6.1.12
Postado por
Sávio Hackradt
Entrevista
10 x 140
Perfil
de Claudia Santa Rosa – Natal/RN, casada, doutora em educação, fundadora do
Instituto de Desenvolvimento da Educação(IDE), há 21 anos na rede de ensino
estadual.
P-
Você é uma pessoa conhecida como apaixonada pela educação. O que é uma escola
de qualidade?
Claudia
Santa Rosa – apaixonada pela possibilidade de empoderamento das pessoas através
do conhecimento. Escola de qualidade é aquela que garante aprendizagem.
P-
Fale sobre essa sua experiência de 21 anos na escola pública?
Claudia
Santa Rosa – anos intensos de muito aprendizado e superação. Aluna de escolas
estatais, desde os 7 anos, desenvolvi um forte compromisso com a equidade.
P-
Quais são os grandes problemas da escola pública no RN?
Claudia
Santa Rosa – temos gestão frágil e pouco profissional em todas as instâncias;
baixa valorização dos professores, secundarização do que é essencial...
P-
Tem solução para a escola pública no Rio Grande do Norte?
Claudia
Santa Rosa – tem, claro! Prioridade! Dispor pessoas certas nos lugares certos.
Afastar ingerências políticas, investir com licitude, planejar e avaliar.
P-
Quantos anos vamos levar para ter uma escola de qualidade no Rio Grande do
Norte para todos?
Claudia
Santa Rosa - Em 5 anos ou em um século. Dependemos de estadistas, gestores
comprometidos com o bem comum. Trabalho para que tenhamos hoje.
P-
Qual sua opinião sobre a tese da federalização da educação?
Claudia
Santa Rosa – Positiva! A partilha de responsabilidades não tem funcionado.O
"bolo" tributário é mal dividido e há municípios que não conseguem
investir.
P-
Fale da escola em Natal que você é coordenadora pedagógica.
Claudia
Santa Rosa – Casa de Saberes é um projeto especial de escola. Sofre, sobretudo,
com a nossa perversa política de recursos humanos.Requer mais autonomia.
Claudia
Santa Rosa – É um espaço, nesses "tempos de mundo", para compartilhar
ideias, opiniões. Nasceu das solicitações de informações sobre o meu trabalho.
P-
O que é o Twitter para você?
Claudia
Santa Rosa – Um território plural e social. Permite conexões de pessoas em
rede, disseminação de informações,opiniões e até das "verdades" de
cada um(a).
P
Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Claudia
Santa Rosa - Ler, sempre! Filmes, especialmente de ação, circuito dos
restaurantes e cafés, na companhia de Hélio.Dormir! Vejo TV, até os religiosos
rs.
*se
você quer conhecer um pouco mais a Claudia Santa Rosa converse com ela no
Twitter @ClaudiaStaRosa
OBS: Entrevista publicada em fevereiro de 2011
Postado por
Sávio Hackradt
Fora
os papéis guardados no arquivo de sua família, os manuscritos de Clarice
Lispector são muito raros em coleções privadas. Com a fama cada vez maior da
escritora e o número crescente de admiradores no exterior existe inclusive uma
grande procura por seus documentos de parte de universidades, e Instituições, e
colecionadores estrangeiros.
Por
Pedro Corrêa do Lago, em seu blog
A
página manuscrita aqui reproduzida contém uma frase belíssima que não chegou à
versão publicada de A Hora da Estrela e que menciona Macabéa, talvez uma de
suas personagens mais famosas. São apenas três frases: “Macabéa não sabia como
se defender da vida numa grande cidade. Ela que tinha um sonho impossível: o de
um dia possuir uma árvore. Que árvore, que nada: não havia nem grama sob os
seus pés”.
No
final de sua vida Clarice andava anotando coisas em pedacinhos de papel,
cheques, guardanapos e até mesmo maços de cigarros. Uma de suas secretárias
vivia guardando os pedaços no envelope, e nesta página manuscrita aparece uma
menção em outra letra para identificar o fragmento – provavelmente na
caligrafia de sua enfermeira/assistente Siléa Marchi: “(Macabéa quando vem para
o Rio)”. Clarice sofrera muito com as sequelas do incêndio que quase lhe
custara a mão com que escrevia. Nos últimos anos estava bastante fraca, e o
ferimento na mão também explica a letra pouco legível.
Sua
editora principal era sua grande amiga Olga Borelli, que ajudou Clarice a
organizar suas últimas grandes obras-primas como "Água Viva", "A
Hora da Estrela", assim como o póstumo "Sopro de Vida". A
recente biografia de Clarice por Benjamin Moser cita Olga Borelli comentando o
método editorial da grande escritora:
“Respirar
junto, é respirar junto ... Porque existe uma lógica na vida, nos
acontecimentos, como existe num livro. Eles se sucedem, é tão fatal que seja
assim. Porque se eu pegasse um fragmento e quisesse colocar mais adiante, eu
não encontraria onde colocar. É como um quebra-cabeça. Eu pegava os fragmentos
todos e ia juntando, guardava tudo num envelope. Era um pedaço de cheque, era
um papel, um guardanapo […] Eu tenho algumas coisas em casa ainda, dela, e até
com cheiro de batom dela. Ela limpava o lábio e depois punha na bolsa […] de
repente, ela escrevia uma anotação. Depois de coletar todos estes fragmentos,
comecei a perceber, comecei a numerar. Então, não é difícil estruturar Clarice,
ou é infinitamente difícil, a não ser que você comungue com ela e já tenha o
hábito da leitura.”
Esse
manuscrito inédito de grande interesse para a obra de Clarice me foi comunicado
por seu atual detentor.
Postado por
Sávio Hackradt
A
doação ao Arquivo Nacional do acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes pode
incentivar a entrega de outros documentos que ajudem a Comissão da Verdade a
rever o período da ditadura militar (1964-1985). A avaliação é do diretor do
arquivo, Jaime Antunes, que lançará neste ano uma campanha para receber esses
documentos.
Agência
Brasil
"Vamos
fazer um chamamento, como fizemos em 2009, para que arquivos de civis e militares
sejam incorporados como fonte de informação do período em que o Estado mostrou
sua força ante movimentos de contestação", disse o diretor. Segundo ele, é
comum que pessoas que ocupam cargos públicos misturem com seus artigos pessoais
documentos de governo.
Antunes
disse que a iniciativa da família de Prestes, que doou sete pastas de material,
dentre as quais uma lista com 233 nomes de torturadores - elaborada por presos
políticos de São Paulo e datada de 1976 - abre caminho para reconstruir o
período de exceção democrática, tarefa da Comissão da Verdade, criada pelo
Congresso Nacional.
Durante
a cerimônia de doação dos documentos, produzidos ou acumuladas entre as décadas
de 1970 e 1990 por Prestes, a viúva do político comunista, Maria Prestes, disse
que espera ajudar na consolidação da Justiça, contra os torturadores. "Por
que a gente tem que só apanhar? Se tem Justiça no Brasil, a Justiça deve apurar
e deve punir".
Maria
Prestes disse que a lista com os 233 nomes de torturadores foi entregue a seu
marido por "homens de confiança" do Partido Comunista. "Nessa
época, todo material de valor era levado para que Prestes tomasse conhecimento.
Ele guardou e eu estou doando", contou a viúva.
A
relação chegou a ser publicada por um jornal, que sofreu na época dois
atentados e coincide com levantamento feito pelo Grupo Tortura Nunca Mais, organização
não governamental que busca esclarecimento pelas mortes e desaparecimentos de
militantes políticos no período.
Também
constam do acervo de Prestes, cartas enviadas a líderes políticos como Fidel
Castro, relatos da repressão no Brasil e documentos em favor da
redemocratização, além de correspondências trocadas com os noves filhos da
união com Maria Prestes. "Há um vasto material de uma atividade
internacional e pessoal", disse um dos herdeiros, Luiz Carlos Prestes
Filho.
Membro
do Partido Comunista Brasileiro, obrigado a viver na clandestinidade em
diversos períodos de sua vida, Prestes denunciou internacionalmente atrocidades
do regime militar, principalmente de Moscou, onde viveu exilado por oito anos,
desde 1971.
Antes
disso, durante o Estado Novo, também brigou contra a ditadura de Getúlio
Vargas. Neste período, sua primeira mulher, a alemã Olga Benário, que pertencia
a Internacional Comunista, foi deportada grávida para a Alemanha de Adolf
Hitler. Lá, foi morta em uma câmara de gás. A filha do casal, Anita Leocádia
Benário Prestes foi criada pela avó paterna.
Postado por
Sávio Hackradt
CINEMA
– Por Carlos Emerenciano*
Considero
indispensável, vez em quando, que nos deparemos com certas situações que
funcionem como choque de realidade ao véu de ignorância, sob o qual,
confortavelmente, costumamos nos proteger. É o que vem ocorrendo comigo nos
últimos dias. A miséria tem batido à minha porta, avisando-me para não dar
ouvido aos boçais que berram, aos quatro cantos, que somos um país
desenvolvido. Aliás, bem ao estilo da surrada (e antes criticada) cantilena do
ame-o ou deixe-o.
Não
que eu queira, caro leitor, fazer coro aos profetas da desgraça ou mesmo me
transformar em desmancha-prazeres. Longe disso! Não sei se o fato de ser pai de
um filho com 10 meses de nascimento tenha contribuído para aumentar a minha
sensibilidade ao sofrimento alheio, principalmente quando envolve crianças que
deveriam receber toda a atenção do Estado e da Sociedade.
Desculpe-me,
caro leitor, mas é com esse estado de espírito que peço a sua atenção. Todas as
minhas reflexões voltaram-se, num primeiro momento, para a terrível herança de
injustiças sociais que, não nos enganemos, estamos longes de superar. Pousaram,
todavia, depois, na relação pai e filho, na vivência das dificuldades e da
importância de manter íntegros o respeito e a admiração na figura paterna.
Com
esse estado de espírito, não poderia escolher outro filme para a nossa conversa
semanal sobre cinema que não o essencial "Ladrões de bicicleta"
(Ladri di biciclette, 1948), do premiado diretor italiano Vittorio de Sica.
Essa obra-prima integra um conjunto de filmes que, por semelhanças no
tratamento estético e na contundência da crítica social, compõe o neorrealismo
italiano.
Deve
ser por essa razão e pela conhecida militância política de Vittorio de Sica,
que sempre se enfatiza, nos comentários e críticas sobre o referido filme, o
seu indisfarçável caráter político. As críticas às injustiças, à desumanidade,
à brutalização das pessoas são evidentes e reconhecidamente bem sucedidas. Ao
término do filme, qualquer homem de bem se questiona sobre a sociedade que
queremos e sobre o porquê da manutenção de um estado de coisas que nos faz
pensar vivermos em plena barbárie. Será que estou dramatizando ou os velhos,
mulheres e crianças que minguam em busca de atendimento médico, os meninos e
meninas que passam de ano sem nada aprender e as vidas que são ceifadas na
guerra do dia-a-dia me dão alguma razão?
Quero,
porém, enfatizar a comovente relação entre Antônio Ricci (Lamberto Maggiorani)
e Bruno (Enzo Staiola). Ricci sai, pelas ruas de Roma, em busca de emprego. Não
que a motivação seja insuficiente, mas não se trata apenas de questão de
sobrevivência e de levar o pão de cada dia para a mesa do paupérrimo lar.
Sobressaem-se, ao longo do filme, as trocas de olhares entre pai e filho que revelam
cumplicidade, afeto, reconhecimento. Em suma, o amor em sua forma mais pura.
O
pai, homem bruto e sem preparo intelectual, desdobra-se para arrancar, a cada
momento, a admiração do filho. Os percalços, no entanto, são enormes.
Furtam-lhe a bicicleta, justamente o instrumento essencial para manter o
trabalho que acabara de conseguir. Vittorio de Sica é o artesão que mistura, no
elenco, atores profissionais e pessoas do povo recrutadas de última hora,
emprestando à obra forte carga de realismo. As expressões, os olhares dizem
muito nesse filme de poucas falas.
Não
quero ir além. Espero ter conseguido estimulá-lo a assistir a essa obra que não
envelheceu. Antônio Ricci é uma espécie de Fabiano (Vidas Secas, 1938) da
cidade grande. Exatamente para onde o sertão continua a enviar Fabianos e
Riccis. Por sinal, há uma excelente adaptação do livro de Graciliano Ramos para
o cinema, dirigida por Nelson Pereira dos Santos. Mas essa, caro leitor, é uma
outra história.
*Carlos
Emerenciano - Apreciador de um bom filme, dividirá com os leitores suas
impressões sobre cinema todas as sextas-feiras.
Twitter:
@cemerenciano
e-mail:
aemerenciano@gmail.com
5.1.12
Postado por
Sávio Hackradt
Por Gustavo Maia (@GustavoMaia1)
A abstração do conhecimento é tão admirável que pode
construir inclusive redes. O conhecimento é a força motriz da sociedade, é a
essência, a origem de uma admiração. Teoricamente esse conhecimento está disponível
a todos, lembro que o conhecimento se adquire. É abstrato com poder de construção,
principalmente na construção das redes de relacionamentos. Rede se refere ao
conjunto de suas relações. Cada nome no dos nossos contatos representa um
parceiro potencial para todas as outras pessoas que conhecemos. Todo e qualquer
um pode se encaixar em algum lugar do nosso universo profissional em contínua
expansão.
Os relacionamentos são os “nós” da rede individual que
constituem o futuro da vida profissional e servem de instrumento parar prever o
sucesso. Dizem que empresas, organizações e indivíduos são compostos de sua
rede de relacionamentos e valorizados de acordo com ela. Se você conseguir
organizar os seus relacionamentos em rede, estará gerando um valor duradouro
que vai muito além de suas disponibilidades financeiras. Estará criando uma
proposição de valor para os novos contatos, o que atrairá novos seguidores para
a rede. O valor salta a cada novo ingresso e o salto de valor atrai novos
ingressos, formando o produto.
Conectados em redes somos poderosos, em nossa linda cidade
Natal podemos ver saltos enormes e promoções pessoais através das redes.
Sozinhos, mesmo com toda a sabedoria do mundo, somos impotentes, náufragos à
deriva de um oceano impessoal. Sem uma rede, o conhecimento é praticamente inútil,
quem detém o conhecimento necessita de proliferação do mesmo. O conhecimento é
nossa fonte de energia, nossa bateria, nosso no break. O relacionamento é nosso
hardware, nosso processador. Criamos valor com o nosso conhecimento, mas ele só
se realiza quando o compartilhamos com a nossa rede.
*Gustavo Maia - 25 anos, natalense, Contador, MBA em
Gestão de Pessoas, cursando MBA Gestão de Negócios, Consultor em Franchising.
Postado por
Sávio Hackradt
Estimativas
do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que o Brasil deve registrar este
ano 134.170 novos casos de câncer de pele – 62.680 em homens e 71.490 em
mulheres. A doença responde por 25% do total de tumores malignos detectados no
país e é o tipo de câncer mais comum em pessoas com mais de 40 anos. A
recomendação é que as pessoas estejam atentas para o uso do protetor solar,
sobretudo durante o período de férias de verão.
Agência
Brasil
A
orientação, de acordo com o Inca, é aplicar o filtro solar meia hora antes de
sair de casa e reaplicá-lo a cada duas horas. O protetor também deve ser
reforçado após mergulhos ou em casos de suor intenso. Pessoas de pele clara,
sensível à ação dos raios solares ou com doenças cutâneas prévias são as
principais vítimas do câncer de pele.
Outro
conselho é o uso de roupas confeccionadas com tecidos que têm proteção solar,
produzidos com tecnologia especial. Alguns desses materiais, segundo o órgão,
chegam a bloquear 98% dos raios ultravioleta.
Em
relação ao fator de proteção solar (FPS), a indicação é utilizar, no mínimo,
filtro solar número 15. É preciso ainda evitar a exposição ao sol entre as 10h
e as 16h, além de usar chapéus, guarda-sol e óculos escuros.
Pessoas
que trabalham em exposição direta ao sol, como salva-vidas, pescadores e
vendedores ambulantes de praia, estão mais suscetíveis à doença e devem
redobrar os cuidados.
Postado por
Sávio Hackradt
Por Carlos
Roberto de Miranda Gomes*
A propósito de recente noticiário jornalístico, de que o Estado ingressará com ação contra o tombamento do Estádio Juvenal Lamartine, feito pelo Município de Natal, resolvi tentar esclarecer o assunto, em seus aspectos legais e éticos.
“...um
país que respeita e preserva os seus valores deixa de ser apenas uma nação,
passando a ser “a nação”, àquela em que se tem orgulho de pertencer.”
(Fernanda Schimitt - Baclarela em Direito pela UFSM)
A propósito de recente noticiário jornalístico, de que o Estado ingressará com ação contra o tombamento do Estádio Juvenal Lamartine, feito pelo Município de Natal, resolvi tentar esclarecer o assunto, em seus aspectos legais e éticos.
![]() |
| Estádio Juvenal Lamartine |
O
assunto está regulado no Direito pátrio através da Constituição Federal (art.
216 e incisos), Decreto nº 25, de 30/11/1937 e Lei nº 3.924, de 20/07/61.
A
nossa Carta Política de 1988, dispõe sobre o assunto nos termos seguintes:
Art.
216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e
imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à
identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira, nos quais se incluem;
I- as
formas de expressão;
II-
os modos de criar, fazer e viver;
III-
as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV- as
obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às
manifestações artístico-culturais;
V- os
conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,
paleontológico, ecológico e científico.
No
campo infra-constitucional, o vetusto Decreto 25, de 1937, já dispunha da mesma
forma consagrada na Lei Maior, apenas traçando a formalística. Ainda ele aponta
o conceito do instituto ao dispor:
“Constitui
o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis
existentes no País e cuja conservação seja do interesse público, quer por sua
vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu
excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico."
Desta
forma, consoante o primeiro parágrafo da disposição constitucional antes
transcrita, a competência da iniciativa se impõe ao Poder Público, com a
colaboração da comunidade, que promoverá e protegerá o patrimônio cultural
brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e
desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
Ao
dispor dessa maneira, quer nos parecer que a expressão “Poder Público” é genérica
e, se o titular do domínio se omite em tomar a iniciativa, outro órgão
representativo da vontade do povo poderá agir no sentido da preservação do
patrimônio público, seja histórico, cultural ou estético.
Qualquer
Ente Público, por conseguinte, de forma extraordinária pode intervir na
propriedade de bens (coisas ou locais), regulando a sua utilização ou não,
sejam eles particulares ou públicos, levando em consideração a supremacia do
interesse público, na preservação desses bens ou locais, considerados inestimáveis
para a história ou a cultura nacional, regional ou local. A literatura doutrinária
registra que pela existência de interesse local a competência pode ser atribuída
ao município.
Mesmo
assim compreendendo, não descarto que o procedimento administrativo deveria ter
sido precedido por audiências públicas, audiência do Conselho de Cultura (se é
que não o foi), inclusive com o chamamento do titular do domínio do Estádio
Juvenal Lamartine.
Se
tais cautelas aconteceram, acho difícil se conseguir a anulação do tombamento,
pois a Constituição da República proclama, no inciso III do seu art. 23, que ‘é
competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e
cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos.
Caso contrário, o Estado terá direito de ação para justificar que o bem
tombado do seu patrimônio não se enquadra nas prescrições legais.
Na
condição de procedimento administrativo, que se desenvolve em uma sequência de
atos preparatórios e onde é permitida a competência concorrente, há de ser
tomar todas as cautelas para evitar a invalidade do ato de tombamento.
Vamos
acompanhar a batalha e verificar o que deve triunfar – a simples questão da
defesa de um patrimônio ou a atitude ética de preservação da memória.
*Carlos
Roberto de Miranda Gomes é escritor e advogado
Postado por
Sávio Hackradt
O
Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) foi o principal
programa do Ministério da Justiça durante o governo do então presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Porém, no governo Dilma, o programa perdeu o protagonismo
e deixou de ser o principal projeto da pasta. Para o ex-secretário Nacional de
Segurança Pública, Ricardo Balestreri, é necessário que se retome o Pronasci
como prioridade.
Agência
Brasil
“Eu
não sei detalhes de como está a execução do programa, mas sei que o caminho
para se ter uma segurança pública de qualidade está no Pronasci. Nós demoramos
15 anos para chegar a esse programa que foi reconhecido até nas instâncias
internacionais. Até a ONU [Organização das Nações Unidas] reconheceu a
qualidade do que conseguimos construir no Brasil”, disse.
Balestreri
foi titular da Secretaria Nacional do Segurança Pública (Senasp) durante a
gestão do então ministro da Justiça, Tarso Genro, e, há duas semanas, recebeu o
prêmio Direitos Humanos, na categoria segurança pública, das mãos da presidenta
Dilma Rousseff.
No
governo Dilma, o Pronasci deixou de ocupar no Ministério da Justiça uma
secretaria executiva e foi incorporado pela Senasp. A própria secretária Nacional
de Segurança Pública, Regina Miki disse, em entrevista à Agência Brasil, em
junho do ano passado, que o programa já enfrentava problemas na execução.
Em
2010, dos R$ 2,1 bilhões destinados pelo Orçamento Geral da União (OGU), R$ 700
milhões se transformaram em restos a pagar.
“Tivemos
um corte financeiro muito grande. Aqueles projetos que não entraram em restos a
pagar foram cortados, os que entraram nós estamos pagando. Mesmo com o corte,
priorizamos executar aquilo que tivermos condições. Nessa linha, não adianta
conveniar novos [projetos], por isso estamos priorizando agora os restos a
pagar, para depois [priorizarmos] os convênios”, disse a secretária.
“Toda
política tem um momento de elaboração e não foi diferente com o Pronasci. A
vinda do Pronasci para dentro da secretaria nacional significa que foi uma
política aprovada no seu conceito”, disse ainda a secretária que defendeu uma
“remodelagem” na execução de programa.
Para
Balestreri, o principal avanço do Pronasci foi superar a ideia de que cabe somente
aos estados a tarefa de fazer segurança pública. “Não há como fazer segurança
pública sem o comprometimento dos três níveis da administração Pública. O que o
Pronasci fez foi marcar a atuação conjunta da União, dos estados e municípios
na área de segurança. Ele quebrou esse antigo paradigma. Essa ideia de que é
atribuição dos estados ficou no passado”, avaliou.
A
secretária reconheceu o avanço mas ressalvou que a gestão envolvendo três
níveis da administração é mais complexa. “Se você tem uma gestão em três níveis
diferenciados, para, além disso, tem uma gestão transversal em várias áreas, é
óbvio que é uma complexidade. Faltava esse ingrediente de gestão e isso estamos
fazendo agora. Ninguém disse que o Pronasci era fácil, mas mudar o paradigma foi
papel do Pronasci”, ressaltou.
O
sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul José Vicente
Tavares dos Santos acredita que o Pronasci continua, porém foi atualizado após
a constatação de que o crime organizado detém um poder territorial nos bairros.
“Existia há dois anos, era uma tarefa emergencial para desarticular o poder
territorial. Essa questão das UPPs [unidades de Polícia Pacificadora]
afunilaram o protagonismo [do Pronasci]”.
Em
2010, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez uma série de auditorias a fim de
fiscalizar o programa. Segundo o relatório do tribunal, foram encontradas
algumas fragilidades na execução do Pronasci, como a falta de informações sobre
as ações no Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento do Governo
Federal (Sigplan), além da ausência de relatórios avaliativos com indicadores
que possibilitem a avaliação de resultados.
De
acordo com o TCU, apenas cinco estados concentraram 54% dos recursos do
Pronasci repassados às unidades da Federação entre 2008 e março 2010. O Rio de
Janeiro recebeu R$ 140,2 milhões, o que corresponde a 14% de mais de R$ 1
bilhão transferidos a estados e municípios. Em seguida vem o Rio Grande do Sul
(R$ 128,9 milhões - 13%), São Paulo (R$ 114,2 milhões - 11%), Goiás (R$ 79 milhões
- 8%) e Bahia (R$ 76,5 milhões – 8%).
2.1.12
Postado por
Sávio Hackradt
“COISAS DA VIDA” – Por @LeideFranco*
É aqui, é acolá, sempre tem um indivíduo cometendo crimes
contra a natureza da norma culta da língua portuguesa. Enquanto defendem a
inclusão digital e oferecem oportunidades para que o número de pessoas
conectadas à internet aumente, eu defendo a alfabetização.
É
um mais2 fora da adição, é um L metido onde não deve ou fora do lugar,
sobrando, como por exemplo escultar3 uma música e um agente4 referindo-se a “nós”. É um caso sério. Tão sério
que deve fazer Manuel Bandeira chorar de incontrolável tristeza.
A
internet, ou melhor, algumas pessoas que fazem o uso dela, vêm arrazando5 e
maltratando a pobre língua portuguesa. Não estou falando de “internetês”, estou
falando da falta de leitura de livros, jornais, revistas e da falta de prática
com a escrita feita com caneta em papel pautado.
Enquanto
as crianças estiverem aprendendo a digitar, antes de aprender a escrever, vamos
criar uma “Geração Z” ou qualquer outra de qualquer outra letra ‘bytizada’ no
dialeto abreviado da rede mundial de computadores.
Não
precisa ser um português de Machado de Assis, mas é inadmissível que leiamos os
talves6, concerteza7, derrepente8 ou ainda o nada haver9. E o Quiz?10 Quisera
que soubessem que é um jogo! E o mim11 segue que eu sigo de volta? Prefiro
morrer! Eu, tu, eles, nós, vós, eles, todos estes somos gente. Um dia vão
aprender que mim11 não é ninguém e, portanto não conjuga verbo.
Com
migo12 não tem vez. Não mesmo! Eu não estou meia13 cansada disso, eu estou
inteiramente cansada disso! Lembre-se, quando faz calor você sua e não soa14, a
não ser que quando o sol do pingo do meio dia aquece, você sai gritando por aí,
fazendo soada (barulho).
Faz
vários dias que venho prestando atenção na forma que as pessoas escrevem no
Twitter e Facebook. Dizem até que devo estar sofrendo de alguma compulsão. Vejo
que muitos diriam: “Fazem15 vários dias que venho prestando atenção”, só que
ainda não sei ao certo quem faz os dias, quando descobrir, vou pedir para que
faça uns da semana com 36 horas, pelo menos, porque eu preciso!
E
em que parte da máquina fica o botão que apaga definitivamente o seje16, o
esteje17 e o vinhesse18 do mundo?
Se
encontrar, aperte forte!
-
O que ouve19 com você?
-
Estou surda!
Por
favor e por tudo que é mais sagrado, compartilhe essa ideia, porque
simplismente20 necessitamos de uma língua melhor escrita!
Salvem
o português!
Corrigindo:
1
- No título (O português vai estar morrendo):
Não
é possível em lugar nenhum no mundo que alguma coisa esteja acontecendo agora e
no futuro ao mesmo tempo. A não ser que tenham inventado uma máquina do futuro
no presente ou... sei lá!
O
legal é dizer: O português está morrendo/O português vai morrer
2-
E no Mas/Mais:
Mas:
conjunção adversativa, equivale a porém, contudo, entretanto:
Ex.: A felicidade voa tão leve, mas tem a vida breve.
Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos:
Ex.: Este é o curso mais caro da faculdade.
Ex.: A felicidade voa tão leve, mas tem a vida breve.
Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos:
Ex.: Este é o curso mais caro da faculdade.
3-
Escultar: É uma palavra que eu desconheço. Se a palavra refere-se ao verbo
ouvir, o correto é escutar.
4-
Agente/A gente: A gente é uma forma popular da primeira pessoa do plural:
nós.
Exemplo: A gente foi lá ontem.
Exemplo: A gente foi lá ontem.
Já
agente, sem espaço entre o "a" e o "gente", é um
substantivo, uma palavra que designa uma pessoa que exerce determinada atividade:
agente de viagem, agente de serviço, etc.
5-
Arrazando: Primeiro, se ao dizer ARRAZAR estão querendo dizer ARRASAR, eu não
sei porque usam essa palavra quando querem dizer que fulana ARRAZOU com aquele
vestidinho.
Por
que?
Vejam,
segundo o Aurélio, Arrasar é: Tornar raso. Nivelar. Demolir, destruir.
É
isso mesmo que estão querendo dizer sobre o uso do vestido?
Não,
sei não!
6-
Talves: Talvez é com Z.
7- Concerteza: Com certeza.
8- Derrepente: De repente.
9-
Nada haver: Nada mesmo! A não ser NADA A HAVER no sentido de nada a receber,
agora se for algo que não diz respeito a/não condiz com, o certo é NADA A VER.
10-
Quiz: Se for do verbo querer, é melhor QUIS.
11-
Mim/Me: Dica simples, se MIM não vier seguido de (a, para, de, sem, por...),
então coloque o ME que fica mais bonito.
12-
Com migo, não! COMIGO, sim!
13-
MEIA cansada? Só se for uma meia velha cansada do seu pé. Se for para dizer que
está um tanto cansada, o correto é MEIO cansada.
14-
Quem SUA fica suado. Quem SOA faz barulho.
15- O verbo FAZER, referindo-se a
"tempo decorrido", é IMPESSOAL (=sem sujeito); por isso só deve ser
usado no SINGULAR.
Exemplo:
FAZ dez anos que não nos vemos.
16-
Seje: Isso não existe! É SEJA.
17-
Esteje: Isso não existe! É ESTEJA.
18:
Vinhesse: Isso é o que mais não existe. É VIESSE.
19-
Se era “o que aconteceu com você?”, então é HOUVE.
20-
Simplismente: Vem de SIMPLES, portanto é simplesmente.
*Leide Franco - Comunicadora com pretensões literárias;
Um pouco de filosofia e reflexões cotidianas;
Um muito de MPB
E quase nada do que ainda quero ser.
Escreve às segundas-feiras.







