CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

6.1.12


Entrevista 10 x 140

Perfil de Claudia Santa Rosa – Natal/RN, casada, doutora em educação, fundadora do Instituto de Desenvolvimento da Educação(IDE), há 21 anos na rede de ensino estadual.

P- Você é uma pessoa conhecida como apaixonada pela educação. O que é uma escola de qualidade?
Claudia Santa Rosa – apaixonada pela possibilidade de empoderamento das pessoas através do conhecimento. Escola de qualidade é aquela que garante aprendizagem.

P- Fale sobre essa sua experiência de 21 anos na escola pública?
Claudia Santa Rosa – anos intensos de muito aprendizado e superação. Aluna de escolas estatais, desde os 7 anos, desenvolvi um forte compromisso com a equidade.

P- Quais são os grandes problemas da escola pública no RN?
Claudia Santa Rosa – temos gestão frágil e pouco profissional em todas as instâncias; baixa valorização dos professores, secundarização do que é essencial... 

P- Tem solução para a escola pública no Rio Grande do Norte?
Claudia Santa Rosa – tem, claro! Prioridade! Dispor pessoas certas nos lugares certos. Afastar ingerências políticas, investir com licitude, planejar e avaliar.

P- Quantos anos vamos levar para ter uma escola de qualidade no Rio Grande do Norte para todos?
Claudia Santa Rosa - Em 5 anos ou em um século. Dependemos de estadistas, gestores comprometidos com o bem comum. Trabalho para que tenhamos hoje.

P- Qual sua opinião sobre a tese da federalização da educação?
Claudia Santa Rosa – Positiva! A partilha de responsabilidades não tem funcionado.O "bolo" tributário é mal dividido e há municípios que não conseguem investir.

P- Fale da escola em Natal que você é coordenadora pedagógica.
Claudia Santa Rosa – Casa de Saberes é um projeto especial de escola. Sofre, sobretudo, com a nossa perversa política de recursos humanos.Requer mais autonomia.

P- Você tem o blog www.claudiasantarosa.com Fale sobre ele.
Claudia Santa Rosa – É um espaço, nesses "tempos de mundo", para compartilhar ideias, opiniões. Nasceu das solicitações de informações sobre o meu trabalho.

P- O que é o Twitter para você?
Claudia Santa Rosa – Um território plural e social. Permite conexões de pessoas em rede, disseminação de informações,opiniões e até das "verdades" de cada um(a).

P Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?
Claudia Santa Rosa - Ler, sempre! Filmes, especialmente de ação, circuito dos restaurantes e cafés, na companhia de Hélio.Dormir! Vejo TV, até os religiosos rs.

*se você quer conhecer um pouco mais a Claudia Santa Rosa converse com ela no Twitter @ClaudiaStaRosa

OBS: Entrevista publicada em fevereiro de 2011


Fora os papéis guardados no arquivo de sua família, os manuscritos de Clarice Lispector são muito raros em coleções privadas. Com a fama cada vez maior da escritora e o número crescente de admiradores no exterior existe inclusive uma grande procura por seus documentos de parte de universidades, e Instituições, e colecionadores estrangeiros.
Por Pedro Corrêa do Lago, em seu blog



A página manuscrita aqui reproduzida contém uma frase belíssima que não chegou à versão publicada de A Hora da Estrela e que menciona Macabéa, talvez uma de suas personagens mais famosas. São apenas três frases: “Macabéa não sabia como se defender da vida numa grande cidade. Ela que tinha um sonho impossível: o de um dia possuir uma árvore. Que árvore, que nada: não havia nem grama sob os seus pés”.

No final de sua vida Clarice andava anotando coisas em pedacinhos de papel, cheques, guardanapos e até mesmo maços de cigarros. Uma de suas secretárias vivia guardando os pedaços no envelope, e nesta página manuscrita aparece uma menção em outra letra para identificar o fragmento – provavelmente na caligrafia de sua enfermeira/assistente Siléa Marchi: “(Macabéa quando vem para o Rio)”. Clarice sofrera muito com as sequelas do incêndio que quase lhe custara a mão com que escrevia. Nos últimos anos estava bastante fraca, e o ferimento na mão também explica a letra pouco legível.


Sua editora principal era sua grande amiga Olga Borelli, que ajudou Clarice a organizar suas últimas grandes obras-primas como "Água Viva", "A Hora da Estrela", assim como o póstumo "Sopro de Vida". A recente biografia de Clarice por Benjamin Moser cita Olga Borelli comentando o método editorial da grande escritora:

“Respirar junto, é respirar junto ... Porque existe uma lógica na vida, nos acontecimentos, como existe num livro. Eles se sucedem, é tão fatal que seja assim. Porque se eu pegasse um fragmento e quisesse colocar mais adiante, eu não encontraria onde colocar. É como um quebra-cabeça. Eu pegava os fragmentos todos e ia juntando, guardava tudo num envelope. Era um pedaço de cheque, era um papel, um guardanapo […] Eu tenho algumas coisas em casa ainda, dela, e até com cheiro de batom dela. Ela limpava o lábio e depois punha na bolsa […] de repente, ela escrevia uma anotação. Depois de coletar todos estes fragmentos, comecei a perceber, comecei a numerar. Então, não é difícil estruturar Clarice, ou é infinitamente difícil, a não ser que você comungue com ela e já tenha o hábito da leitura.”

Esse manuscrito inédito de grande interesse para a obra de Clarice me foi comunicado por seu atual detentor.


A doação ao Arquivo Nacional do acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes pode incentivar a entrega de outros documentos que ajudem a Comissão da Verdade a rever o período da ditadura militar (1964-1985). A avaliação é do diretor do arquivo, Jaime Antunes, que lançará neste ano uma campanha para receber esses documentos.
Agência Brasil

"Vamos fazer um chamamento, como fizemos em 2009, para que arquivos de civis e militares sejam incorporados como fonte de informação do período em que o Estado mostrou sua força ante movimentos de contestação", disse o diretor. Segundo ele, é comum que pessoas que ocupam cargos públicos misturem com seus artigos pessoais documentos de governo.
Antunes disse que a iniciativa da família de Prestes, que doou sete pastas de material, dentre as quais uma lista com 233 nomes de torturadores - elaborada por presos políticos de São Paulo e datada de 1976 - abre caminho para reconstruir o período de exceção democrática, tarefa da Comissão da Verdade, criada pelo Congresso Nacional.

Durante a cerimônia de doação dos documentos, produzidos ou acumuladas entre as décadas de 1970 e 1990 por Prestes, a viúva do político comunista, Maria Prestes, disse que espera ajudar na consolidação da Justiça, contra os torturadores. "Por que a gente tem que só apanhar? Se tem Justiça no Brasil, a Justiça deve apurar e deve punir".

Maria Prestes disse que a lista com os 233 nomes de torturadores foi entregue a seu marido por "homens de confiança" do Partido Comunista. "Nessa época, todo material de valor era levado para que Prestes tomasse conhecimento. Ele guardou e eu estou doando", contou a viúva.

A relação chegou a ser publicada por um jornal, que sofreu na época dois atentados e coincide com levantamento feito pelo Grupo Tortura Nunca Mais, organização não governamental que busca esclarecimento pelas mortes e desaparecimentos de militantes políticos no período.

Também constam do acervo de Prestes, cartas enviadas a líderes políticos como Fidel Castro, relatos da repressão no Brasil e documentos em favor da redemocratização, além de correspondências trocadas com os noves filhos da união com Maria Prestes. "Há um vasto material de uma atividade internacional e pessoal", disse um dos herdeiros, Luiz Carlos Prestes Filho.
Membro do Partido Comunista Brasileiro, obrigado a viver na clandestinidade em diversos períodos de sua vida, Prestes denunciou internacionalmente atrocidades do regime militar, principalmente de Moscou, onde viveu exilado por oito anos, desde 1971.

Antes disso, durante o Estado Novo, também brigou contra a ditadura de Getúlio Vargas. Neste período, sua primeira mulher, a alemã Olga Benário, que pertencia a Internacional Comunista, foi deportada grávida para a Alemanha de Adolf Hitler. Lá, foi morta em uma câmara de gás. A filha do casal, Anita Leocádia Benário Prestes foi criada pela avó paterna.


CINEMA – Por Carlos Emerenciano*

Considero indispensável, vez em quando, que nos deparemos com certas situações que funcionem como choque de realidade ao véu de ignorância, sob o qual, confortavelmente, costumamos nos proteger. É o que vem ocorrendo comigo nos últimos dias. A miséria tem batido à minha porta, avisando-me para não dar ouvido aos boçais que berram, aos quatro cantos, que somos um país desenvolvido. Aliás, bem ao estilo da surrada (e antes criticada) cantilena do ame-o ou deixe-o.

Não que eu queira, caro leitor, fazer coro aos profetas da desgraça ou mesmo me transformar em desmancha-prazeres. Longe disso! Não sei se o fato de ser pai de um filho com 10 meses de nascimento tenha contribuído para aumentar a minha sensibilidade ao sofrimento alheio, principalmente quando envolve crianças que deveriam receber toda a atenção do Estado e da Sociedade.

Desculpe-me, caro leitor, mas é com esse estado de espírito que peço a sua atenção. Todas as minhas reflexões voltaram-se, num primeiro momento, para a terrível herança de injustiças sociais que, não nos enganemos, estamos longes de superar. Pousaram, todavia, depois, na relação pai e filho, na vivência das dificuldades e da importância de manter íntegros o respeito e a admiração na figura paterna.

Com esse estado de espírito, não poderia escolher outro filme para a nossa conversa semanal sobre cinema que não o essencial "Ladrões de bicicleta" (Ladri di biciclette, 1948), do premiado diretor italiano Vittorio de Sica. Essa obra-prima integra um conjunto de filmes que, por semelhanças no tratamento estético e na contundência da crítica social, compõe o neorrealismo italiano.

Deve ser por essa razão e pela conhecida militância política de Vittorio de Sica, que sempre se enfatiza, nos comentários e críticas sobre o referido filme, o seu indisfarçável caráter político. As críticas às injustiças, à desumanidade, à brutalização das pessoas são evidentes e reconhecidamente bem sucedidas. Ao término do filme, qualquer homem de bem se questiona sobre a sociedade que queremos e sobre o porquê da manutenção de um estado de coisas que nos faz pensar vivermos em plena barbárie. Será que estou dramatizando ou os velhos, mulheres e crianças que minguam em busca de atendimento médico, os meninos e meninas que passam de ano sem nada aprender e as vidas que são ceifadas na guerra do dia-a-dia me dão alguma razão?

Quero, porém, enfatizar a comovente relação entre Antônio Ricci (Lamberto Maggiorani) e Bruno (Enzo Staiola). Ricci sai, pelas ruas de Roma, em busca de emprego. Não que a motivação seja insuficiente, mas não se trata apenas de questão de sobrevivência e de levar o pão de cada dia para a mesa do paupérrimo lar. Sobressaem-se, ao longo do filme, as trocas de olhares entre pai e filho que revelam cumplicidade, afeto, reconhecimento. Em suma, o amor em sua forma mais pura.

O pai, homem bruto e sem preparo intelectual, desdobra-se para arrancar, a cada momento, a admiração do filho. Os percalços, no entanto, são enormes. Furtam-lhe a bicicleta, justamente o instrumento essencial para manter o trabalho que acabara de conseguir. Vittorio de Sica é o artesão que mistura, no elenco, atores profissionais e pessoas do povo recrutadas de última hora, emprestando à obra forte carga de realismo. As expressões, os olhares dizem muito nesse filme de poucas falas.

Não quero ir além. Espero ter conseguido estimulá-lo a assistir a essa obra que não envelheceu. Antônio Ricci é uma espécie de Fabiano (Vidas Secas, 1938) da cidade grande. Exatamente para onde o sertão continua a enviar Fabianos e Riccis. Por sinal, há uma excelente adaptação do livro de Graciliano Ramos para o cinema, dirigida por Nelson Pereira dos Santos. Mas essa, caro leitor, é uma outra história.

*Carlos Emerenciano - Apreciador de um bom filme, dividirá com os leitores suas impressões sobre cinema todas as sextas-feiras.
Twitter: @cemerenciano
e-mail: aemerenciano@gmail.com

5.1.12

Por Gustavo Maia (@GustavoMaia1)

A abstração do conhecimento é tão admirável que pode construir inclusive redes. O conhecimento é a força motriz da sociedade, é a essência, a origem de uma admiração. Teoricamente esse conhecimento está disponível a todos, lembro que o conhecimento se adquire. É abstrato com poder de construção, principalmente na construção das redes de relacionamentos. Rede se refere ao conjunto de suas relações. Cada nome no dos nossos contatos representa um parceiro potencial para todas as outras pessoas que conhecemos. Todo e qualquer um pode se encaixar em algum lugar do nosso universo profissional em contínua expansão.

Os relacionamentos são os “nós” da rede individual que constituem o futuro da vida profissional e servem de instrumento parar prever o sucesso. Dizem que empresas, organizações e indivíduos são compostos de sua rede de relacionamentos e valorizados de acordo com ela. Se você conseguir organizar os seus relacionamentos em rede, estará gerando um valor duradouro que vai muito além de suas disponibilidades financeiras. Estará criando uma proposição de valor para os novos contatos, o que atrairá novos seguidores para a rede. O valor salta a cada novo ingresso e o salto de valor atrai novos ingressos, formando o produto.

Conectados em redes somos poderosos, em nossa linda cidade Natal podemos ver saltos enormes e promoções pessoais através das redes. Sozinhos, mesmo com toda a sabedoria do mundo, somos impotentes, náufragos à deriva de um oceano impessoal. Sem uma rede, o conhecimento é praticamente inútil, quem detém o conhecimento necessita de proliferação do mesmo. O conhecimento é nossa fonte de energia, nossa bateria, nosso no break. O relacionamento é nosso hardware, nosso processador. Criamos valor com o nosso conhecimento, mas ele só se realiza quando o compartilhamos com a nossa rede.

*Gustavo Maia - 25 anos, natalense, Contador, MBA em Gestão de Pessoas, cursando MBA Gestão de Negócios, Consultor em Franchising.


Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que o Brasil deve registrar este ano 134.170 novos casos de câncer de pele – 62.680 em homens e 71.490 em mulheres. A doença responde por 25% do total de tumores malignos detectados no país e é o tipo de câncer mais comum em pessoas com mais de 40 anos. A recomendação é que as pessoas estejam atentas para o uso do protetor solar, sobretudo durante o período de férias de verão.
Agência Brasil

A orientação, de acordo com o Inca, é aplicar o filtro solar meia hora antes de sair de casa e reaplicá-lo a cada duas horas. O protetor também deve ser reforçado após mergulhos ou em casos de suor intenso. Pessoas de pele clara, sensível à ação dos raios solares ou com doenças cutâneas prévias são as principais vítimas do câncer de pele.

Outro conselho é o uso de roupas confeccionadas com tecidos que têm proteção solar, produzidos com tecnologia especial. Alguns desses materiais, segundo o órgão, chegam a bloquear 98% dos raios ultravioleta.

Em relação ao fator de proteção solar (FPS), a indicação é utilizar, no mínimo, filtro solar número 15. É preciso ainda evitar a exposição ao sol entre as 10h e as 16h, além de usar chapéus, guarda-sol e óculos escuros.

Pessoas que trabalham em exposição direta ao sol, como salva-vidas, pescadores e vendedores ambulantes de praia, estão mais suscetíveis à doença e devem redobrar os cuidados.

Por Carlos Roberto de Miranda Gomes*

 “...um país que respeita e preserva os seus valores deixa de ser apenas uma nação,     passando a ser  “a nação”, àquela em que se tem orgulho de pertencer.” (Fernanda Schimitt - Baclarela em Direito pela UFSM)





A propósito de recente noticiário jornalístico, de que o Estado ingressará com ação contra o tombamento do Estádio Juvenal Lamartine, feito pelo Município de Natal, resolvi tentar esclarecer o assunto, em seus aspectos legais e éticos.


Estádio Juvenal Lamartine

O assunto está regulado no Direito pátrio através da Constituição Federal (art. 216 e incisos), Decreto nº 25, de 30/11/1937 e Lei nº 3.924, de 20/07/61.

A nossa Carta Política de 1988, dispõe sobre o assunto nos termos seguintes:
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem;
I- as formas de expressão;
II- os modos de criar, fazer e viver;
III- as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV- as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V- os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

No campo infra-constitucional, o vetusto Decreto 25, de 1937, já dispunha da mesma forma consagrada na Lei Maior, apenas traçando a formalística. Ainda ele aponta o conceito do instituto ao dispor:
“Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no País e cuja conservação seja do interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história  do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico."

Desta forma, consoante o primeiro parágrafo da disposição constitucional antes transcrita, a competência da iniciativa se impõe ao  Poder Público, com a colaboração da comunidade, que promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.

Ao dispor dessa maneira, quer nos parecer que a expressão “Poder Público” é genérica e, se o titular do domínio se omite em tomar a iniciativa, outro órgão representativo da vontade do povo poderá agir no sentido da preservação do patrimônio público, seja histórico, cultural ou estético.

Qualquer Ente Público, por conseguinte, de forma extraordinária pode intervir na propriedade de bens (coisas ou locais), regulando a sua utilização ou não, sejam eles particulares ou públicos, levando em consideração a supremacia do interesse público, na preservação desses bens ou locais, considerados inestimáveis para a história ou a cultura nacional, regional ou local. A literatura doutrinária registra que pela existência de interesse local a competência pode ser atribuída ao município.

Mesmo assim compreendendo, não descarto que o procedimento administrativo deveria ter sido precedido por audiências públicas, audiência do Conselho de Cultura (se é que não o foi), inclusive com o chamamento do titular do domínio do Estádio Juvenal Lamartine.

Se tais cautelas aconteceram, acho difícil se conseguir a anulação do tombamento, pois a Constituição da República proclama, no inciso III do seu art. 23, que ‘é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos. Caso contrário, o Estado terá direito de ação para justificar que o bem tombado do seu patrimônio não se enquadra nas prescrições legais.

Na condição de procedimento administrativo, que se desenvolve em uma sequência de atos preparatórios e onde é permitida a competência concorrente, há de ser tomar todas as cautelas para evitar a invalidade do ato de tombamento.

Vamos acompanhar a batalha e verificar o que deve triunfar – a simples questão da defesa de um patrimônio ou a atitude ética de preservação da memória.

*Carlos Roberto de Miranda Gomes é escritor e advogado


O Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) foi o principal programa do Ministério da Justiça durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, no governo Dilma, o programa perdeu o protagonismo e deixou de ser o principal projeto da pasta. Para o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, é necessário que se retome o Pronasci como prioridade.
Agência Brasil

“Eu não sei detalhes de como está a execução do programa, mas sei que o caminho para se ter uma segurança pública de qualidade está no Pronasci. Nós demoramos 15 anos para chegar a esse programa que foi reconhecido até nas instâncias internacionais. Até a ONU [Organização das Nações Unidas] reconheceu a qualidade do que conseguimos construir no Brasil”, disse.

Balestreri foi titular da Secretaria Nacional do Segurança Pública (Senasp) durante a gestão do então ministro da Justiça, Tarso Genro, e, há duas semanas, recebeu o prêmio Direitos Humanos, na categoria segurança pública, das mãos da presidenta Dilma Rousseff.

No governo Dilma, o Pronasci deixou de ocupar no Ministério da Justiça uma secretaria executiva e foi incorporado pela Senasp. A própria secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki disse, em entrevista à Agência Brasil, em junho do ano passado, que o programa já enfrentava problemas na execução.

Em 2010, dos R$ 2,1 bilhões destinados pelo Orçamento Geral da União (OGU), R$ 700 milhões se transformaram em restos a pagar.
“Tivemos um corte financeiro muito grande. Aqueles projetos que não entraram em restos a pagar foram cortados, os que entraram nós estamos pagando. Mesmo com o corte, priorizamos executar aquilo que tivermos condições. Nessa linha, não adianta conveniar novos [projetos], por isso estamos priorizando agora os restos a pagar, para depois [priorizarmos] os convênios”, disse a secretária.
“Toda política tem um momento de elaboração e não foi diferente com o Pronasci. A vinda do Pronasci para dentro da secretaria nacional significa que foi uma política aprovada no seu conceito”, disse ainda a secretária que defendeu uma “remodelagem” na execução de programa.

Para Balestreri, o principal avanço do Pronasci foi superar a ideia de que cabe somente aos estados a tarefa de fazer segurança pública. “Não há como fazer segurança pública sem o comprometimento dos três níveis da administração Pública. O que o Pronasci fez foi marcar a atuação conjunta da União, dos estados e municípios na área de segurança. Ele quebrou esse antigo paradigma. Essa ideia de que é atribuição dos estados ficou no passado”, avaliou.

A secretária reconheceu o avanço mas ressalvou que a gestão envolvendo três níveis da administração é mais complexa. “Se você tem uma gestão em três níveis diferenciados, para, além disso, tem uma gestão transversal em várias áreas, é óbvio que é uma complexidade. Faltava esse ingrediente de gestão e isso estamos fazendo agora. Ninguém disse que o Pronasci era fácil, mas mudar o paradigma foi papel do Pronasci”, ressaltou.

O sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul José Vicente Tavares dos Santos acredita que o Pronasci continua, porém foi atualizado após a constatação de que o crime organizado detém um poder territorial nos bairros. “Existia há dois anos, era uma tarefa emergencial para desarticular o poder territorial. Essa questão das UPPs [unidades de Polícia Pacificadora] afunilaram o protagonismo [do Pronasci]”.

Em 2010, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez uma série de auditorias a fim de fiscalizar o programa. Segundo o relatório do tribunal, foram encontradas algumas fragilidades na execução do Pronasci, como a falta de informações sobre as ações no Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento do Governo Federal (Sigplan), além da ausência de relatórios avaliativos com indicadores que possibilitem a avaliação de resultados.

De acordo com o TCU, apenas cinco estados concentraram 54% dos recursos do Pronasci repassados às unidades da Federação entre 2008 e março 2010. O Rio de Janeiro recebeu R$ 140,2 milhões, o que corresponde a 14% de mais de R$ 1 bilhão transferidos a estados e municípios. Em seguida vem o Rio Grande do Sul (R$ 128,9 milhões - 13%), São Paulo (R$ 114,2 milhões - 11%), Goiás (R$ 79 milhões - 8%) e Bahia (R$ 76,5 milhões – 8%).

2.1.12


“COISAS DA VIDA” – Por @LeideFranco*

É aqui, é acolá, sempre tem um indivíduo cometendo crimes contra a natureza da norma culta da língua portuguesa. Enquanto defendem a inclusão digital e oferecem oportunidades para que o número de pessoas conectadas à internet aumente, eu defendo a alfabetização.

É um mais2 fora da adição, é um L metido onde não deve ou fora do lugar, sobrando, como por exemplo escultar3 uma música e  um agente4 referindo-se a “nós”. É um caso sério. Tão sério que deve fazer Manuel Bandeira chorar de incontrolável tristeza.

A internet, ou melhor, algumas pessoas que fazem o uso dela, vêm arrazando5 e maltratando a pobre língua portuguesa. Não estou falando de “internetês”, estou falando da falta de leitura de livros, jornais, revistas e da falta de prática com a escrita feita com caneta em papel pautado.

Enquanto as crianças estiverem aprendendo a digitar, antes de aprender a escrever, vamos criar uma “Geração Z” ou qualquer outra de qualquer outra letra ‘bytizada’ no dialeto abreviado da rede mundial de computadores.

Não precisa ser um português de Machado de Assis, mas é inadmissível que leiamos os talves6, concerteza7, derrepente8 ou ainda o nada haver9. E o Quiz?10 Quisera que soubessem que é um jogo! E o mim11 segue que eu sigo de volta? Prefiro morrer! Eu, tu, eles, nós, vós, eles, todos estes somos gente. Um dia vão aprender que mim11 não é ninguém e, portanto não conjuga verbo.

Com migo12 não tem vez. Não mesmo! Eu não estou meia13 cansada disso, eu estou inteiramente cansada disso! Lembre-se, quando faz calor você sua e não soa14, a não ser que quando o sol do pingo do meio dia aquece, você sai gritando por aí, fazendo soada (barulho).

Faz vários dias que venho prestando atenção na forma que as pessoas escrevem no Twitter e Facebook. Dizem até que devo estar sofrendo de alguma compulsão. Vejo que muitos diriam: “Fazem15 vários dias que venho prestando atenção”, só que ainda não sei ao certo quem faz os dias, quando descobrir, vou pedir para que faça uns da semana com 36 horas, pelo menos, porque eu preciso!


E em que parte da máquina fica o botão que apaga definitivamente o seje16, o esteje17 e o vinhesse18 do mundo?
Se encontrar, aperte forte!

- O que ouve19 com você?

- Estou surda!

Por favor e por tudo que é mais sagrado, compartilhe essa ideia, porque simplismente20 necessitamos de uma língua melhor escrita!

Salvem o português!

Corrigindo:

1 - No título (O português vai estar morrendo):

Não é possível em lugar nenhum no mundo que alguma coisa esteja acontecendo agora e no futuro ao mesmo tempo. A não ser que tenham inventado uma máquina do futuro no presente ou... sei lá!

O legal é dizer: O português está morrendo/O português vai morrer

2- E no Mas/Mais:

Mas: conjunção adversativa, equivale a porém, contudo, entretanto: 
Ex.: A felicidade voa tão leve, mas tem a vida breve. 
Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos: 
Ex.: Este é o curso mais caro da faculdade. 

3- Escultar: É uma palavra que eu desconheço. Se a palavra refere-se ao verbo ouvir, o correto é escutar.

4- Agente/A gente: A gente é uma forma popular da primeira pessoa do plural: nós.
Exemplo: A gente foi lá ontem.

Já agente, sem espaço entre o "a" e o "gente", é um substantivo, uma palavra que designa uma pessoa que exerce determinada atividade: agente de viagem, agente de serviço, etc.

5- Arrazando: Primeiro, se ao dizer ARRAZAR estão querendo dizer ARRASAR, eu não sei porque usam essa palavra quando querem dizer que fulana ARRAZOU com aquele vestidinho.

Por que?

Vejam, segundo o Aurélio, Arrasar é: Tornar raso. Nivelar. Demolir, destruir.

É isso mesmo que estão querendo dizer sobre o uso do vestido?
Não, sei não!

6- Talves: Talvez é com Z.

7-  Concerteza: Com certeza.

8-  Derrepente: De repente.

9- Nada haver: Nada mesmo! A não ser NADA A HAVER no sentido de nada a receber, agora se for algo que não diz respeito a/não condiz com, o certo é NADA A VER.

10- Quiz: Se for do verbo querer, é melhor QUIS.

11- Mim/Me: Dica simples, se MIM não vier seguido de (a, para, de, sem, por...), então coloque o ME que fica mais bonito.

12- Com migo, não! COMIGO, sim!

13- MEIA cansada? Só se for uma meia velha cansada do seu pé. Se for para dizer que está um tanto cansada, o correto é MEIO cansada.

14- Quem SUA fica suado. Quem SOA faz barulho.

15-  O verbo FAZER, referindo-se a "tempo decorrido", é IMPESSOAL (=sem sujeito); por isso só deve ser usado no SINGULAR.
Exemplo: FAZ dez anos que não nos vemos.

16- Seje: Isso não existe! É SEJA.

17- Esteje: Isso não existe! É ESTEJA.

18: Vinhesse: Isso é o que mais não existe. É VIESSE.

19- Se era “o que aconteceu com você?”, então é HOUVE.

20- Simplismente: Vem de SIMPLES, portanto é simplesmente.

*Leide Franco - Comunicadora com pretensões literárias; 
Um pouco de filosofia e reflexões cotidianas; 
Um muito de MPB
E quase nada do que ainda quero ser. 
Escreve às segundas-feiras.


Estação Música Total

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