CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

1.1.12


A partir deste domingo (1º), as operadoras de planos de saúde terão que oferecer cobertura para mais 69 procedimentos médicos. Entre os novos serviços estão 41 cirurgias por vídeo, como a cirurgia bariátrica (de redução de estômago) e a de tratamento de refluxo gastroesofágico. Com o acréscimo, a lista passa a ter 3.132 procedimentos.
Agência Brasil

Outras novidades são a ressonância magnética para pessoas com câncer, o tratamento de doença ocular com aplicação de injeções e o uso de medicamentos especiais em casos de artrite reumatóide, além do uso de novas tecnologias para o tratamento de pacientes com câncer de colo retal com metástase.

A lista completa de procedimentos pode ser acessada no site da ANS. A agência criou um buscador em que o usuário poderá pesquisar se o procedimento que precisa fazer está coberto pelo plano de saúde.

O rol de novos serviços beneficia os usuários de planos de saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à nova legislação. De acordo com a ANS, a inclusão das novas coberturas não levará a aumentos imediatos no valor das mensalidades. O impacto financeiro das mudanças será avaliado, e caso justifique reajuste, esse só será feito em 2013.

As operadoras de planos de saúde que não cobrirem os procedimentos listados pela ANS estão sujeitas à multa de R$80 mil. Para denunciar o descumprimento de procedimentos da lista, o consumidor pode ir a um dos núcleos da ANS ou ligar para o Disque ANS, no número 0800 701 9656.

31.12.11


Entrevista 10 x 140

Foto Canindé Soares

Marígia Tertuliano – Nova Floresta/PB, casada, 2 filhos, economista, profª universitária, workaholic, gosta de ler, basquete, ciclismo pintura, política.

P- Na sua visão de economista como o RN pode se tornar um Estado desenvolvido no Nordeste?
Marígia Tertuliano – Quando os gestores municipais implantarem planejamento participativo, políticas públicas e souberem captar recursos.

P- Como profª universitária você acredita que nossas universidades estão bem preparadas para formar as futuras gerações?
Marígia Tertuliano – Sim. As universidades estão se adaptando ao novo momento. Os centros de pesquisas estão mais bem estruturados e os financiamentos ampliados.

P- O jovem quando entra na universidade chega bem preparado do ensino médio?
Marígia Tertuliano - Não. Ainda chegam testando a profissão, muitas vezes levados pela remuneração, ampliando a evasão e entrada tardia no mercado de trabalho.

P- Qual a disciplina que você ministra na universidade?
Marígia Tertuliano – Estou ligada à Escola de Gestão e ministro Fundamentos de Economia, Empreendedorismo, Gestão Estratégica e Administração Pública.

P- O que mais a estimula a ser profª universitária?
Marígia Tertuliano – A possibilidade de estar construindo e reconstruindo o conhecimento sempre. A sala de aula é um espaço riquíssimo para aprender a aprender.

P- Atualmente o que você mais estuda? Prepara alguma tese?
Marígia Tertuliano – Inicio doutorado na PUC/SP. Estudo a racionalidade da sociedade e das instituições seridoenses no controle social das PP de meio ambiente.

P- Que tipo de leitura você mais gosta?
Marígia Tertuliano – Ficção e cultura geral - aquela que me faz explorar um mundo diferente.

P- O que é o Twitter para você?
Marígia Tertuliano – O twitter é um espaço de debate e um excelente instrumento de controle e participação social.

P- Como workaholic quantas horas por dia você trabalha?
Marígia Tertuliano – Minha família e amigos já estavam reclamando. Por isso, estou administrando o tempo para reduzir as horas trabalhadas, mas atualmente, 14h.

P- Qual o tempo que você tem para sua família, para o esporte, para a pintura?
Marígia Tertuliano - À família todos os momentos que solidifique nossa união. Aprendi que qualidade é fundamental. Para o esporte e lazer, os finais de semana.

*Se você quer conhecer um pouco mais a Marígia converse com ela no Twitter @marigiamadje


Pesquisadores da Empresa Brasileira Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram uma bebida instantânea a partir de café solúvel, extrato de soja e açúcar para pessoas com alergia à proteína do leite ou intolerância à lactose. A tecnologia, fruto de pesquisa da unidade Embrapa Agroindústria de Alimentos, faz parte do projeto Incubação de Agroindústrias, pelo qual empreendedores podem candidatar-se em desenvolver tecnologias como negócio.
Agência Brasil

De acordo com Ilana Felberg, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos e líder da pesquisa que resultou no produto alternativo, foram 18 formulações  e nove meses de armazenamento até chegar à bebida instantânea à base de soja, que vem preencher uma lacuna no mercado brasileiro. “A ideia era ter mais uma alternativa no mercado que atendesse às questões funcional e nutritiva e que pudesse ser adotada por pessoas que apresentassem alergia às proteínas do leite ou intolerância à lactose ou que não consumissem leite por opção, que são os vegetarianos”, disse a doutora em ciência de alimentos à Agência Brasil.

“Ela [bebida] não foi feita especificamente para um grupo, mas atende a um grupo que tem algum problema em consumir produtos lácteos”, esclareceu. O produto, no entanto, não é recomendado a diabéticos, uma vez que a bebida possui açúcar na sua composição. Pessoas com problemas de gastrite ou que tenham insônia também devem evitar a bebida, segundo Ilana.

Para a pesquisadora, é possível que empreendedores que vierem a se inscrever no projeto Incubação de Agroindústrias se interessem em desenvolver alternativas do produto sem açúcar. No estudo, até chegar à bebida à base de soja, verificou-se também se os compostos presentes na soja e no café tinham algum impacto negativo no sabor quando colocados juntos.

A bebida mista contém compostos bioativos, como isoflavonas de soja, que vêm sendo relacionados a benefícios em relação a doenças como câncer, osteoporose e sintomas da menopausa, e também ácidos clorogênicos do café, que apresentam capacidade antioxidante, ou seja, antienvelhecimento.

O edital do projeto Incubação de Agroindústrias está com inscrições abertas até o dia 15 de janeiro.


Para escapar da picada do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, muitos recorrem a receitas caseiras que circulam na internet ou até dicas de amigos. Mas, cuidado: especialistas alertam que não há comprovação de eficácia sobre os tratamentos alternativos.
Agência Brasil

Comer alho, cebola, inhame, tomar vitamina C, chá de cravo da índia ou acender vela de andiroba são algumas das receitas populares. Mas nada disso impede uma pessoa de ser alvo da picada do mosquito, afirmam pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No caso dos alimentos, por exemplo, a pessoa teria de consumir grandes quantidades para liberar o cheiro das substâncias no suor e desviar a atenção do mosquito, explicam os pesquisadores.

Outra recomendação é passar repelente na pele. Segundo o epidemiologista e diretor do Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edimilson Migowski, alguns produtos conseguem afastar o mosquito. Porém, o professor alerta que os repelentes agem, em média, por três horas e não podem ser passados no corpo a todo tempo.

“Durante uma parte do dia, você vai ficar descoberto”, diz. O mosquito tem hábitos diurnos e prefere alimentar-se no amanhecer ou ao entardecer. Pode picar as pessoas também no período da noite.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, também não indica as receitas caseiras. “Não tem eficácia comprovada e faz com que as pessoas não adotem as medidas eficazes.”

Jarbas Barbosa destaca a adoção de hábitos dentro de casa para acabar com os criadouros do mosquito. Entre eles, tampar a caixa d`água, desentupir as calhas, tirar a água das bandejas do ar condicionado e dos pratinhos dos vasos de planta e colocar tela em privadas e ralos pouco usados – que acumulam água parada, locais preferidos do mosquito para depositar os ovos.

Fazer essa vistoria em casa e no escritório pelo menos uma vez por semana é o suficiente, informou o secretário. Do ovo até a fase adulta, o ciclo de vida do Aedes aegypti leva de 7 a 10 dias.

“Quando você joga fora a água parada elimina de 60 a 100 larvas do mosquito. Nenhuma outra medida vai evitar [o surgimento] de tantos mosquitos de uma única vez”, acrescentou o professor Edimilson Migowski.

Um levantamento divulgado pelo ministério mostra que 48 municípios apresentam risco de surto de dengue neste verão. Em cada cidade, as equipes de saúde encontraram larvas do mosquito em mais de 3,9% dos imóveis visitados, taxa considerada preocupante.

A proliferação do mosquito da dengue aumenta no verão devido à alta temperatura e às chuvas que aumentam o número de locais com água parada e facilitam o depósito de ovos do inseto.


A partir do dia 1º de janeiro, a Administração Pública está proibida de realizar a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios aos cidadãos. A proibição de atuação da administração está prevista na Lei das Eleições que estabelece as condutas vedadas aos agentes públicos durante o período eleitoral.
Portal Vermelho, com informações do TSE

Por lei, a distribuição gratuita de bens, valores e benefícios aos cidadãos em ano eleitoral só é permitida excepcionalmente em casos de calamidade pública ou de estado de emergência. Outra exceção prevista é quando os programas sociais em andamento forem autorizados por lei e integrarem o orçamento do exercício anterior. Nesses casos, o Ministério Público Eleitoral poderá acompanhar sua execução administrativa e financeira.

Também a partir deste domingo, estão proibidos programas sociais executados por entidade nominalmente vinculada a eventual candidato em 2012 ou por esse mantida. A proibição vigora ainda que os programas tenham sido autorizados por lei ou façam parte do orçamento do exercício anterior.

A legislação eleitoral para as Eleições 2012 proíbe a realização de publicidade institucional entre o dia sete de julho e o dia da votação, exceto em casos de grave e urgente necessidade pública, autorizados pela Justiça Eleitoral. Mesmo antes desta data, a Administração deve respeitar alguns parâmetros para realizar propaganda dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos ou das respectivas entidades da Administração indireta.

Entre os dias 1º de janeiro e seis de julho de 2012, as despesas com publicidade não podem exceder a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição, prevalecendo o que for menor.

30.12.11


Entrevista 10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)

Perfil de Kallyna Kelly - Natal/RN, casada. Jornalista, editora do Blog www.kallynakelly.com.br. Projeto de vida dela: Jornalismo e Família.

P- Como surgiu a idéia de ser Jornalista? Sempre foi seu sonho?
Kallyna Kelly - Descobri a vocação na adolescência. Cheguei até a fazer um teste vocacional que apontava três caminhos. Um deles foi o jornalismo.

P- Em que momento decidiu lançar o seu blog www.kallyankelly.com.br?
Kallyna Kelly - Logo que me formei me envolvi com o serviço público, daí não lançei de imediato o blog. Somente em 2009 pude abraçar plenamente minha profissão.

P- O seu blog trata exclusivamente de política. De onde surgiu seu interesse pela política?
Kallyna Kelly - Tá no sangue. Cresci ouvindo, respirando e transpirando política através do meu pai, que até hoje não conseguiu se afastar dela. Meu interesse é nato.

P- Como você avalia a atual gestão municipal de Natal?
Kallyna Kelly - Um vexame administrativo. Que Micarla não entende de gestão pública eu já sabia, mas não se cercar dos bons é imperdoável. Deu no que deu.

P- Qual a sua opinião sobre a sucessão municipal de Natal em 2012?
Kallyna Kelly - Agora eu vejo todos contra Micarla. Todos os natalenses. Ela tá fora, ao passo que o povo demonstra querer o retorno do ex-prefeito Carlos Eduardo.

P- Como tem sido o seu relacionamento com os envolvidos das postagens do seu blog?
Kallyna Kelly - Quando se trata do secretariado municipal hostilidade é a palavra, com raras exceções como Jean Valério, Cláudio Porpino e João Bastos.

P- Algumas postagens do seu blog resultaram em investigações posteriores. Quais os de maiores destaques?
Kallyna Kelly - A denúncia do contrato do ITCI, trazendo informações inéditas; e a denúncia envolvendo a esposa do senador Paulo Davim na locação de um imóvel à SEMTAS.

P- Você se sente satisfeita profissionalmente ou tem outros projetos futuros?
Kallyna Kelly - Eu me sinto plenamente satisfeita. Projetos de vida só tenho dois: o jornalismo e minha família.

P- O que é o Twitter para você?
Kallyna Kelly - Um palanque virtual e democrático, por vezes anárquico. Um espaço onde falamos com autoridades sem marcar audiência. Bem utilizado, é perfeito.

P- Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Kallyna Kelly - Estar com a família. Não abro mão da companhia do meu marido e meus dois filhos, bem como dos meus pais, que são o meu norte.

*Se você quer conhecer um pouco mais a Kallyna Kelly converse com ela no Twitter @kallynakelly


A eleição presidencial de 2010, vencida pela petista Dilma Rousseff, começa a ganhar os primeiros relatos históricos. Um dos lançamentos editoriais sobre a campanha política, o livro "Crime de imprensa" (Plena Editorial), de Palmério Dória e Mylton Severiano, analisa o comportamento dos grandes grupos midiáticos durante a sucessão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte: Terra Magazine

Repórteres veteranos, Palmério e Severiano (o Myltainho) atuaram na imprensa alternativa e também em grupos como "Estado de S. Paulo", "Folha de S.Paulo", "Realidade", "Rede Globo" e "TV Record". No livro, provocantemente "prefaciado" pelo escritor Lima Barreto, os autores sustentam que a mídia nacional assumiu as bandeiras de partido político e apoiou a candidatura de José Serra (PSDB).


- A Dilma enfrentou, durante a campanha, uma espécie de túnel de trem fantasma. A cada curva, havia uma cilada, um sobressalto, uma chamada "bala de prata". Hoje a imprensa continua assim, apesar de ela ser uma das três mulheres mais poderosas do planeta - afirma Palmério Dória, autor do best-seller "Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na Era Sarney" (Geração Editorial), em entrevista a "Terra Magazine".

Craque da reportagem e frasista veloz, sempre a denunciar uma rica formação literária, Palmério Dória recorre ao humor - essa escopeta às vezes subestimada - para confrontar os velhos fantasmas da Nova República. O livro sobre o senador José Sarney, que frequentou por meses as listas dos mais vendidos, iniciou uma trilogia da vida política brasileira. A internet, pondera o jornalista, ajudou a balançar o previsível coreto.


- A Globo chegava a dominar 100% da audiência, nos anos 70 e 80. Ainda outro dia, a Globo dominava. Isso mudou. (...) Agora tem a força da blogosfera, que, de repente, se articula numa espécie de cadeia da legalidade, para citar o episódio do Brizola (em 1961)... Mas também tem os dois lados. Pode ser a internet do bem e do mal. A internet do mal provocou aquela peste emocional que levou a eleição para o segundo turno, trazendo questões como o aborto, questões que eu achava que já tinham desaparecido - lamenta Palmério.

Confira a entrevista.

Terra Magazine - Você pôs um trecho de "Recordações do Escrivão Isaías Caminha", de Lima Barreto, como prefácio de "Crime de imprensa". Ele tinha uma visão bem ácida do jornalismo. De lá pra cá, a coisa tem piorado?

Palmério Dória - A situação é praticamente a mesma. Porque ele verifica as famílias e constata que o domínio dos "Grandes Irmãos" já prevalecia. Isso piorou porque há uma concentração maior do poder da mídia. A Globo chegava a dominar 100% da audiência, nos anos 70 e 80. Ainda outro dia, a Globo dominava. Isso mudou. Existe uma abertura maior. Agora tem a força da blogosfer a, que, de repente, se articula numa espécie de cadeia da legalidade, para citar o episódio do Brizola (em 1961). Isso melhorou. Mas também tem os dois lados. Pode ser a internet do bem e do mal. A internet do mal provocou aquela peste emocional que levou a eleição para o segundo turno, trazendo questões como o aborto, questões que eu achava que já tinham desaparecido.

Terra Magazine - No livro, vocês sustentam que os principais grupos de comunicações do País apoiaram a candidatura de José Serra e se comportaram com parcialidade nas eleições. Essa postura tem se refletido na cobertura do governo Dilma ou houve uma mudança?

Palmério Dória - Essa postura não mudou. A Dilma enfrentou, durante a campanha, uma espécie de túnel de trem fantasma. A cada curva, havia uma cilada, um sobressalto, uma chamada "bala de prata". Hoje a imprensa continua assim, apesar de ela ser uma das três mulheres mais poderosas do planeta. Pra mim, é a segunda mais poderosa, porque Hillary Clinton (secretária de Estado dos EUA ) é uma empregada. Apesar de ser presidente do maior país do hemisfério sul, Dilma é tratada como uma qualquer. A imprensa vai engolir. De maneira geral, não mudou a atitude. Ela não era um poste, não era e não é uma laranja, ela segurou a base política, a fisiologia, e de uma maneira geral os números estão comprovando que ela caiu até no gosto popular. Agora, descaradamente, só o "Estadão" assumiu que apoiava o Serra, através de um editoral. Os outros, não. A "Folha" gosta de parecer isenta, coisa que ela não é. Essa pluralidade é tão artificial quanto perna de pau.

Terra Magazine - Mas até que ponto assumir um candidato é positivo? Isso não pode influenciar, negativamente, o leitor ou o telespectador?

Palmério Dória - É positivo, sim. A Carta Capital também assumiu. É tocada por um grande jornalista (Mino Carta), que foi diretor da revista Quatro Rodas, da Veja, e que já foi um dos mais poderosos editores da imprensa. Não se pode dizer que a revista é pequena imprensa. A imprensa americana, que é nosso padrão, assume os candidatos. Isso é muito bom. O problema é dividir a n otícia do editorial.

Terra Magazine - Discute-se muito o "silenciamento" da chamada grande mídia sobre temas que, em tese, desagradariam os grupos partidários com que os jornais e televisões mais simpatizam. Isso teria ocorrido, neste mês, com o livro "A privataria tucana". Para não cair numa teoria conspiratória, você acha que essas omissões ocorrem de forma inercial ou vertical, como uma determinação?

Palmério Dória - Esses "grandes irmãos" parecem que combinam entre si. É inexplicável. No caso do livro, o timing foi o mesmo. Eles mantiveram o silêncio total, que durou uma semana. É pendular. Eles saíram juntos do silêncio total: a imprensa e o partido atingido (o PSDB). E agora partiram para o berro, esquecendo que bom tucano não berra. Se eu fosse pauteiro de um jornal, e j á fui, veria que saiu a Carta Capital (com capa sobre o livro de Amaury Ribeiro Jr.), falando de corrupções numa escala de bilhões. Sendo pauteiro, é natural que você diga: pega um repórter para apurar isso. Mas, não. Todo o exército da grande imprensa estava dedicado a perseguir (Fernando) Pimentel, o amigo da Dilma. Não estou discutindo a corrupção, a escala da grana, nem o caso do Pimentel. Mas o exército todo estava caçando Pimentel. São essas contradições que mostram que não há isenção. Há um acordo tácito.

Terra Magazine - Os repórteres não podem ousar mais? Não ocorre também aqueles casos em que os repórteres imaginam o que o patrão gostaria que eles fizessem?

Palmério Dória - Acredite, mas eu já fui moleque e até jovem repórter. Havia nas redações os repórteres que faziam o trabalho sujo. Nós até agradecíamos. O "Estadão" tinha seus homens que faziam esse trabalho, "vamos pegar fulano de tal", de interesse da empresa. A gente sabia quem fazia isso claramente. Hoje, pegam esses meninos "trainees" pra fazer capa da "Veja" demonizando o MST. Bem jovens, e já estão mandando brasa, mora. Trabalhei na imprensa alternativa e sei que nós éramos bois de piranha, fazíamos as matérias que a grande imprensa não poderia publicar, como a matéria do "EX" sobre a morte do Vlado (Herzog). Depois essa matéria, Ricardo Kotscho ampliou os limites da liberdade de imprensa, coordenando uma matéria sobre a mordomia (publicada em "O Estado de São Paulo"). Ele me disse: "Porra, aquela matéria do EX ampliou os nossos limites". Tanto que as duas disputaram o Prêmio Esso. Vendeu a da mordomia, mas ficamos com os votos de Castelinho (Carlos Castelo Branco) e de Cláudio Abramo. Cada repórter vai conquistando sua margem de liberdade. Mas, cada vez menos os repórteres dizem: "não, isso eu não faço".

Terra Magazine - Você falou rapidamente, no início da conversa, sobre a presença política da internet. De que forma ela alterou o debate público?

Palmério Dória - No livro, citamos o editor do "The Guardian". Ele falou que, hoje em dia, temos uma gráfica em casa. Quando há temas muito complexos, até para os padrões ingleses (poderes podres ou grandes poderes), ele vai jogando pitadas no Twitter dele. Isso num grande jornal, com um grande editor... Desde Gutenberg não vejo nada tão espetacular. Não dá ainda para medir. O buraco é muito embaixo.


CINEMA – Por Carlos Emerenciano*

Se o caro leitor imagina que o western se resume a troca de tiros entre mocinhos e bandidos, deveria assistir a alguns clássicos do gênero. Na verdade, muitos desses filmes constituem produções cuidadosamente elaboradas (algumas obras-primas), dirigidas por diretores consagrados (John Ford, Fred Zinnemann, George Stevens, Willian Wyler, Howard Hawks, Anthony Mann, entre outros) e estreladas por ícones da telona (John Wayne, James Stewart, Gary Cooper, Henry Fonda e Gregory Peck, para citar apenas alguns). O que seduziu esses artistas de talento a se voltar para o faroeste, além de prestar a devida homenagem aos desbravadores do território americano, foi a possibilidade de desenvolver a arte de filmar em ambientes vastos, com paisagens deslumbrantes, o que ensejou, entre outras coisas, fotografias magníficas.

A grande dificuldade, caro leitor, é a de escolher, entre tantos filmes excelentes, obras que sintetizem esse gênero tão popular não apenas nos Estados Unidos. Nós brasileiros, grandes consumidores dos westerns, chegamos até a incorporar, no nosso dia-a-dia, alguns termos extraídos dessas películas. Quem, por exemplo, nunca ouviu alguém pedir um uísque cowboy (sem gelo), à moda daqueles homens que povoaram o vasto oeste dos Estados Unidos? Como são muitas obras relevantes, vou me restringir neste artigo às dirigidas por John Ford.

A primeira delas, um clássico cultuado, homenageado e imitado ao longo dos anos: “No tempo das diligências” (Stagecoach, 1939). Inspirado no conto “Bola de sebo” de Guy de Maupassant, o filme representa um marco na história do western e, por que não dizer, da arte cinematográfica. Narra uma viagem de diligência pelo interior do Arizona. Ao longo da aventura, nove viajantes são obrigados a se relacionar, compartilhar os seus medos e os inevitáveis conflitos aparecem. Cenas clássicas de perseguição e tiroteio compõem esse filme em preto e branco. John Wayne, que se transformou, anos depois, em figura emblemática do cinema, aparece em seu primeiro papel de relevo (Ringo Kid), um pistoleiro fugitivo da cadeia.

Destaco, ainda, “Rastros de ódio” (The searchers, 1956) e “O homem que matou o facínora” (The man shot Libert Valance, 1962). Em “Rastros de ódio”, John Wayne (Ethan Edwards) vive um homem obcecado por vingança e que revela um terrível racismo contra os índios. Nessa grande obra, o Capitão Ethan Edwards sai em busca de sua sobrinha Debbie Edwards (Natalie Wood), capturada por indígenas. Um dos grandes temores do Capitão, além do medo não encontrar a sua sobrinha com vida, é a passagem do tempo e o seu poder de transformação. Após longo tempo de convivência com os índios (a busca de Ethan leva anos), qual seria a Debbie que aquele personagem torturado e amargurado iria encontrar? Quem imagina ter sido Wayne um ator menor, mudará completamente o seu (pré) conceito ao vê-lo na pele desse anti-herói.

Em “O homem que matou o facínora”, o Senador Ransom Stoddard (James Stewart) volta, em companhia de sua esposa, à pequena Shinbone. Motivo: o sepultamento de Tom Doniphon (John Wayne). Curioso pela presença do ilustre homem público no velório de alguém desconhecido, um jornalista vai ao encontro daquele em busca de uma boa história. O Senador conta então a sua relação com a pequena cidade e, mais particularmente, com o personagem de Wayne.

“Quando a lenda supera o fato, publique-se a lenda”. Ainda que não goste de cinema ou abomine filmes de faroeste, o caro leitor já deve ter lido ou ouvido essa frase. Foi o que o curioso jornalista pronunciou ao ouvir a verdade sobre o homem que matou o facínora. Ela revela, a meu ver, a essência não só do cinema, mas das artes. Ora, caro leitor, não se pode esperar de uma obra de ficção fidedignidade histórica ou compromisso integral com os fatos ocorridos (se quiser assistir à vida real, acompanhe o Big-Brother). Alguns autores identificam-na como uma ilusão criadora que, por suas beleza e verossimilhança, tem força de realidade. É exatamente o que os filmes do genial John Ford apresentam.

*Carlos Emerenciano - Apreciador de um bom filme, dividirá com os leitores suas impressões sobre cinema às sextas-feiras.
Twitter: @cemerenciano
e-mail: aemerenciano@gmail.com


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