CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

2.1.12


O servidor público que recebe pagamento em conta-salário poderá, a partir de hoje (2), pedir a transferência automática do dinheiro para o banco que escolher. Esses trabalhadores foram os últimos a ter acesso ao benefício, uma vez que os da iniciativa privada têm esse direito desde 2009.
Agência Brasil

Com o prazo maior para a entrada em vigor do benefício ao funcionalismo público, os estados e municípios puderam oferecer por mais tempo o atrativo dos pagamentos aos servidores na hora de leiloar as folhas às instituições financeiras.

De acordo com as regras estabelecidas pelo governo, para transferir o salário para outra conta diferente da aberta pelo empregador, é preciso que a indicação seja feita por escrito à instituição financeira. O banco é obrigado a aceitar a ordem no prazo de até cinco dias úteis e os recursos devem ser  transferidos para o banco escolhido pelo empregado no mesmo dia do crédito do salário, até as 12h.

A conta-salário é diferente da conta-corrente por ser destinada ao pagamento de salários, aposentadorias e pensões e por se tratar de um contrato firmado entre a instituição financeira e a empresa empregadora e não entre o banco e o empregado. Na conta-salário, o cliente não tem direito a talão de cheques e não pode receber outros depósitos além do salário. No site do Banco Central (BC), há uma série de perguntas e respostas sobre a conta-salário.

A instituição que processa o maior número de folhas de pagamento de servidores públicos no país é o Banco do Brasil (BB). Segundo o diretor de Clientes Pessoa Física do BB, Sérgio Nazaré, são  1,516 milhão de servidores federais, o que representa 71% dos pagamentos a esses trabalhadores. No caso dos servidores estaduais, são 3,104 milhões (59%), e dos municipais, o número chega a 2,058 milhões  (27%).

De acordo com o Ministério do Planejamento, os servidores públicos federais sempre puderam escolher o banco onde querem receber o salário. A maior concentração de pagamentos está no BB, com 76,41% - cerca de R$ 4,9 bilhões - do total de pagamentos a servidores ativos e aposentados feitos em outubro deste ano. Em seguida vêm a Caixa, com 12,65% (R$ 825 milhões), o Banco de Brasília (BRB) – 4,01% ou R$ 261,5 milhões), o Itaú (2,79% - R$ 182,3 milhões) e o Bradesco (1,31% - R$ 85,8 milhões). Além dessas cinco, outras instituições financeiras também fazem os pagamentos mas, segundo o ministério, formam um percentual pequeno na preferência dos servidores.


NOVA YORK (O Globo) - A embaixadora do Brasil junto à ONU, Maria Luiza Viotti, acaba de passar o bastão no Conselho de Segurança, onde o país encerrou neste domingo sua participação de dois anos. O Brasil luta por uma vaga permanente, mas enquanto a reforma do conselho não vem, aposta suas fichas na coordenação com Índia e África do Sul (com os quais integra o grupo Ibas) que continuam no órgão.

Embaixadora do Brasil na ONU - Foto Divulgação

O GLOBO: Quais os desafios do Brasil para continuar a ocupar espaço na ONU e no cenário internacional, mesmo sem a vaga no Conselho de Segurança?

MARIA LUIZA VIOTTI: Sempre fomos um país que trouxe contribuições à ONU. Embora ainda tenhamos nossos problemas, fomos capazes de trazer experiências bem-sucedidas, que foram acolhidas pela ONU e replicadas em outros contextos. O Brasil é um país democrático, que tem podido promover o desenvolvimento com inclusão social, criando uma classe média robusta e tendo um novo perfil internacional. Um país que construiu uma liderança regional e internacional com soft power, como lembrou o embaixador (dos EUA no Brasil) Tom Shannon, sem armas de destruição em massa.

Mas este novo perfil incomoda alguns dos antigos aliados, como países europeus e os EUA, não?

VIOTTI: É verdade, e isso é porque nós temos exercido liderança com uma característica muito própria, com um perfil independente. E isso, de certa maneira, incomoda. Há uma expectativa de países como os EUA, a França e o Reino Unido, que se referem ao Brasil como uma grande democracia, que perguntam ao Brasil, à Índia e à África do Sul, três grandes democracias, por que nós não estamos com eles em questões de direitos humanos. Há uma certa dificuldade, da parte deles, de entender que o Brasil não necessariamente se alia a determinadas posições. Por exemplo, acho que ficou muito claro no caso da Síria, em que o Conselho de Segurança estava extremamente polarizado (de um lado, os europeus e os EUA; do outro, China e Rússia), que havia uma expectativa de que o Brasil reforçasse o lado europeu. Assim como a China e a Rússia esperavam que nós fôssemos mais para a linha que eles estavam defendendo. E nós nos mantivemos numa posição diferenciada, dizendo que era importante que o Conselho se manifestasse, que somos contra violações de direitos humanos. Mas achamos que é preciso uma solução negociada. Então, foi uma articulação de uma posição intermediária, porque os países desenvolvidos têm uma única receita para a soluções de conflitos: sanções. Eles tomam em geral uma posição muito açodada. No caso da Síria, foi essa articulação que permitiu ao Conselho adotar um consenso pela primeira vez, na declaração presidencial de agosto. E isso só foi possível porque o Brasil, a Índia e a África do Sul já tinham se articulado previamente na plataforma Ibas.

Essa coordenação do Ibas pode continuar em 2012, mesmo o Brasil não estando mais no Conselho?

VIOTTI: Acho que ela tende a continuar, porque o Ibas se reúne periodicamente, há mecanismos regulares de articulação política. Não sei se continuará no Conselho, isso vai ficar mais difícil com a saída do Brasil, mas eles vão continuar a nos ouvir.

O que faz a liga entre esses países, o que une a visão de mundo, em política externa, de Brasil, índia e África do Sul?

VIOTTI: O Brasil tem mostrado uma preferência, que coincide com a visão indiana e sul-africana, por soluções negociadas e diplomáticas para os conflitos. Isso foi um dos temas centrais da nossa atuação no Conselho. Valorizar também a contribuição das organizações regionais, como a Liga Africana. Outro elemento que nos une é pensar a solução de conflitos de forma integrada, que leve em conta não apenas a dimensão estrita de segurança e soluções militares, mas também a ideia de promoção de desenvolvimento, criação de empregos, melhoria da qualidade de vida das populações. A experiência que tivemos no Haiti dá um conteúdo mais concreto a esse nosso discurso. As missões de paz da ONU geram um espaço de estabilidade, mas esse espaço não se sustenta se não houver uma série de ações que fortaleçam as instituições do país.

Mas, voltando ao caso da Síria, o Brasil foi criticado por permitir ao governo Assad ganhar tempo. Como foram as pressões dentro do Conselho?

VIOTTI: Há um ponto de convergência dentro do Conselho em relação à Síria, que é o fato de que não se antevê a possibilidade de uma intervenção de fora. O encaminhamento de uma solução só pode se dar por via negociada, pacífica. As divergências passam a se manifestar quando se discute quais as ações que devem ser tomadas para encorajar essa solução. Existe essa polarização que eu mencionava, com os europeus e americanos acreditando em sanções para punir e isolar.

E já desde o caso do Irã o Brasil vinha se manifestando contra sanções, não? O caso do Irã, com a tentativa de negociação de um acordo que incluiu a Turquia, foi um marco da política externa brasileira?

VIOTTI: Acho que foi um marco, porque foi uma expressão desse primado das negociações e do engajamento. O que o Brasil e a Turquia queriam era criar um ambiente de confiança política que levasse ao diálogo. Mas naquele momento prevaleceu a lógica de sanções, que enrijeceu posições, que fez com que as divergências se aprofundassem. Foi uma oportunidade que se perdeu, de tentar alguma coisa diferente, mas foi marcante.

A composição do Conselho de Segurança que teve os países do Ibas foi considerada por analistas uma das mais interessantes dos últimos anos.

VIOTTI: Os países "grandes" reagiram primeiro de uma forma a mostrar desagrado com as posições do Brasil, da índia e da África do Sul. Mas, num segundo momento, eles procuraram entender porque estamos agindo assim, e houve um momento em que os embaixadores de França e Reino Unido nos convidaram para almoçar. Foi uma conversa interessantíssima, porque foi uma troca de recriminações. Eles queriam só o nosso voto, um alinhamento perfeito, e não nos ouviam. A partir desse almoço, no meio do ano, houve uma dinâmica diferente, eles começaram a fazer um esforço maior para incorporar nossas posições nas resoluções deles. Por outro lado, nós começamos a explicitar mais os elementos comuns que há nas nossas posições, como a preocupação com a defesa dos direitos humanos, com a proteção de civis. Houve um diálogo melhor, uma compreensão melhor. Ao mesmo tempo, Rússia e China passaram a valorizar as posições Brics. Criou-se uma situação em que, quando o Conselho estava muito polarizado, os dois lados procuravam conquistar o apoio dos países do Ibas. Isso realçou a dimensão de independência desses países.

Isso favorece a perspectiva de reforma do Conselho?

VIOTTI: Se você considerar que a reforma do Conselho depende do voto de dois terços dos votos da Assembleia Geral, o efeito foi muito positivo. A grande maioria dos países em desenvolvimento se sente representada nessas posições que o Brasil, a Índia e a África do Sul assumem. Tivemos retorno muito forte disso. Sem falsa modéstia, acho que o Brasil teve um papel muito importante de aproximar posições..

Com a mudança de governo, o que mudou na política externa brasileira e na forma como ela é vista aqui?

VIOTTI: Em relação à nossa atuação no Conselho, os grandes princípios, as linhas gerais, permanecem. Houve mudança de avaliação em um caso ou em outro. E a presidente tem procurado imprimir sua visão pessoal, tem se interessado pelos temas. Continuar não é repetir. Há, da parte da presidente, uma preocupação grande em relação a direitos humanos. Não que ela não existisse antes, mas uma preocupação em deixar mais claro isso.


A violência, as falhas no sistema de saúde e a corrupção, na opinião dos brasileiros, são os três maiores problemas do país atualmente, segundo revelou uma pesquisa divulgada no fim de dezembro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Cerca de 3,7 mil pessoas foram entrevistadas. A segurança foi apontada por 23% das pessoas ouvidas como o maior problema. Depois veio a saúde, com 22,3%, e a corrupção, 13,7%. Na lista aparecem ainda o desemprego (12,4%), a educação (8%), a pobreza (6,1%) e as desigualdades (5,8%).
Agência Brasil

O professor Gustavo Venturi, do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo (USP), chama atenção para o fato da lista das prioridades nacionais se reciclar periodicamente. “Se nós voltarmos às eleições de 2002, por exemplo, o desemprego era o tema principal das campanhas presidenciais e disputava com a segurança. Hoje, há uma mudança em função do aquecimento da economia e da formalização do emprego que coloca o problema mais para trás na fila”, disse.

Mas a percepção da população sobre quais são os problemas mais graves do país variam muito de acordo com a idade, renda e região. Os sulistas são os mais preocupados com a corrupção. No Norte e no Nordeste, a violência é apontada como o problema mais grave. No Sudeste e no Centro-Oeste, a saúde aparece no topo da lista dos maiores problemas. Também há diferenças na opinião de ricos e pobres sobre quais são as questões mais urgentes. Nas famílias com renda per capita mensal até um quarto de um salário mínimo, 23,7% avaliam que o acesso à saúde é o problema mais grave, seguido pela violência (22,6%) e o desemprego (18,4%).

“A saúde está um caos, falta investimento e mais gente trabalhando. Eu, graças a Deus, não preciso muito usar a rede pública porque Deus me dá saúde”, declarou Francisco das Chagas, 46 anos, ambulante. Cícera Gomes, 31 anos, está desemprega. Moradora do entorno de Brasília, ela acha que a falta de saneamento básico é um problema grave. “Eu moro em Luziânia e a estrutura é péssima, estou lá há 12 anos e nada foi feito. E ainda tem a violência. A gente não está seguro em lugar nenhum. Temos que cobrar do governo poque a gente paga nossos impostos e o mínimo que eles têm que fazer é cumprirem o que prometem”, disse.

Já entre as pessoas cuja renda familiar per capita é superior a cinco salários mínimos, 27,8% concordam que o problema mais grave é a corrupção, 26% acham que é a saúde e 17,7% acreditam que é a violência. Apenas 1,7% dos mais ricos acham que a falta de emprego é um problema importante no Brasil. “Os principais problemas são a saúde e a educação. Acho que se acabasse com a corrupção melhoraria e muito também outras áreas. Porque as verbas são desviadas e aí os professores não são valorizados, nem os profissionais de saúde”, declarou a enfermeira Rita de Cássia, 48 anos.

Venturi explicou que cada grupo tende a avaliar a situação a partir de sua própria realidade, e existe uma diferença de “agenda” entre as camadas da população. “A vida das pessoas mudou em termos objetivos nos últimos anos. Nós tivemos milhões de pessoas que ascenderam socialmente e essa mudança na condição de vida delas soa muito mais alto do que qualquer discussão mais subjetiva, como a da corrupção. As camadas de maior renda, precisando menos de um Estado forte e atuante, vão ser mais sensíveis a essa discussão”, avalia o sociólogo.

No grupo com renda mais alta, 16,8% acham que a educação é um problema importante, enquanto entre os mais pobres apenas 5,9% concordam com a assertiva. A diferença é que o primeiro grupo tende a analisar a questão da educação pelo ponto de vista do acesso, enquanto o outro considera de forma mais crítica o fator da qualidade. “As camadas populares antes não tinham acesso à educação, por isso tem um grau de exigência menor. São pais que não tiveram acesso à escola e agora veem que o ensino superior está no horizonte dos seus filhos. Por outro lado, a conclusão dos estudos em diferentes níveis não é suficiente para garantir colocação no mercado diante de uma economia aquecida. A discussão da qualidade da educação sensibiliza mais as camadas mais altas”, aponta Venturi.

De acordo com o estudo do Ipea, a população mais jovem é a que mais se preocupa com a questão do desemprego, da educação e das desigualdades sociais. Já para os adultos, o maior problema é a saúde. Os idosos são aqueles que mais se importam com a violência e a corrupção. “O governo tem que ouvir mais a população para saber quais são os principais problemas que a gente enfrenta. Um governo que não ouve a população não pode saber o que ela passa”, defende a estudante Juliana Amorim, 26 anos.

FÓRMULA 1 – Por @Adrianogomes_

Nesse período de recesso do calendário da Formula 1, vamos relembrar grandes momentos do nosso maior ídolo esportivo das últimas décadas, façanhas que fizeram de Ayrton Senna um grande mito do esporte a motor, referência de todos os grandes pilotos da atual geração, como Lewis Hamilton, Michael, Schumacher e Sebastian Vettel, que viram pela TV as performances inimagináveis do piloto brasileiro nas manhãs de domingo.

O Primeiro ato de nossa retrospectiva é a estréia de Ayrton Senna em Mônaco no longínquo ano de 1984, pilotando uma Toleman, carro de uma escuderia que deveria ocupar últimas colocações do grid. Numa corrida sob chuva, competindo com pilotos da categoria de Alain Prost, Nélson Piquet, Nikki Lauda, Nigel Mansell e Keke Rosberg, o nosso piloto, largou em 13º e lançou-se ao ataque desde o princípio da disputa, ultrapassando todos os contendores, foi parado infelizmente pelo diretor de prova Jackie Ickzx, ex-piloto belga, que numa atitude até hoje contestada, encerrou a corrida na volta 32 sob alegação de não haver condições de segurança para continuar a prova, dando Alain Prost como vencedor com Ayrton Senna em segundo (todos, do 1º ao 6º colocado, com metade da pontuação por ainda não terem sido cumpridos 75% do total da prova).

O GP de Mônaco de Formula 1 de 1984 entrou para a história como um dos grandes momentos do nosso inesquecível piloto e da história da Formula 1.
Veja esses momentos sensacionais no vídeo a seguir:





Depois de baterem recorde em 2010, os investimentos federais fecharam 2011 com queda. Esses gastos, que incluem as obras públicas e a compra de equipamentos pelo governo, atingiram R$ 44,418 bilhões em 2011, queda de 5,7% em relação aos R$ 47,106 bilhões investidos no ano anterior.
Agência Brasil

Os valores foram obtidos por meio da soma de dados divulgados pelo Tesouro Nacional referentes aos meses de janeiro a novembro com os gastos de dezembro que constam no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). O Tesouro só apresentará os números de dezembro no fim de janeiro, quando publicará o resultado do Governo Central – Tesouro, Previdência Social e Banco Central – de 2011.

A queda nos investimentos totais não se repetiu no principal programa de obras públicas do governo. As despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) totalizaram R$ 26,046 bilhões em 2011, crescimento de 17,95% em relação aos R$ 22,082 bilhões gastos em 2010. Esse crescimento, no entanto, está inflado por causa do programa Minha Casa, Minha Vida, cujas despesas são incluídas no PAC, mas não são classificadas como investimento.

No ano passado, os gastos do Minha Casa, Minha Vida mais do que quadruplicaram, saltando de R$ 1,572 bilhão em 2010 para R$ 6,485 bilhões em 2011. Esse montante, no entanto, não é considerado investimento porque não foi gasto diretamente com a construção de moradias, mas com subsídios para os bancos oferecerem financiamentos habitacionais mais baratos.

Ao comentar o resultado do Governo Central de novembro, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse esperar que os investimentos retomem a trajetória de crescimento em 2012. Segundo ele, o início de algumas obras do PAC 2 vão ampliar os investimentos da União neste ano.

Em relação ao desempenho dos investimentos em 2011, o secretário declarou que a queda não foi preocupante porque a base de comparação foi forte. Em 2010, os investimentos federais dispararam e bateram recorde, com crescimento de 38% em relação a 2009.

Mais uma vez, os investimentos foram sustentados com recursos de exercícios anteriores, chamados de restos a pagar. No ano passado, esse montante correspondeu a 55,8% dos investimentos, o que equivale a R$ 24,774 bilhões. No PAC, a fatia de recursos anteriores a 2011 foi ainda maior: 67,2% ou R$ 17,503 bilhões. A maior proporção, no entanto, foi observada no Minha Casa, Minha Vida, em que 95,1% das despesas executadas no ano passado se originaram de restos a pagar.

1.1.12

O New York Times volta a falar do lugar que a palavra “ocupar” [#Occupy] passou a ter nos movimentos sociais que se multiplicaram esse ano em todo o planeta. E propõe que se colha a oportunidade para “ocupar a linguagem” e refletir sobre como damos nomes às coisas e às pessoas – em especial aos estrangeiros.

Em outubro passado, parti de San Francisco, sobrevoando os portos da costa oeste dos EUA paralisados pelo movimento Occupy Oakland, antes de chegar à Alemanha, em meio aos tumultos provocados por Occupy Berlin. Hoje, só resta constatar que o movimento Occupy transformou, não só o espaço público, mas, também transformou o discurso público.

Por Samy Alim, New York Times*

Occupy[1]. Hoje, já é praticamente impossível ouvir essa palavra, sem pensar nos militantes instalados nas praças e ruas do mundo. 


Até o célebre lexicógrafo Ben Zimmer estima que Occupy tem grandes chances de ser escolhida “a palavra do ano” pela American Dialect Society. O vocábulo já conseguiu modificar os termos do debate, tirando de cena “teto de endividamento” e “crise orçamentária”, substituídos por “desigualdade” e “ganância”. 

A ironia da palavra “ocupar”, para designar uma corrente social progressista que visa a redefinir o debate em torno das noções de equidade e democracia, certamente está bem visível. Afinal, na linguagem corrente, só países, exércitos, polícias, “ocupam” territórios, praticamente sempre pela força. Sobre isso, aliás, os EUA nada têm a aprender.

E em apenas poucos meses, o movimento Occupy mudou completamente o significado da palavra “ocupação”. Até setembro, “ocupar” significava operação militar. Hoje, “ocupar” é sinônimo de luta política progressista [e quem, no ocidente, queira falar do que Israel faz na Palestina, ficam com a tarefa revolucionária de buscar, ou de inventar, palavras mais adequadas para o que Israel faz na Palestina: invasão pela força, com violência, ilegal, contra a razão democrática e civilizada do mundo (NTs)].

Hoje, “Ocupar” é denunciar injustiças, desigualdades, abusos de poder. E em nenhum caso se trata de apenas impor-se num espaço: hoje, ocupar significa também transformar os espaços. Nesse sentido, o movimento Occupy Wall Street ocupa literalmente a língua, e é hoje autor [não proprietário (NTs)] da palavra OCUPAR!

A primeira vez que a palavra “ocupar” apareceu em inglês, associada a manifestações sociais, remonta aos anos 1920s, quando operários italianos decidiram ocupar as fábricas em que trabalhavam, até que suas reivindicações fossem satisfeitas. Já foi uso muito distante da origem da palavra. O Dicionário Oxford English ensina que, na origem, “occupy” significou “ter uma relação sexual”. Hoje, a mesma palavra, já ressignificada, serve para preencher [ocupar?] muitos vazios gramaticais do discurso. 

E se mudássemos mais uma vez o significado da palavra “ocupar”? Mais exatamente, e se pensássemos no “discurso do movimento Occupy” não mais como discurso dos militantes de Occupy, mas como movimento total, ele todo, de Ocupar a Linguagem? E o que desejariam esses “ocupantes da linguagem”?

“Occupy a Linguagem” [ing. Occupy Language] bem poderia inspirar-se, ao mesmo tempo, no movimento Occupy – que nos faz lembrar que as palavras sempre significam e que a língua não é estática, fechada – e dos movimentos locais que contestam os usos locais da linguagem e fazem lembrar que a língua pode ser tanto ferramenta de libertação quanto ferramenta de opressão; tão potente para unir, quanto para segregar. 

O movimento portanto poderia começar por refletir sobre ele mesmo. Em recente entrevista, Julian Padilla, do People of Colour Working Group [Grupo de Trabalho das Pessoas de Cores], convocava os militantes a examinar as próprias escolhas lexicais: “Ocupar significa tomar posse de um espaço, e acho que ver um grupo de militantes anticapitalismo tomar posse do espaço na Rua do Muro [ing. Wall Street] é um símbolo muito potente. Mas gostaria que eles se dessem conta da história dos povos nativos, dos peles vermelhas e dos peles negras e dos pele amarela do imperialismo em todo o mundo. E que passassem a chamar o próprio movimento de “Descolonizar a Rua do Muro” [orig. fr. “Décoloniser Wall Street”].

Ocupar um espaço não é necessariamente ação negativa. Tudo depende de o que se faz, como e por quê. Quando os colonizadores brancos ocupam um país, eles não vêm para ficar, vêm de passagem, vêm para pilhar e destruir. Quando descendentes de tribos nativas dos EUA ocupam Alcatraz (entre 1969 e 1971), é ato de contestação.”

O movimento “Occupy Language” também poderia fazer campanha para impedir que os veículos de mídia continuem a usar o adjetivo “ilegal” aplicado a imigrados sem documentos. Os que defendem essa causa explicam que o adjetivo illegal em inglês [em português do Brasil, em termos jurídicos precisos, TAMBÉM (NTs)], só se aplica a ações e objetos inanimados. Usar o termo “os ilegais” [ing. illegals; fr. les illégaux) aplicado a pessoas, opera portanto, em primeiro lugar, a des-humanização das pessoas às quais se aplica. 

Mas o New York Times só recomenda aos seus jornalistas que evitem as expressões “estrangeiro ilegal” [ing. illegal alien; fr. étranger illégal] ou “estrangeiro sem documentos” [ing. undocumented alien; fr. sans-papiers]. O New York Times nada diz sobre não usar a palavra “os ilegais” [ing. illegals].

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[1] A palavra Occupy [nas redes sociais, sempre #Occupy] é, sim, um belo achado, uma bela invenção internacionalista, dos muitos que se dizem, nós-vós-vóz-de-nós-mesmos: “ocupai/ocupar/ocupemos!”
Em português, há aí também um traço performativo de palavra-de-ordem: “Ocupai!” – modo imperativo, 2ª pess. do plural, do verbo ocupar, como “falai!”, “cantai!”, “sentai!”, “andai!”, “marchai!”, “manifestai!”, “ocupai e não arrasteis o pé daí, nós-vós-vóz-de-nós-mesmos, os 99%”. Em inglês, há aí, o traço declarativo (tb performativo, portanto) do infinitivo (“ocupar”)  que ecoa, também para os bilíngues, com inglês, em todo o mundo [NTs].


*Tradução: Coletivo de tradutores Vila Vudu

SOCIEDADE, MEIO AMBIENTE E CIDADANIA 
Por Marígia Tertuliano*

“Brasil: sexta economia do mundo, conforme a Economist Intelligence Unit (EIU), empresa de consultoria e pesquisa, ligada à revista The Economist”.

A notícia que coloca o Brasil como sexta economia do mundo causa espanto e justificativas absurdas, na tentativa de desmerecer o trabalho realizado. Em uma época onde as economias do mundo desenvolvido estão em crise, alguns brasileiros ainda padecem da “Síndrome do  vira-latas”, preferindo desmerecer o feito.

Frases como: “Sexto maior PIB do mundo é pra inglês ver”; “IBGE aponta que 11,4 milhões de brasileiros vivem em favelas”. “É a sexta economia estúpido...”, dentre outras, estarrecem.

No entanto, não analisam que é um momento ímpar para a América Latina, que começou a ser estudada há alguns anos. Momento ímpar para suprir a história econômica de dependência e servidão, desde quando o modelo de substituição de importações foi implantado. É verdade que fazer análise econômica não é simples, principalmente em um país onde a mídia cria chavões, a exemplo do “Milagre Brasileiro” ou da “Década Perdida”, para enaltecer um Brasil muito mais desigual.

O momento é muito interessante para nossa economia, pois, hoje, nossas commodities são valorizadas, e mais do que isso: diferentemente de outras épocas, onde exportar era o que importava, começamos a incentivar o consumo do mercado interno – este faz a economia girar. Hoje, vivemos a volta ao planejamento, coisa que foi esquecida há muito tempo e que causou muitos problemas a nossa economia.


É importante frisar que o ganho que estamos tendo é com o crescimento. Entretanto, é preciso que as unidades federativas pensem em estratégias de criar condições ao desenvolvimento, pois as disparidades regionais são enormes e, se não pensarmos nelas, estaremos fadados a perder, mais uma vez, o bonde da história.

Todo governo quer alcançar alto nível de emprego, estabilidade de preços, equidade de renda e crescimento econômico. Esses fatos geram números. Entretanto, é o desenvolvimento que gera melhoria na qualidade de vida do cidadão, e isso só é alcançado se os gestores pensarem políticas públicas e não ações de governo. Entender a realidade local é fundamental para se chegar a esses objetivos. No entanto, é necessário mapear as necessidades da sociedade com planejamentos sérios que possibilitem o agregar valor à gestão municipal.

Nesse sentido, a construção de PPAs de excelência é fundamental. Mesmo que todos saibam disso, ainda se veem ações totalmente desfocadas das políticas propostas e planos acéfalos, que são constituídos apenas para atender à Constituição. Sendo assim, como seremos economia em destaque, se alguns trabalham para ampliação, e outros para a redução?

A frase acima: “Sexto maior PIB do mundo é pra inglês ver...”, assim como a outra, pinçadas do twitter, e postadas por formadores de opinião, representa bem o que quero dizer: para alguns, a lei do quanto pior melhor continua valendo. Assim, insisto: vamos pensar um País para todos. Um País onde ter não é “pecado”, mas que também possa ser estendido a todas as classes. Equidade de renda é benefício, é vitória, é ganho, é direito. Salário mínimo de R$622,00 (seiscentos e vinte e dois reais) ainda é pouco para onde queremos chegar. Todavia, já existem gestores municipais dizendo que será terrível para os municípios.

E, aí, o que dizer das palavras do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que afirmou, na terça-feira, 27, que, em menos de quatro anos, 2015, o Brasil será a quinta maior economia do mundo, em termos de Produto Interno Bruto (PIB), superando a França? Achar ruim? Espero que não. Enfim, vamos planejar melhor as contas públicas e ajudar na melhoria de todos os índices que mapeiam o desenvolvimento.

Assim, que venham 2012, 2013, 2014, 2015... e que possamos comemorar mais vitórias em um País que não é pobre, mas que ainda tem muitos pobres. 

Feliz Brasil Novo para todos!

*Marígia Tertuliano é economista e professora universitária


MERCADO IMOBILIÁRIO - Por @PH_natal

Aos leitores e amigos do Calangotango:

Que os 12 meses de 2012 todos tenham muitos clientes;
Que os 12 meses de 2012 todos tenham muitas vendas;
Que os 12 meses de 2012 sejam de conquistas constantes;
Que os 12 meses de 2012 sejam de comi$$ões gorda$.

Esse é meu desejo para todos vocês.

Pedro Henrique de Carvalho


A partir deste domingo (1º), as operadoras de planos de saúde terão que oferecer cobertura para mais 69 procedimentos médicos. Entre os novos serviços estão 41 cirurgias por vídeo, como a cirurgia bariátrica (de redução de estômago) e a de tratamento de refluxo gastroesofágico. Com o acréscimo, a lista passa a ter 3.132 procedimentos.
Agência Brasil

Outras novidades são a ressonância magnética para pessoas com câncer, o tratamento de doença ocular com aplicação de injeções e o uso de medicamentos especiais em casos de artrite reumatóide, além do uso de novas tecnologias para o tratamento de pacientes com câncer de colo retal com metástase.

A lista completa de procedimentos pode ser acessada no site da ANS. A agência criou um buscador em que o usuário poderá pesquisar se o procedimento que precisa fazer está coberto pelo plano de saúde.

O rol de novos serviços beneficia os usuários de planos de saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à nova legislação. De acordo com a ANS, a inclusão das novas coberturas não levará a aumentos imediatos no valor das mensalidades. O impacto financeiro das mudanças será avaliado, e caso justifique reajuste, esse só será feito em 2013.

As operadoras de planos de saúde que não cobrirem os procedimentos listados pela ANS estão sujeitas à multa de R$80 mil. Para denunciar o descumprimento de procedimentos da lista, o consumidor pode ir a um dos núcleos da ANS ou ligar para o Disque ANS, no número 0800 701 9656.


Estação Música Total

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