CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

27.11.11


A ideia de que a superelite nos EUA é composta por criadores de empregos é ciência econômica falha.
Por Paul Krugman, na Folha de S.Paulo

"Nós somos os 99%" é um grande slogan. Define corretamente a questão como sendo classe média X elite (em oposição a classe média X pobres). E combate a noção do establishment de que a desigualdade crescente se deve aos mais bem instruídos, que se saem melhor que os menos instruídos; os grandes vencedores nesta nova Era Dourada vêm sendo algumas poucas pessoas muito ricas, e não pessoas diplomadas.

Mas o slogan dos 99% ainda diz pouco. Uma grande parcela dos ganhos do 1% mais rico na realidade se concentra em um grupo ainda menor, o 0,1% mais rico -o milésimo mais rico da população.

Segundo relatório de 2005, de 1979 até esse ano, a renda líquida, ajustada para a inflação, dos americanos na faixa de renda mediana subiu 21%. O aumento equivalente do 0,1% mais rico foi de 400%.

Então, por que os republicanos defendem cortes ainda maiores nos impostos dos muito ricos, ao mesmo tempo em que avisam sobre deficit e exigem cortes dramáticos nos programas de seguro social?

A resposta de praxe é que a superelite é feita de "criadores de empregos" -ou seja, que ela faz uma contribuição especial para a economia. Isso é ciência econômica falha.

Afinal, em uma economia de mercado idealizada, cada trabalhador ganharia o equivalente ao que contribui para a economia por optar por trabalhar -nem mais, nem menos. Isso se aplicaria igualmente a operários que recebem US$ 30 mil por ano e executivos que ganham US$ 30 milhões. Não haveria razão para considerar que as contribuições de quem ganha US$ 30 milhões merecem tratamento especial.

Alguns dos muito ricos ficam muito ricos por produzir inovações que valem muito mais para o mundo do que a receita que ganham. Mas, se olharmos para quem realmente compõe o 0,1%, é difícil deixar de concluir que, de modo geral, a superelite ganha demais pelo que faz.

Quem são os membros do 0,1%? Muito poucos são inovadores como Steve Jobs; a maioria é formada por figurões de grandes empresas e executivos do setor financeiro, profissões longe de ter relação clara entre a receita da pessoa e a contribuição econômica que ela faz.

Salários de executivos, que subiram vertiginosamente, são definidos por conselhos diretores nomeados pelas próprias pessoas cujos ganhos eles determinam. CEOs de baixo desempenho recebem salários generosos. E executivos fracassados, muitas vezes, ganham milhões quando deixam empresas.

Enquanto isso, a crise mostrou que boa parte do valor criado pelo setor financeiro moderno era uma miragem. Nas palavras recentes de um diretor do Banco da Inglaterra, os retornos altos antes da crise simplesmente refletiram os riscos adicionais -não dos próprios especuladores, mas de investidores ingênuos ou contribuintes, que levaram prejuízo quando tudo deu errado.

Como observou o diretor: "Se assumir riscos adicionasse valor, os jogadores de roleta russa fariam uma contribuição desproporcional para o bem-estar global".

Será que os 99,9% deveriam odiar o 0,1%? De maneira alguma. Mas deveriam ignorar a propaganda sobre "geradores de empregos" e exigir que a superelite pague substancialmente mais em impostos.

26.11.11

Natal é a segunda menor capital do Brasil em extensão territorial com 170 quilometros quadrados.
Todos os meses contabiliza um aumento médio na frota de 2.000 carros e 2.500 motos novos.
A Copa/2014 em Natal foi anunciada prometendo obras de mobilidade urbana.
Até agora só o estádio Machdão foi ao chão.

Entrevista 10X140 - Por Marígia Tertuliano (@Marigiamadje)

Perfil de Paulo Araújo - Currais Novos/RN Dir. de Jornalismo da SIM TV - Rede TV. Estudante de Gestão de Políticas Públicas UFRN. Colaborador de algumas revistas.

P- Você morou na África e conviveu com a diversidade socioambiental. Qual é a falácia, ainda difundida mundo a fora,já superada pelos Africanos?
Paulo- Que são atrasados. Eles não usaram telefone com fio nem internet a cabo. Já queimaram essa etapa e foram direto pro smartphone e wireless

P- A realidade africana influenciou a sua decisão de voltar à Universidade para cursar Políticas Públicas?
Paulo- Foi um projeto de gestão pública, implantar um jornal para o governo, que me levou para lá, então uma coisa puxou a outra. Gosto muito.

P- Você planeja candidatar-se a algum cargo eletivo? Como analisa o momento político local, face às perspectivas para 2012?
Paulo- Fui presidente da colônia de jornalistas que mora em SP por 2 anos, então...O cenário local é de empobrecimento do debate.

P- Você dirige a SIM TV e vem inovando com programas educativos. Quais as exigências dos telespectadores e como o mercado está vendo a proposta?
Paulo- Se o que for mostrado ou dito na TV desagradar, o controle remoto é o nosso carrasco. Só vai ao ar o que for bom, nos seus estilos.

P- Como a TV aberta pode ajudar à sociedade ampliar o controle e a participação social às questões de seu interesse?
Paulo- Sendo uma caixa de ressonância, mostrando problemas, cobrando soluções, fazendo o gestor público se explicar o tempo todo.

P- Você é culto, bem relacionado e workaholic. Como faz para viver no meio do furacão e não ser engolido por este?
Paulo- Ahaha, discordo! Sou apenas um sertanejo que fez datilografia no Senac. A vivência com as cigarras na seca, e o caos de SP, me educaram.

P- O microconto está na moda. Crie um em 140 caracteres que enalteça Currais Novos.
Paulo- Sertão de memórias e histórias e homens fortes e gado e comida e açude e paz e fé e dor e cor e sabedoria e saudade e poesia e Santana.

P- Quando não está trabalhando ou estudando o que você mais gosta de fazer?
Paulo – Ser jornalista é trabalhar 24 horas, profissão cruel essa...deitar na rede, embaixo do alpendre, quando dá, me dá gosto.

P- O que é o Twitter para você?
Paulo- Um microblog que dá a o usuário a possibilidade de ser jornalista, onde estiver, para o bem ou para o mal da sociedade.

*Se você quer conhecer um pouco mais o Paulo Araújo converse com ele no Twitter @praujo

Agência Brasil
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 530.542 ligações até outubro deste ano. Ao todo, foram contabilizados 58.512 relatos de violência – 35.891 de violência física; 14.015 de violência psicológica; 6.369 de violência moral; 959 de violência patrimonial; 1.014 de violência sexual; 264 de cárcere privado; e 31 de tráfico de mulheres.

Um dos dados que mais chama a atenção, de acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, é o que mostra que a violência moral e a violência psicológica, juntas, representam 34,9% do total de ligações.

O balanço revela ainda que a maior parte das mulheres que entrou em contato com o Ligue 180 e que é vítima de violência tem entre 20 e 40 anos, ensino fundamental completo ou incompleto e convive com o agressor há pelo menos dez anos. Ao todo, 82% das denúncias são feitas pela própria vítima.

Ainda segundo o levantamento, 44% das mulheres que entraram em contato com o serviço declararam não depender financeiramente do agressor e 74% dos crimes são cometidos por homens com quem as vítimas têm vínculos afetivos/sexuais (companheiro, cônjuge ou namorado).

Em números absolutos, o estado de São Paulo lidera o ranking nacional com 77.189 atendimentos, seguido pela Bahia (53.850) e pelo Rio de Janeiro (44.345).

Quando considerada a quantidade de atendimentos relativa à população feminina por estado, o Distrito Federal aparece em primeiro lugar, com 792,6 atendimentos para cada 100 mil mulheres, seguido pelo Pará (767,3) e pela Bahia (754,4).

Entre abril de 2006 e outubro deste ano, o Ligue 180 registrou 2.188.836 atendimentos. Desde janeiro de 2007, quando o sistema foi adaptado para receber demandas sobre a Lei Maria da Penha, a busca por esse tipo de serviço totalizou 438.587 ligações.

De acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher é um serviço de utilidade pública de emergência, gratuito e confidencial, que funciona 24 horas todos os dias da semana – inclusive finais de semana e feriados.

Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a crise internacional vai agravar-se, mas que o governo não precisa tomar nenhuma medida para conter a valorização do dólar. Segundo ele, o dólar está se valorizando no Brasil porque está “repercutindo o agravamento da crise internacional”.

“A crise não está sendo resolvida pelos países avançados, que são os responsáveis por esta crise. No caso dos Estados Unidos, há uma lentidão no crescimento [econômico] e conflitos políticos. Mas particularmente a situação europeia é que não tem uma resolução clara e efetiva. Os países [europeus] não conseguem tomar as medidas necessárias”. Para o ministro, a crise ainda vai agravar-se mais. “Mas talvez o agravamento nos leve a uma solução. Só o agravamento fará com que eles tomem as medidas que devem tomar”.

Mantega comparou a crise europeia a um prédio em chamas. Segundo ele, o fogo começou no primeiro andar, onde estavam a Grécia e Portugal. Depois passou para o segundo andar, onde estava a Espanha e terceiro andar, onde estava a Itália. Na cobertura do edifício está a Alemanha. “Começou a pegar fogo lá embaixo, mas existem carros de bombeiros com escadas que poderiam salvar, mas que não estão operando. Finalmente o calorzinho chegou lá na Alemanha. Eles têm água suficiente para apagar o incêndio, que é a liquidez do Banco Central Europeu. A questão é que eles não estão usando. Estão pressionando para que os países façam o ajuste fiscal para que depois usem esse instrumento”, comparou.

Para o ministro, a Europa deverá encontrar uma solução para o problema até fevereiro, embora a solução não vá significar um “mar de rosas”, destacou. “Os problemas vão persistir. Se eles não pensarem em estimular a economia, não vão crescer. O Brasil precisa se preparar para isso. Temos aqui condições que eles não têm, que é o mercado. Vamos continuar dando condições para que o mercado brasileiro continue se expandindo”.

O ministro também falou sobre o Plano Brasil Maior. Segundo o ministro, a lentidão na implementação do plano se deve aos trâmites legais. “Primeiro se faz a medida provisória e aí tem que esperar que o Congresso a aprove. Depois, ela precisa ser regulamentada e implementada. A maioria das medidas já está entrando em vigor, mas a demora de dois ou três meses é normal porque a lei tem que ser aprovada e regulamentada”.

25.11.11


Entrevista 10 x 140 – Por Pedro Henrique (@PH_natal)

Perfil de Douglas Félix - Rio de Janeiro/RN, 31 anos, formado em Publicidade. Ilustrador, desenhista, administrador de site de humor.

P- Em que momento você decidiu fazer o curso de Publicidade? 
Douglas - Na hora que vi que precisava ganhar ganhar dinheiro, ter uma profissão. E na época me identifiquei com Publicidade.

P- Como é desenvolvida sua atividade de ilustrador no site 'Parafernalha'?
Douglas - Sou responsável pela parte de imagens engraçadas e tirinhas. Produzo coisas p/ pessoas rirem. Ou soltarem um leve sorriso de canto de boca.

P- É fácil viver da arte da ilustração?
Douglas - Não é fácil, mas é prazeroso demais.

P- Como surgiu a ideia do estúdio de ilustrações Impact Storm?
Douglas - Um grupo de alunos se reunia p/ produzir quadrinhos. Fui convidado por um Professor da turma e a coisa ficou séria e virou estúdio.

P- Fale um pouco sobre o site de humor Pancheta Suja.
Douglas - É onde solto minhas bobagens, sejam tiras, quadrinhos... onde posso me divertir em forma de rabiscos.

P- As redes sociais lhe ajudam para inspirar suas atividades?
Douglas - Ajudam, e muito!

P- Futebol. O que achou do sorteio dos jogos da Copa 2014 em relação ao jogo do Brasil no Maracanã somente se for para a final?
Douglas - Olha, te falar que não tô muito empolgado não... essa seleção do Mano Menezes não tá me convencendo. Só acompanho o Vasco, meu time.

P- O Rio de Janeiro continua lindo?
Douglas - O Rio de Janeiro continua sendo.

P- O que é o Twitter para você?
Douglas - Um lugar onde posso falar o que quiser, sejam coerentes ou não. Uns levam a sério, outros não. E vou me divertindo.

P- Quando não está trabalhando/estudando o que você mais gosta de fazer?
Douglas - Sou desenhista, então quando não estou trabalhando, eu desenho pra relaxar. E quando dá sol curto uma praia.

*Se você quer conhecer um pouco mais o Douglas Félix converse com ele no Twitter @chatodemais

O comércio eletrônico deve movimentar R$ 2,6 bilhões no Natal deste ano, o que representa um crescimento nominal de 20% em comparação a 2010. A expectativa é da e-bit, empresa especializada em informações sobre o setor de e-commerce, como é chamado o comércio eletrônico. Segundo a empresa, o número de pedidos também será maior este ano em comparação ao ano passado, com crescimento estimado de 25%.
Agência Brasil


Com o crescimento no número de pedidos, os órgãos de defesa do consumidor estimam que também deva aumentar o número de queixas contra as lojas virtuais. Segundo o ReclameAQUI, um dos principais sites de reclamações do país, as cinco lojas virtuais mais reclamadas do país – Americanas.com, Submarino, Compra Fácil, Shoptime e Walmart – acumularam 69 mil queixas só nos últimos 12 meses.

Entre as principais reclamações, de acordo com o site ReclameAQUI, estão o atraso na entrega, entrega de produto com defeito, dificuldade de contato com a empresa, cobrança indevida e mau atendimento no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). “Os maiores problemas que temos identificado na Fundação Procon é com relação à entrega dos produtos adquiridos pela internet”, disse Andrea Sanchez, diretora de Programas Especiais da Fundação Procon-SP, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ela, o consumidor deve estar atento ao fazer uma compra pela internet, principalmente durante o período de Natal, em que o volume de pedidos e a ocorrência de problemas na entrega são maiores. “Primeiro, o consumidor deve observar se se trata de um site seguro, com uma chave de segurança normalmente representada por um cadeado no pé do site. E tentar evitar comprar em sites que tenham domínio fora do país, sem o ponto com ponto br [.com.br]”, disse.

Andrea também alerta o consumidor para verificar nas redes sociais e no próprio portal do Procon se os sites de compras virtuais estão gerando reclamações e como eles estão procedendo para solucionar esses problemas. “Os problemas vão existir em todos os segmentos, mas o diferencial é a ação do site para a solução deles”, observou. “O consumidor que comprou pela internet tem o direito, garantido pelo Código de Defesa do Consumidor, de arrependimento pelo prazo de sete dias da data da contratação”, alertou Andrea.

No caso de sites de compras coletivas – aqueles em que são apresentadas ofertas de produtos e serviços com valores mais baixos que no mercado e cujas compras só se validam após a aquisição de cupons por um determinado número de pessoas – a diretora do Procon orienta o consumidor a observar os prazos dados para utilização ou entrega do produto ou do serviço adquirido.

Segundo ela, é preciso também observar as condições da oferta, o período da entrega e as condições de devolução. “Se o consumidor não tiver mais interesse porque passou o prazo ou porque não interessa usufruir daquele produto ou serviço após aquela data, ele pode rescindir o contrato e a restituição paga será devolvida, inclusive com atualização monetária”, explicou.

No começo do mês, a Fundação Procon-SP pediu a suspensão das atividades de três lojas virtuais, todas pertencentes à B2W Companhia Global do Varejo – Americanas.com, Shoptime e Submarino. A motivação do Procon para o pedido de suspensão foi o fato de as empresas reincidirem na prática de não entregar os produtos aos consumidores. Segundo o órgão, a B2W teve um aumento de 146% no número de reclamações feitas por consumidores ao Procon, passando de 1,47 mil queixas, no segundo semestre de 2010, para 3,63 mil, no primeiro semestre deste ano.
No dia 7 de novembro, o Procon também autuou os sites de compras coletivas Groupon, Click On e Peixe Urbano por prática de condutas em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor, tais como não garantir a qualidade dos serviços oferecidos e negar a devolução dos valores nos casos de não prestação de serviço.

Agência Brasil
Cerca de 900 representantes de todos os estados do Brasil participam da 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa. Assuntos como o envelhecimento com qualidade de vida, os avanços e os próximos desafios da Política Nacional do Idoso estão sendo debatidos no encontro. Com o tema O Compromisso de Todos por um Envelhecimento Digno no Brasil a conferência reúne representantes regionais que respondem pelos 21 milhões de idosos em todo o país.

Durante o encontro, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, assinou um termo de cooperação com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) que pretende promover a criação dos Conselhos de Direito dos Idosos e incentivar a implementação de um fundo voltado às políticas públicas para a população com mais de 60 anos. A campanha de valorização à pessoa idosa, com destaque para a divulgação das ações do Disque 100, também foi lançada durante a conferência.

“O Brasil tem avançado muito nos problemas sociais e políticas públicas, não podemos ter nenhum retrocesso com relação ao tratamento dos idosos, quanto mais avançarmos, mais velha a nossa população ficará e é um direito envelhecer com dignidade”, disse a secretária nacional de Promoção dos Direitos Humanos, Nadini Borges. A secretária acrescentou ainda a importância da população idosa para os avanços registrados no país.   “Temos muito agradecer", disse.

Os representantes elaboram ainda uma carta para ser entregue amanhã (25), no plenário, apresentando problemas específicos de cada região e possíveis soluções por intermédio do governo federal. “Estamos com uma expectativa muito grande com relação à entrega do documento, esperamos melhorias e soluções para os problemas destacados”, disse João Alcântara Teixeira, 68 anos, de Fortaleza (CE).

A primeira Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa ocorreu em 2006 e teve como tema central a discussão Construindo a Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa. A segunda conferência foi realizada em 2009 e teve como tema a Avaliação da Rede Nacional de Proteção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa: Avanços e Desafios.
A 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa segue até hoje (25).

Um projeto foi criado para estimular a contratação destes profissionais. Em dois meses, 26 das 146 vagas trabalhadas foram preenchidas por negros
Amanda Camasmie, Época Negócios

Negro ainda sofre preconceito no mercado de trabalho
Ainda existem empresas que não aceitam negros no quadro de funcionários. Essa é a afirmação de Paulo Lourenço Vieira, sócio-diretor da Proton Consultoria, empresa que presta serviços para o segmento de Recursos Humanos. A Proton recebe currículos online e os envia para os seus cerca de 40 clientes – médias e grandes empresas.

“Já aconteceu de um cliente gostar do currículo e rejeitar o candidato por ele ser negro”, afirma Vieira. A situação recorrente fez com que ele e seu sócio, Luiz Cesar Salles Gomes, criassem o Protonegro, um projeto para conscientizar os gestores das companhias a contratar negros. O objetivo do Protonegro também é inseri-los em cargos de maior nível hierárquico.

Desde que o projeto foi criado, há dois meses, foram contratados 26 negros em 146 vagas trabalhadas pela empresa. Alguns deles conseguiram ser empregados como gerentes ou analistas. Outros foram contratados como assistentes administrativos, operadores de caixa ou manobristas. “A discriminação existe de forma velada. O negro ainda está pouco inserido no mercado de trabalho, principalmente em cargos de ponta”, diz.

Pesquisa do Instituto Ethos mostra que os negros são minoria em níveis hierárquicos mais altos. Ocupam 25,6% dos cargos de supervisão, 13,2% dos cargos de gerência e 5,3% das posições de diretoria. Eles também ganham quase a metade do salário dos brancos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o branco ganha em média R$ 1.538, enquanto o negro recebe R$ 834.

Antes do projeto, Vieira conta que enviava o currículo de negros para entrevistas e encontrava alguns bloqueios. Mas agora, falando abertamente sobre a questão, a barreira de resistência tem diminuído. “Depois que conversei com um cliente que não contratava negros, ele passou a incluí-los no processo”. Se esse cliente os contratou? “Ainda não. Mas os negros ainda estão concorrendo no processo seletivo da empresa dele”, afirma Vieira.
A maioria dos brasileiros (67,3%) acredita que a cor ou a raça influencia na vida das pessoas, de acordo com outro estudo do IBGE. A principal situação em que isso acontece é no trabalho, citado por 71%. A pesquisa foi realizada em 15 mil domicílios de cinco Estados (Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso) e no Distrito Federal. O estudo foi divulgado em julho deste ano e as informações foram coletadas em 2008.

Resistências à parte, a participação da população negra no mercado de trabalho está melhorando. As contratações saltaram de 23,4% em 2003 para 31,1% em 2010. Mas o número ainda é baixo se considerarmos que os negros são mais da metade da população brasileira. Pelos números do IBGE, o país conta com 97 milhões de negros e 91 milhões de brancos.

Estação Música Total

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