você é Produtora Cultural. Como é ser Produtora Cultural aqui no RN?
Ilana
Félix – Dificílimo pq gosto de produzir a cultura local. O natalense só
valoriza o q ñ é daqui. Pagam $120 numa peça d fora, ñ pagam $30 numa local.
P-
Você vem de uma família de músicos. Que tipo de música mais lhe desperta
atenção? Por quê?
Ilana
Félix - Erudita, Estudei música e ballet entre 10 e 17 anos. Ñ houve um dia
nesse período q ñ tenha ouvido música erudita. Além dela, nossa MPB.
P-
Quais os instrumentos musicais que você mais admira? Você toca algum
instrumento?
Ilana
Félix - Piano. Estudei 7 anos na Esc de Música, depois fiquei estudando em
casa. Os cupins ‘levaram’ meu piano. Assim q tiver outro volto a tocar.
P- Você
está produzindo a Semana da Música que acontecerá em Natal no mês de outubro.
Como está sendo essa produção?
Ilana
Félix - Muito desafiador. Nunca houve um evento dessa envergadura em Natal num
segmento que ñ é popular, nem por isso deixa de ser prazeroso.
P-
Qual o seu sonho a ser realizado?
Ilana
Félix - Querer um governo eficiente nesse país é tão utópico, mas sonho em ver
toda criança brasileira receber, ao menos, a educação que eu tive.
P- Por
que essa sua paixão por cachorros?
Ilana
Félix - Justamente por trabalhar c/ eventos, qdo não estou trabalhando adoro
ficar em casa. Os cachorros são excelentes companhias, sempre alegres.
P-
O que é o Twitter para você?
Ilana
Félix - Um veículo p/ falar rapidamente c/ amigos, uma possibilidade de
conhecer pessoas interessantes e debater assuntos polêmicos
P-
Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Ilana
Félix - Em casa, ouvindo música, assistindo filmes (adoro documentários),
brincando com meus filhotes ou correndo no calçadão/praia.
*Se
você quer conhecer um pouco mais o Ilana Félix converse com ela no Twitter @ilanafelix
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Sávio Hackradt
Bruno
Bocchini Agência Brasil
A
17ª edição do Gritos dos Excluídos, programada para ocorrer de 1º a 7 de
setembro, terá como tema a defesa da vida humana e da natureza. Com o lema
"Pela Vida Grita Terra... Por Direitos, Todos Nós", movimentos
sociais e pastorais sociais promovem em todo o país manifestações contra as
drogas, pela a reforma política, e contra a corrupção, entre outros assuntos.
Na cidade de Aparecida, no Dia da Independência (7), ocorrerá a maior
manifestação, que será feita junto com a Romaria dos Trabalhadores.
“O
formato do grito é aberto, não vai se reger apenas pela pauta principal. Vamos
pulverizar as atividades”, disse Ari Alberti, coordenador nacional do Grito dos
Excluídos. Nesta edição, os organizadores pretendem também levar as atividades
do evento para a periferia das cidades. “Na periferia é possível construir o
ato junto com as pessoas, que se sentem atraídas e se sentem protagonistas das
atividades. O grito ajuda a levar formação e informação para essas pessoas”,
completou.
O
Grito dos Excluídos é organizado pela Pastoral Social da Confederação Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB), pela Comissão Pastora da Terra (CPT), por diversos
movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),
Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab), pelo Fórum Nacional pela Reforma
Agrária e Justiça no Campo e pela Campanha Jubileu Brasil.
Postado por
Sávio Hackradt
Vladimir
Platonow
da Agência Brasil
O
Ministério da Educação (MEC) vai distribuir tablets – computadores pessoais
portáteis do tipo prancheta, da espessura de um livro – a escolas públicas a
partir do próximo ano. A informação foi divulgada ontem (1) pelo ministro da
Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares, na
15ª Bienal do Livro. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso
dos alunos à tecnologia.
Haddad
afirmou que o edital para a compra dos equipamentos será publicado ainda este
ano. “Nós estamos investindo em conteúdos digitais educacionais. O MEC
investiu, só no último período, R$ 70 milhões em produção de conteúdos
digitais. Temos portais importantes, como o Portal do Professor e o Portal Domínio
Público. São 13 mil objetos educacionais digitais disponíveis, cobrindo quase
toda a grade do ensino médio e boa parte do ensino fundamental.”
O
ministro disse que o MEC está em processo de transformação. “Precisamos, agora,
dar um salto, com os tablets. Mas temos que fazer isso de maneira a fortalecer
a indústria, os autores, as editoras, para que não venhamos a sofrer um
problema de sustentabilidade, com a questão da pirataria.”
Haddad
não soube precisar o volume de tablets que será comprado pelo MEC, mas disse
que estaria na casa das “centenas de milhares”. Ele destacou que a iniciativa
está sendo executada em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT).
“O
MEC, neste ano, já publica o edital de tablets, com produção local, totalmente
desonerado de impostos, com aval do Ministério da Fazenda. A ordem de grandeza
do MEC é de centenas de milhares. Em 2012, já haverá uma escala razoável na
distribuição de tablets.”
1.9.11
Postado por
Sávio Hackradt
Oscar
Niemeyer aos 103 anos e a lucidez na
frase que ele postou: "PROJETAR BRASÍLIA PARA OS POLÍTICOS QUE VOCÊS
COLOCARAM LÁ, FOI COMO CRIAR UM LINDO VASO DE FLORES PRÁ VOCÊS USAREM COMO
PINICO. BRASÍLIA NUNCA DEVERIA TER SIDO PROJETADA EM FORMA DE AVIÃO E SIM DE
CAMBURÃO."
By Oscar
Niemeyer
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Sávio Hackradt
Entrevista
10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)
Perfil
de Dinarte Assunção - Areia Branca/RN, 22 anos, solteiro, Jornalista,
Repórter do Nominuto.com. Ele fala/pensa em trabalho 24 horas por dia.
P-
Quando resolveu vir morar na capital?
Dinarte
Assunção - Decidi vir para Natal quando os limites do interior impediram
qualquer pretensão de crescimento. Parti. Isso foi há cinco anos.
P-
Quando surgiu a ideia de você cursar Jornalismo?
Dinarte
Assunção - Foi na inscrição do vestibular. Fiquei na dúvida: artes cênicas
(morreria de fome) ou jornalismo (passaria fome). Escolhi jornalismo.
P-
Onde você fez o curso? Recomenda o mesmo curso?
Dinarte
Assunção - UFRN. Recomendo com ressalvas: faça jornalismo se for sua vocação.
Descobri a minha no curso, e ainda assim cogito fazer outras coisas.
P-
O que fazer para ser um Jornalista bem conceituado?
Dinarte
Assunção - Não tente ser imparcial. Imparcialidade é a maior mentira que já
inventaram no jornalismo. Tente ouvir o maior número possível de vozes.
P-
Como é desenvolvida suas atividades no portal NoMinuto.com?
Dinarte
Assunção - Diariamente leio os principais jornais nacionais e os locais, além
dos diários oficiais. Vejo o que está acontecendo e vou atrás da notícia.
P- As
redes sociais lhe ajudam no seu trabalho?
Dinarte
Assunção - Muito. Mas é lamentável como às vezes se apropriam delas
para reproduzirem a lentidão do pensamento na velocidade da luz. Faca de dois
gumes.
P-
Há espaço no mercado de trabalho de Natal para mais jornalistas?
Dinarte
Assunção - Se você é bom no que faz, sempre há espaço para seu trabalho.
Natal, contudo, tem a desvantagem de os jornalistas serem mal remunerados.
P-
Você já passou por alguma situação inusitada quando fazia alguma reportagem?
Dinarte
Assunção - Nossa, muito! Uma delas foi me trancar com vários jovens infratores
no Ceduc para levar a matéria que eu queria.
P-
O que é o Twitter para você?
Dinarte
Assunção - Um grande puteiro no qual as opiniões se prostituem a serviço de
alguém, nem que seja você próprio.
P-
Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Dinarte
Assunção - Eu estou sempre trabalhando. Até quando saio é para falar sobre
trabalho. Jornalista tem disso. Mas mencione um samba e jogo tudo para cima.
*Se
você quer conhecer um pouco mais o Dinarte Assunção converse com ele no
Twitter @DinarteAssuncao
Postado por
Sávio Hackradt
Carolina
Pimentel
da Agência Brasil
Internautas
estão organizando uma marcha contra a corrupção no dia 7 de setembro, quando é
comemorada a independência do país. O movimento ganhou mais adeptos depois da
absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), segundo a organização
do protesto.
Há
duas semanas, um grupo de brasilienses lançou no Facebook, uma rede social, a
ideia de fazer o protesto no Dia da Independência. Até a noite de terça-feira
(30), mais de 9 mil pessoas tinham confirmado presença. Segundo um dos
organizadores da manifestação, Giderclay Zeballos, as confirmações praticamente
dobraram depois que a Câmara dos Deputados arquivou o processo de cassação do
mandato de Jaqueline Roriz, acusada de quebra de decoro após aparecer em uma
gravação de vídeo recebendo dinheiro do operador do esquema de propina no
governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, quando era candidata a deputada
distrital.
“Muita
gente ficou indignada com a absolvição”, disse Zeballos, analista de sistema.
Na
página do protesto na rede social, os organizadores afirmam que a manifestação
não tem apoio de partidos, sindicatos ou empresas. E surgiu da mobilização de
cidadãos comuns diante das denúncias de corrupção, como as recentes ocorridas
nos ministérios dos Transportes, do Turismo e da Agricultura. “A corrupção
virou uma doença no Brasil. Sentimos que temos que fazer alguma coisa”, disse
Zeballos.
Segundo
ele, os próprios organizadores estão arrecadando com amigos e parentes recursos
para a compra de material para a manifestação, como faixas e tintas.
O
grupo pede que os participantes levem spray, apitos, balões e tinta para pintar
o rosto durante a marcha. “Não carregue bandeira de nenhum partido, a bandeira
que devemos carregar é apenas a do Brasil, que é o nosso interesse comum”, diz
texto na página do evento.
O
protesto está previsto para começar às 10h do dia 7 de setembro. O local
escolhido é o Museu Nacional, próximo à Esplanada dos Ministérios, onde é
realizado o tradicional desfile militar.
Postado por
Sávio Hackradt
Economista
e professor universitário avalia que, na melhor hipótese, EUA voltarão a
crescer normalmente só em 2013
Fonte:
Estadão.com
Professor
da Universidade George Washington, o economista americano William Handorf foi
testemunha privilegiada do processo que, em 2008, culminou no estouro da bolha
imobiliária americana. Era diretor do Federal Reserve (FED, o banco central dos
Estados Unidos) entre 2001 e 2006. Na função que exercia, não votava nas decisões
de política monetária (taxa de juros). Mas participava do dia a dia da
instituição.
Especialista
justamente em finanças do setor imobiliário, Handorf conta que, pouco antes de
deixar o FED, provocou os colegas. Para ele, estava claro que a instituição
falhava na supervisão do sistema financeiro. Durante uma exposição, afirmou:
"Acredito que estamos entrando em uma nova fase que mostrará falhas na
supervisão. Digam-me se - e por que - estou errado." Segundo ele, a reação
foi de incredulidade.
Handorf
avalia que a economia americana só vai recuperar a vitalidade, na melhor das
hipóteses, em 2013. Até lá, afirmou, a taxa de desemprego continuará elevada
(hoje está na casa dos 10%). "É uma recessão longa e severa." Ele
concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo após dar palestra num
evento da Fecomércio em São Paulo. Leia os principais trechos da entrevista.
Estadão:
O sr. acredita que o Federal Reserve adotará mais uma rodada do chamado
afrouxamento quantitativo (QE3)? Se adotar, terá efeito positivo na economia?
William
Handorf: Se vão adotar ou não, é uma questão que cabe ao Comitê de Mercado
Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do FED. Se eles deveriam fazer ou não, minha
resposta é a seguinte: a probabilidade de que funcione é muito pequena. As
taxas de juros nos EUA já estão muito baixas.
Estadão:
O FED acertou ao informar publicamente, em sua última reunião de política
monetária, que a taxa de juros vai ficar baixa ao menos até 2013?
WH:
Se eu fosse um integrante do FED com direito a voto, teria sido mais um a
discordar (dos dez diretores do FED que votaram, três foram contrários). Não há
dúvida de que o FED tem de manter os juros baixos, pois o mandato do BC
americano não é apenas para manter a inflação baixa. Deve também dar atenção ao
crescimento. É algo que faz o FED ser diferente de muitos bancos centrais. Mas,
apesar disso, não se pode brincar com a inflação. É uma experiência, aliás, que
vocês brasileiros conhecem bem. Leva um tempo muito longo para a inflação e as
expectativas baixarem.
Estadão:
Cresceu a probabilidade de uma nova recessão nos EUA?
WH:
Sim. No ano passado, a probabilidade de uma recessão era de 5%. Diria que, nos
últimos seis meses, essa chance cresceu para 20%. O cenário eleitoral
contribuiu para essa elevação.
Estadão:
Como assim?
WH:
Já de olho na eleição, o Congresso e o Executivo demoraram para encontrar um
acordo sobre o aumento do teto da dívida. O gatilho para esse assunto - o
rebaixamento da nota de classificação de risco pela agência Standard &
Poor’s - foi apenas simbólico. Mas indica, de qualquer maneira, que temos
problemas no país. Goste-se ou não dessas agências, é uma opinião respeitada no
mercado.
Estadão:
O sr. disse, em sua apresentação, que a questão do emprego é a chave para a
economia americana hoje. Por quê?
WH:
Cerca de 8 milhões de americanos perderam seus empregos durante a recessão.
Alguns empregos têm sido criados tanto no setor público quanto no privado, mas
em quantidade insuficiente. O problema é que os EUA precisam criar entre 1
milhão e 2 milhões de empregos por ano apenas para dar conta da imigração e dos
jovens que entram no mercado. Ou seja, enquanto todos esses empregos não forem
criados, com salários minimamente razoáveis, será difícil imaginar uma
recuperação.
Estadão:
Quando o sr. imagina que o cenário para o emprego nos EUA apresentará melhora?
WH:
Provavelmente não antes de 2013, talvez só em 2014. É uma recessão longa e
muito severa. Não é uma recessão que se resolverá facilmente, pois há algo que
continua machucando a economia: o setor imobiliário, que demanda enorme
contingente de mão de obra.
Estadão:
O sr. foi diretor do Fed.
WH:
Fui diretor. Não votava nas decisões do Fomc.
Estadão:
Trabalhou na época em que Alan Greenspan era o presidente.
WH:
Sim, em parte. Fui diretor entre 2001 e 2006 (Greenspan deixou o cargo
justamente em fevereiro daquele ano).
Estadão:
Como avalia o trabalho dele? Naquela época, ele era uma espécie de deus do
mercado.
WH:
Concordo com a maneira como Greenspan comandou a política monetária, mas ele
falhou na supervisão do sistema. Ele não reconheceu o alto risco dos
empréstimos hipotecários. Se fosse eleger as cinco causas principais da crise,
colocaria em primeiro lugar o papel do FED. Certa vez, minha mulher me viu
chegar em casa chateado após uma reunião em que havia falado sobre o alto risco
daqueles empréstimos e as consequências para o mercado. A percepção era de que
tudo estava bem. No fim de meu período no FED, fiz uma colocação, não era um
discurso formal, em que disse: "O FED tem uma longa história de falhas em
política monetária e na política de supervisão. Acredito que estamos entrando
em uma nova fase que mostrará falhas na supervisão. Digam-me se - e por que -
estou errado."
Estadão:
E qual foi a reação?
WH:
Foi de incredulidade. Como um diretor do FED poderia dizer aquilo? O homem a
quem fiz a pergunta ficou indignado.
Estadão:
Quando os EUA voltarão a crescer de acordo com o potencial?
WH:
Os EUA precisam crescer de 3% a 4% ao ano para criar os empregos necessários.
Ficaria surpreso se isso acontecesse antes de um ano e meio ou dois.
Estadão:
E o Brasil nesse cenário?
WH:
Não gostaria de falar sobre o Brasil. Meu foco de análise são os Estados
Unidos. O que se pode dizer, genericamente, é que o Brasil tem uma classe média
emergente muito grande, que vai gerar demanda doméstica.
