CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

3.9.11


Reproduzido do blog Código Aberto, 27/8/2011; título original “As novas obrigações da imprensa como espaço político”

* Por Carlos Castilho – Observatório da Imprensa em 31/08/2011 na edição 657
O espaço político contemporâneo transferiu-se para os veículos de comunicação. Esta frase cunhada pelo sociólogo espanhol Manuel Castells já é quase um lugar comum entre os eleitores, mas a imprensa faz de conta que não tem nada a ver com a questão. Não há mais política sem os veículos de comunicação em massa, que foram transformados no ambiente preferencial para a definição do poder. As hegemonias não se decidem mais no Parlamento, mas nas manchetes de jornais e dos telejornais.
Esta constatação já é corrente entre os pesquisadores da política contemporânea, mas ainda questionada pelos parlamentares e pela imprensa por causa de interesses corporativos. Deputados e senadores resistem a admitir que as sessões do Parlamento deixaram de ser relevantes como ambiente para a produção de atos políticos para se transformarem em cenário para protagonismos cênicos voltados mais para as câmeras e microfones do que para o plenário. Já a imprensa acredita que continua sendo uma observadora isenta, quando de fato está fornecendo a matéria prima para que os marqueteiros formatem as mensagens que chegarão até nós, os consumidores de informações.
Mais diversidade
O tema parece complicado porque vai contra ideias, valores e comportamentos estabelecidos há tempos. Mas é quase óbvio. A midiatização da política, ou o que Castells chama de “política informacional”, é o resultado de um processo bem antigo e que no fundo está diretamente ligado a um fenômeno conhecido por todos nós – o crescimento demográfico e a democratização do acesso à informação. Quando poucas pessoas estavam habilitadas a participar da política, votando ou não, e quando os canais de comunicação eram escassos, a política acontecia de forma direta, sem a necessidade de intermediários com a imprensa.
Mas, na medida em que a população do planeta cresceu, os veículos de comunicação de massa foram se tornando cada vez mais necessários para intermediar a relação não apenas entre as pessoas comuns, mas entre elas e os tomadores de decisões e os governantes. O avanço da tecnologia também contribuiu, e muito, para que essa intermediação se tornasse cada vez mais complexa e generalizada. Como era inevitável, a intermediação gerou uma indústria altamente lucrativa no segmento da informação e do entretenimento. Não houve nenhum maquiavelismo premeditado no desenvolvimento da grande aldeia global prevista por Marshall McLuhan.
O problema surge quando os políticos e os executivos da indústria da comunicação ignoram ou minimizam as mudanças ocorridas na esfera da comunicação provocadas pelo surgimento da digitalização, da computação e da internet. Os políticos fazem de conta que a política ainda é decidida nos parlamentos e nas urnas porque este é o ambiente que eles conhecem e controlam. Por sua vez, os executivos da indústria da informação e entretenimento, hoje cada vez mais entrelaçadas (infotainment), agarram-se ao discurso construído em torno a uma imprensa que já não existe mais, aquela em que a notícia era isenta de interesses políticos e onde as empresas eram movidas pela mais genuína preocupação com o público.
A transformação da mídia em espaço político preferencial, como conseqüência das mudanças ocorridas na realidade social e econômica, altera irremediavelmente as bases sobre as quais se apóia o discurso tanto dos políticos como da indústria do infotainment. Os políticos sabem que hoje uma campanha eleitoral não depende mais de propostas e ideias, mas de um bom marqueteiro, de muito dinheiro e um ágil assessor de imprensa. Os eleitores sabem que, uma vez eleitos, a grande preocupação dos políticos é garantir recursos financeiros para a próxima eleição.
Por seu lado, a indústria da comunicação usa a relevância que lhe foi dada pela evolução social, econômica e tecnológica da sociedade para ganhar dinheiro, apoiando-se num discurso que poderia ter sido válido no início do século 20, mas que hoje perdeu seu significado. A imprensa não é mais uma observadora imparcial e distante, mas é parte essencial do jogo político. Sem ela, todo o modelo das eleições diretas, da transparência econômica e administrativa, da prestação de contas dos governos e da participação popular torna-se letra morta.
A indústria dos jornais nega-se a reconhecer esta mudança porque isso significaria reconhecer que é parte interessada, ou pelo menos beneficiada, no jogo político. Portanto teria que mudar seu discurso. Em vez de cada jornal se apresentar como o mais isento, fidedigno e objetivo – adjetivos que se tornaram inócuos diante do aumento da complexidade informativa –, teria que passar a defender a diversidade de veículos de informação e a transparência corporativa, já que são protagonistas efetivos do jogo político e o eleitor precisa conhecer quais os interesses que movem cada empresa jornalística.
Futuro modelo
A midiatização da política não implica a eliminação das indústrias da comunicação e da informação. As empresas jornalísticas continuarão sendo parte do sistema de comunicação pública. Não podemos cair na ilusão de que o governo, seja qual for o seu nível (federal, estadual, municipal ou local), é capaz de garantir a diversidade, transparência e contextualização (causas, conseqüências, beneficiados e prejudicados) das noticias e informações oferecidas ao eleitor. Atualmente, os governos são exercidos por políticos que como tal têm interesses, logo a instituição acaba contaminada por esses mesmos interesses.
Ainda é impossível vislumbrar qual será o modelo futuro da imprensa e da comunicação num ambiente onde a informação é a matéria prima mais valorizada. Mas uma coisa já sabemos. A imprensa precisa mudar o seu discurso, suas responsabilidades e comportamentos numa era em que a sua matéria prima, a informação, tornou-se uma espécie de DNA de nossa existência civil.
*Carlos Castilho é jornalista e professor universitário

Agosto da Alegria, projeto promovido pelo Governo do Estado, se encerra neste fim de semana, com muitas atrações.
Sábado (3), haverá o encerramento do I Encontro de Bonecos e Bonequeiros do RN, às 9h, na Feira do Alecrim. No Beco da Lama, o grupo de Capoeira Cordão de Ouro se apresenta a partir das 18h e às 19h é a vez dos violeiros Paulo Varela, Domingos Matias e Antônio Morais, Domingos Tomás e Manoel Soares e Xexéu se apresentarem. Para encerrar a noite de sábado, a atração Siba e a Fuloresta se apresenta no Largo do TAM, às 20h.
Domingo (4), o grupo de capoeira Cordão de Ouro se apresenta, às 10h, em Ponta Negra e, às 15h, na Praia dos Artistas. Às 15h, no Largo do TAM, haverá a apresentação do Festival das Quadrilhas Campeãs da Inter TV Cabugi, do Mossoró Cidade Junina, do Arraiá Quatrocentão e da Prefeitura do Natal. Às 20h, no Largo do TAM, a atração musical fica por conta do Cantor Waldonis.

As exposições de Fé Córdula e do Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro ainda estarão abertas à visitação no Palácio Potengi, no sábado e domingo, das 08h às 17h.
Neste final de semana, ainda será possível visitar a Feira de Produtos Orgânicos, o Festival de Gastronomia Sabor Potiguar e a Feira do Artesanato Potiguar, das 15h às 23h, nas Praças Sete de Setembro e André de Albuquerque, no centro da cidade.

2.9.11


Entrevista 10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)

Perfil de Ilana Félix - Natal/RN, 41 anos, solteira, (com orgulho), Licenciada em Construção Civil e Espec. em Marketing. Produtora da Semana da Música de Natal.

P- Como e quando surgiu o interesse de fazer o curso de Licenciatura em Construção Civil?
Ilana Félix - Eu já tinha efeito o téc. em Edificações e cursava Arquitetura. A licenciatura em Construção foi uma extensão do conhecimento nessa área.
P- E por que resolveu em se especializar em marketing?
Ilana Félix - Ñ me realizei na minha área. Fui trabalhar c/ eventos e o SEBRAE me chamou p/ ser consultora em MKT cultural. Precisei me especializar.
P- Hoje você é Produtora Cultural. Como é ser Produtora Cultural aqui no RN?
Ilana Félix – Dificílimo pq gosto de produzir a cultura local. O natalense só valoriza o q ñ é daqui. Pagam $120 numa peça d fora, ñ pagam $30 numa local.
P- Você vem de uma família de músicos. Que tipo de música mais lhe desperta atenção? Por quê?
Ilana Félix - Erudita, Estudei música e ballet entre 10 e 17 anos. Ñ houve um dia nesse período q ñ tenha ouvido música erudita. Além dela, nossa MPB.
P- Quais os instrumentos musicais que você mais admira? Você toca algum instrumento?
Ilana Félix - Piano. Estudei 7 anos na Esc de Música, depois fiquei estudando em casa. Os cupins ‘levaram’ meu piano. Assim q tiver outro volto a tocar.
P- Você está produzindo a Semana da Música que acontecerá em Natal no mês de outubro. Como está sendo essa produção?
Ilana Félix - Muito desafiador. Nunca houve um evento dessa envergadura em Natal num segmento que ñ é popular, nem por isso deixa de ser prazeroso.
P- Qual o seu sonho a ser realizado?
Ilana Félix - Querer um governo eficiente nesse país é tão utópico, mas sonho em ver toda criança brasileira receber, ao menos, a educação que eu tive.
P- Por que essa sua paixão por cachorros?
Ilana Félix - Justamente por trabalhar c/ eventos, qdo não estou trabalhando adoro ficar em casa. Os cachorros são excelentes companhias, sempre alegres.
P- O que é o Twitter para você?
Ilana Félix - Um veículo p/ falar rapidamente c/ amigos, uma possibilidade de conhecer pessoas interessantes e debater assuntos polêmicos
P- Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Ilana Félix - Em casa, ouvindo música, assistindo filmes (adoro documentários), brincando com meus filhotes ou correndo no calçadão/praia.
*Se você quer conhecer um pouco mais o Ilana Félix converse com ela no Twitter @ilanafelix

Bruno Bocchini Agência Brasil
 A 17ª edição do Gritos dos Excluídos, programada para ocorrer de 1º a 7 de setembro, terá como tema a defesa da vida humana e da natureza. Com o lema "Pela Vida Grita Terra... Por Direitos, Todos Nós", movimentos sociais e pastorais sociais promovem em todo o país manifestações contra as drogas, pela a reforma política, e contra a corrupção, entre outros assuntos. Na cidade de Aparecida, no Dia da Independência (7), ocorrerá a maior manifestação, que será feita junto com a Romaria dos Trabalhadores.
“O formato do grito é aberto, não vai se reger apenas pela pauta principal. Vamos pulverizar as atividades”, disse Ari Alberti, coordenador nacional do Grito dos Excluídos. Nesta edição, os organizadores pretendem também levar as atividades do evento para a periferia das cidades. “Na periferia é possível construir o ato junto com as pessoas, que se sentem atraídas e se sentem protagonistas das atividades. O grito ajuda a levar formação e informação para essas pessoas”, completou.
O Grito dos Excluídos é organizado pela Pastoral Social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pela Comissão Pastora da Terra (CPT), por diversos movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab), pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo e pela Campanha Jubileu Brasil.

Vladimir Platonow
da Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) vai distribuir tablets – computadores pessoais portáteis do tipo prancheta, da espessura de um livro – a escolas públicas a partir do próximo ano. A informação foi divulgada ontem (1) pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares, na 15ª Bienal do Livro. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia.
Haddad afirmou que o edital para a compra dos equipamentos será publicado ainda este ano. “Nós estamos investindo em conteúdos digitais educacionais. O MEC investiu, só no último período, R$ 70 milhões em produção de conteúdos digitais. Temos portais importantes, como o Portal do Professor e o Portal Domínio Público. São 13 mil objetos educacionais digitais disponíveis, cobrindo quase toda a grade do ensino médio e boa parte do ensino fundamental.”
O ministro disse que o MEC está em processo de transformação. “Precisamos, agora, dar um salto, com os tablets. Mas temos que fazer isso de maneira a fortalecer a indústria, os autores, as editoras, para que não venhamos a sofrer um problema de sustentabilidade, com a questão da pirataria.”
Haddad não soube precisar o volume de tablets que será comprado pelo MEC, mas disse que estaria na casa das “centenas de milhares”. Ele destacou que a iniciativa está sendo executada em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
“O MEC, neste ano, já publica o edital de tablets, com produção local, totalmente desonerado de impostos, com aval do Ministério da Fazenda. A ordem de grandeza do MEC é de centenas de milhares. Em 2012, já haverá uma escala razoável na distribuição de tablets.”

1.9.11


Oscar Niemeyer  aos 103 anos e a lucidez na frase que ele postou: "PROJETAR BRASÍLIA PARA OS POLÍTICOS QUE VOCÊS COLOCARAM LÁ, FOI COMO CRIAR UM LINDO VASO DE FLORES PRÁ VOCÊS USAREM COMO PINICO. BRASÍLIA NUNCA DEVERIA TER SIDO PROJETADA EM FORMA DE AVIÃO E SIM DE CAMBURÃO."
By Oscar Niemeyer

Entrevista 10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)

Perfil de Dinarte Assunção - Areia Branca/RN, 22 anos, solteiro, Jornalista, Repórter do Nominuto.com. Ele fala/pensa em trabalho 24 horas por dia.


P- Quando resolveu vir morar na capital?
Dinarte Assunção - Decidi vir para Natal quando os limites do interior impediram qualquer pretensão de crescimento. Parti. Isso foi há cinco anos. 
P- Quando surgiu a ideia de você cursar Jornalismo?
Dinarte Assunção - Foi na inscrição do vestibular. Fiquei na dúvida: artes cênicas (morreria de fome) ou jornalismo (passaria fome). Escolhi jornalismo.
P- Onde você fez o curso? Recomenda o mesmo curso?
Dinarte Assunção - UFRN. Recomendo com ressalvas: faça jornalismo se for sua vocação. Descobri a minha no curso, e ainda assim cogito fazer outras coisas.
P- O que fazer para ser um Jornalista bem conceituado?
Dinarte Assunção - Não tente ser imparcial. Imparcialidade é a maior mentira que já inventaram no jornalismo. Tente ouvir o maior número possível de vozes.
P- Como é desenvolvida suas atividades no portal NoMinuto.com?
Dinarte Assunção - Diariamente leio os principais jornais nacionais e os locais, além dos diários oficiais. Vejo o que está acontecendo e vou atrás da notícia.
P- As redes sociais lhe ajudam no seu trabalho?
Dinarte Assunção -  Muito. Mas é lamentável como às vezes se apropriam delas para reproduzirem a lentidão do pensamento na velocidade da luz. Faca de dois gumes.
P- Há espaço no mercado de trabalho de Natal para mais jornalistas? 
Dinarte Assunção - Se você é bom no que faz, sempre há espaço para seu trabalho. Natal, contudo, tem a desvantagem de os jornalistas serem mal remunerados.
P- Você já passou por alguma situação inusitada quando fazia alguma reportagem?
Dinarte Assunção - Nossa, muito! Uma delas foi me trancar com vários jovens infratores no Ceduc para levar a matéria que eu queria.
P- O que é o Twitter para você?
Dinarte Assunção - Um grande puteiro no qual as opiniões se prostituem a serviço de alguém, nem que seja você próprio. 
P- Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Dinarte Assunção - Eu estou sempre trabalhando. Até quando saio é para falar sobre trabalho. Jornalista tem disso. Mas mencione um samba e jogo tudo para cima.
*Se você quer conhecer um pouco mais o Dinarte Assunção converse com ele no Twitter @DinarteAssuncao


Carolina Pimentel
da Agência Brasil
Internautas estão organizando uma marcha contra a corrupção no dia 7 de setembro, quando é comemorada a independência do país. O movimento ganhou mais adeptos depois da absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), segundo a organização do protesto.
Há duas semanas, um grupo de brasilienses lançou no Facebook, uma rede social, a ideia de fazer o protesto no Dia da Independência. Até a noite de terça-feira (30), mais de 9 mil pessoas tinham confirmado presença. Segundo um dos organizadores da manifestação, Giderclay Zeballos, as confirmações praticamente dobraram depois que a Câmara dos Deputados arquivou o processo de cassação do mandato de Jaqueline Roriz, acusada de quebra de decoro após aparecer em uma gravação de vídeo recebendo dinheiro do operador do esquema de propina no governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, quando era candidata a deputada distrital.
“Muita gente ficou indignada com a absolvição”, disse Zeballos, analista de sistema.
Na página do protesto na rede social, os organizadores afirmam que a manifestação não tem apoio de partidos, sindicatos ou empresas. E surgiu da mobilização de cidadãos comuns diante das denúncias de corrupção, como as recentes ocorridas nos ministérios dos Transportes, do Turismo e da Agricultura. “A corrupção virou uma doença no Brasil. Sentimos que temos que fazer alguma coisa”, disse Zeballos.
Segundo ele, os próprios organizadores estão arrecadando com amigos e parentes recursos para a compra de material para a manifestação, como faixas e tintas.
O grupo pede que os participantes levem spray, apitos, balões e tinta para pintar o rosto durante a marcha. “Não carregue bandeira de nenhum partido, a bandeira que devemos carregar é apenas a do Brasil, que é o nosso interesse comum”, diz texto na página do evento.
O protesto está previsto para começar às 10h do dia 7 de setembro. O local escolhido é o Museu Nacional, próximo à Esplanada dos Ministérios, onde é realizado o tradicional desfile militar.

Economista e professor universitário avalia que, na melhor hipótese, EUA voltarão a crescer normalmente só em 2013
Fonte: Estadão.com
Professor da Universidade George Washington, o economista americano William Handorf foi testemunha privilegiada do processo que, em 2008, culminou no estouro da bolha imobiliária americana. Era diretor do Federal Reserve (FED, o banco central dos Estados Unidos) entre 2001 e 2006. Na função que exercia, não votava nas decisões de política monetária (taxa de juros). Mas participava do dia a dia da instituição.
Especialista justamente em finanças do setor imobiliário, Handorf conta que, pouco antes de deixar o FED, provocou os colegas. Para ele, estava claro que a instituição falhava na supervisão do sistema financeiro. Durante uma exposição, afirmou: "Acredito que estamos entrando em uma nova fase que mostrará falhas na supervisão. Digam-me se - e por que - estou errado." Segundo ele, a reação foi de incredulidade.
Handorf avalia que a economia americana só vai recuperar a vitalidade, na melhor das hipóteses, em 2013. Até lá, afirmou, a taxa de desemprego continuará elevada (hoje está na casa dos 10%). "É uma recessão longa e severa." Ele concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo após dar palestra num evento da Fecomércio em São Paulo. Leia os principais trechos da entrevista.
Estadão: O sr. acredita que o Federal Reserve adotará mais uma rodada do chamado afrouxamento quantitativo (QE3)? Se adotar, terá efeito positivo na economia?
William Handorf: Se vão adotar ou não, é uma questão que cabe ao Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do FED. Se eles deveriam fazer ou não, minha resposta é a seguinte: a probabilidade de que funcione é muito pequena. As taxas de juros nos EUA já estão muito baixas.
Estadão: O FED acertou ao informar publicamente, em sua última reunião de política monetária, que a taxa de juros vai ficar baixa ao menos até 2013?
WH: Se eu fosse um integrante do FED com direito a voto, teria sido mais um a discordar (dos dez diretores do FED que votaram, três foram contrários). Não há dúvida de que o FED tem de manter os juros baixos, pois o mandato do BC americano não é apenas para manter a inflação baixa. Deve também dar atenção ao crescimento. É algo que faz o FED ser diferente de muitos bancos centrais. Mas, apesar disso, não se pode brincar com a inflação. É uma experiência, aliás, que vocês brasileiros conhecem bem. Leva um tempo muito longo para a inflação e as expectativas baixarem.
Estadão: Cresceu a probabilidade de uma nova recessão nos EUA?
WH: Sim. No ano passado, a probabilidade de uma recessão era de 5%. Diria que, nos últimos seis meses, essa chance cresceu para 20%. O cenário eleitoral contribuiu para essa elevação.
Estadão: Como assim?
WH: Já de olho na eleição, o Congresso e o Executivo demoraram para encontrar um acordo sobre o aumento do teto da dívida. O gatilho para esse assunto - o rebaixamento da nota de classificação de risco pela agência Standard & Poor’s - foi apenas simbólico. Mas indica, de qualquer maneira, que temos problemas no país. Goste-se ou não dessas agências, é uma opinião respeitada no mercado.
Estadão: O sr. disse, em sua apresentação, que a questão do emprego é a chave para a economia americana hoje. Por quê?
WH: Cerca de 8 milhões de americanos perderam seus empregos durante a recessão. Alguns empregos têm sido criados tanto no setor público quanto no privado, mas em quantidade insuficiente. O problema é que os EUA precisam criar entre 1 milhão e 2 milhões de empregos por ano apenas para dar conta da imigração e dos jovens que entram no mercado. Ou seja, enquanto todos esses empregos não forem criados, com salários minimamente razoáveis, será difícil imaginar uma recuperação.
Estadão: Quando o sr. imagina que o cenário para o emprego nos EUA apresentará melhora?
WH: Provavelmente não antes de 2013, talvez só em 2014. É uma recessão longa e muito severa. Não é uma recessão que se resolverá facilmente, pois há algo que continua machucando a economia: o setor imobiliário, que demanda enorme contingente de mão de obra.
Estadão: O sr. foi diretor do Fed.
WH: Fui diretor. Não votava nas decisões do Fomc.
Estadão: Trabalhou na época em que Alan Greenspan era o presidente.
WH: Sim, em parte. Fui diretor entre 2001 e 2006 (Greenspan deixou o cargo justamente em fevereiro daquele ano).
Estadão: Como avalia o trabalho dele? Naquela época, ele era uma espécie de deus do mercado.
WH: Concordo com a maneira como Greenspan comandou a política monetária, mas ele falhou na supervisão do sistema. Ele não reconheceu o alto risco dos empréstimos hipotecários. Se fosse eleger as cinco causas principais da crise, colocaria em primeiro lugar o papel do FED. Certa vez, minha mulher me viu chegar em casa chateado após uma reunião em que havia falado sobre o alto risco daqueles empréstimos e as consequências para o mercado. A percepção era de que tudo estava bem. No fim de meu período no FED, fiz uma colocação, não era um discurso formal, em que disse: "O FED tem uma longa história de falhas em política monetária e na política de supervisão. Acredito que estamos entrando em uma nova fase que mostrará falhas na supervisão. Digam-me se - e por que - estou errado."
Estadão: E qual foi a reação?
WH: Foi de incredulidade. Como um diretor do FED poderia dizer aquilo? O homem a quem fiz a pergunta ficou indignado.
Estadão: Quando os EUA voltarão a crescer de acordo com o potencial?
WH: Os EUA precisam crescer de 3% a 4% ao ano para criar os empregos necessários. Ficaria surpreso se isso acontecesse antes de um ano e meio ou dois.
Estadão: E o Brasil nesse cenário?
WH: Não gostaria de falar sobre o Brasil. Meu foco de análise são os Estados Unidos. O que se pode dizer, genericamente, é que o Brasil tem uma classe média emergente muito grande, que vai gerar demanda doméstica.

Estação Música Total

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