CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

23.1.11

Entrevista 10 x 140

Foto Canindé Soares

Perfil de Bruno Oliveira – Carioca, 32 anos, natalense por opção e parelhense de coração, casado, 1 filha, MBA em Marketing pela FGV, sócio da Wiib, membro da ABCOP.

P- Carioca, natalense por opção e parelhense de coração. Como é ser tudo isso aos mesmo tempo?

Bruno Oliveira – No RJ só nasci. Em Natal me criei e virei gente. Em Parelhas estão minhas origens. Ser tudo isso é ter orgulho da uma bela história familiar

P- A sua empresa Wiib Inteligência Competitiva é especializada em Business Intelligence e Marketing Digital. Explica como é o seu trabalho.

Bruno Oliveira – Atuamos unindo Marketing e Tecnologia. Temos um sistema que monitora a mídia e somos pioneiros em mídias sociais e presença digital no RN

P- Recentemente a sua empresa ganhou um prêmio regional de inovação. Como foi isso?

Bruno Oliveira – O Inova RN é um prêmio de subvenção, com recursos do Min. Ciência e Tecnologia. Nosso sistema concorreu e foi agraciado por ser inovador

P- Sua empresa também ganhou um prêmio nacional de inovação. Como foi isso?

Bruno Oliveira – O prêmio do Banco Santander também foi com o nosso sistema. Esses prêmios dão respaldo e mostram a característica inovadora da ferramenta

P- O Rio Grande do Norte é promissor para esse mercado que você atua?

Bruno oliveira – Ainda está engatinhando, mas existem sinais de que o nosso mercado está ficando mais atento. Porém não podemos deixar de olhar para fora

P- O empresariado potiguar investe em Novas Tecnologias?

Bruno Oliveira – Está começando a entender que é um caminho sem volta. Mas conheço vários empresários que não tem sequer PC na sua sala. Incrível mas verdade

P- Você publicou o livro Dinâmica Eleitoral do RN. Fala um pouco desse trabalho.

Bruno Oliveira – Foi um trabalho com a Prof Ilza Leão sobre resultados eletorais no RN desde 1960. Ajuda e dá base a uma vertente nossa que é o mkt político

P- Como foi sua experiência em campanhas eleitorais?

Bruno oliveira – Começamos a pouco tempo mas foram 3 campanhas, 3 vitórias. Sinval Salomão (Florânia) e com mkt político digital: Sen Garibaldi e Dep Hermano

P- O que é o Twitter para você?

Bruno oliveira – Liberdade, interatividade, instantaneidade, criatividade e poder da informação disseminado. Características da internet elevadas ao máximo

P- Quando não está trabalhando o que você mais gosta de fazer?

Bruno Oliveira – Brincar com Maria Clara e esquecer do mundo. É como ficar Off e viver apenas o universo dela. Tento aproveitar ao máximo esses momentos

*Se você quer conhecer um pouco mais o Bruno Oliveira converse com ele no Twitter @_brunoliveira

Fábio Farias - jornalista

Uma daquelas coisas que qualquer jornalista aprende logo no início da carreira é quanto ao seu papel na sociedade. O jornalismo, no sentido puro e até um tanto romântico da palavra, é o elemento que dá voz a população, que ajuda na fiscalização do poder, que defende o interesse da maioria. Peça fundamental de qualquer regime que se pretende democrático é ter uma imprensa livre e jornais atuantes, fortes.

Lembro de uma palestra que assisti no Congresso da Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos (Abraji) em São Paulo, no ano passado. O palestrante era Rosental Calmon Alves, ex-editor do Jornal do Brasil e, atualmente, professor de jornalismo da Universidade de Austin, no Texas. O que ele disse foi marcante: o bom jornalista deve, não só ler, mas ter como princípio básico para sua profissão a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Pode parecer romântico ou utópico para os mais pessimistas os preceitos que citei acima, mas acredito que a utopia é que deve ser buscada. O ideal deve ser o nosso norte para tentarmos, sempre, realizar trabalhos melhores, que ajudem na construção de uma sociedade e de um mundo mais justo. Se não há utopia, se não há sonho, o princípio básico do jornalismo e, também, da política perde o seu sentido original.

Teóricos divergem sobre a melhor forma de estimular um jornalismo voltado para um mundo melhor. Se de um lado, na esquerda mais ortodoxa, há o risco do jornal ser peça do Estado e perder a liberdade crítica, de outro, em um sistema capitalista neoliberal, corre-se o risco da imprensa omitir fatos importantes, pelo interesse puramente comercial que a norteia.

Em Natal, alguns fatos tornam essa tensão ainda maior: a íntima relação entre políticos e os meios de comunicação e a dependência destes de verbas publicitárias dos governos estaduais e municipais. Como resultado desse contexto, a cidade atualmente vive uma situação peculiar.

As ações prefeita Micarla de Sousa (PV), que goza de extrema impopularidade, não são investigadas pela imprensa. As críticas da gestão dela são pequenas, pontuais e destoam do sentimento de revolta de grande parte da população que usa os blogs e as redes sociais para manifestá-las.

Enquanto tags como #foramicarla se multiplicam no meio online, o jornalismo, que deveria ter como papel investigar e cobrar ações da prefeita está silencioso, calado. Diferente do que aconteceu com Wilma de Faria (PSB), no final de sua gestão.

Não há nenhuma movimentação na imprensa para investigar e cobrar respostas de por que, por exemplo, a prefeitura fechou um contrato de 128 mil reais, junto a uma empresa de Brasília, para fazer o novo site. Um valor absurdo para quem conhece de informática e muito alto para uma gestão que declarou que iria cortar custos em 2011.

As conjecturas acima parecem ter respostas simples: os meios de comunicação colocam interesses políticos e comerciais acima do papel de servir ao bem público, à sociedade. A Secretaria de Comunicação do município é uma dos principais anunciantes dos jornais impressos da cidade, ela financia e paga, não a partir de critérios técnicos, mas a partir de um clientelismo político onde, a maior prejudicada é a população natalense. E grife-se: paga com nosso dinheiro.

Jornais, emissoras de TV e rádio, tornam-se mais permissivos quanto às ações desastrosas da prefeitura, na medida em que ela compra espaços publicitários deles. É uma espécie de pacto do silêncio, que só não é mais efetivo pela capilaridade da internet e por seu caráter puramente anárquico. As críticas têm como principal meio as redes sociais e os blogs.

Concentradas na internet, a insatisfação quanto à situação atual da prefeitura espalha-se em velocidade impressionante. No meio dessa revolta, há até os aproveitadores de plantão, que usam da bancarrota da prefeitura como uma forma de se promoverem politicamente, já visando à atuação nas urnas em 2012.

Apesar desse caldeirão que ferve diariamente no mundo online, os jornais e emissoras de TV simplesmente ignoram os apelos da população. É uma espécie de jornalismo às avessas, um formato que não contribui nem para a sociedade e nem para a democracia. Quando os jornais deixam de “ouvir o som das ruas” para se focarem apenas em interesses políticos e comerciais, alguma coisa está muito errada na forma de pensar o jornalismo.

O problema mora, talvez, na falta de ideologia dos meios de comunicações locais. Nos Estados Unidos e na Europa é comum encontrar veículos cuja ideologia política – e não partidos políticos – é a norteadora do noticiário. A partir disso, você tem veículos como a ultra-conservadora Fox News ou o jornal progressista Le Monde, na França. Localmente falando, o que se define – ou não – como pauta são interesses meramente políticos e comerciais. Cidadania? Nada.

A internet ajuda no jornalismo, ao dar voz a todos. Mas seu caráter é ainda anárquico para promover e centralizar mudanças na forma de pensar um jornal no Rio Grande do Norte. É preciso de empresários que pensem o jornalismo como – além de uma forma de ganhar dinheiro – peça importante para a constituição de uma sociedade mais justa e honesta.

E é preciso que o empresariado tenha consciência do papel, utópico, mas ideal que o jornalista deve ter perante à sociedade. O jornalismo é uma forma de serviço público e, não, não vai morrer. E essa ausência de compromisso com a sociedade é um dos elementos que faz com que jornalismo local seja tão fraco ao ponto de, meramente, papagaiar os releases oficiais da prefeitura.

SOCIEDADE, MEIO AMBIENTE E CIDADANIA

Artigo de Marígia Tertuliano - Profª da UFRN

A consolidação do modo de produção capitalista e o crescimento urbano ocorrem de forma diversificada. O espaço construído da nova cidade, com novas formas, ruas planejadas e sistemas de esgoto mais adequados, incita a migração para os centros urbanos, em escala crescente, na busca pela melhoria das condições sociais e econômicas.

Assim, o que se percebe é que as sociedades capitalistas, nos anos recentes, de modo geral, vêm enfrentando mudanças significativas na vida cultural, social e econômica, que têm provocado um intenso debate sobre os impactos da modernidade, chegando-se até a diagnosticar que uma nova sociedade vem se estruturando, fermentada pela análise pós-moderna.

Ao ler a Declaração dos Direitos Humanos, destaco o preâmbulo que diz que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo. Assim questiono: como essa liberdade está sendo utilizada?

Estamos nos mostrando por inteiro ou ajudando a criar factóides? A liberdade de expressão está sendo respeitada ou os espaços de debates estão sendo confundidos como espaço de desintegração?

No que diz respeito ao meio ambiente, a noção de desenvolvimento sustentável conquistou a aceitação universal e neste início de século a disputa pelo seu sentido constitui-se como tema central das clivagens ideológicas, das competições teóricas e dos enfrentamentos políticos do mundo contemporâneo. As disputas de sentidos em relação à noção desse desenvolvimento articulam-se com os temas do lugar do Estado, do mercado e da sociedade no processo de mudança social, das possibilidades de democratização da democracia, da emergência do espaço local como ator político relevante na vida social e das políticas públicas como instrumentos para a inclusão social e melhoria da qualidade de vida das populações em situação de vulnerabilidade social.

Percebe-se ainda que a participação e o controle social estão aquém das diretrizes definidas pela política de meio ambiente, corroborando com a ampliação da degradação, fruto de interesses individuais

Retornando à questão que orientou esta reflexão entende-se como participação e controle social, o empoderamento dos grupos sociais para intervirem, de modo qualificado, nos processos decisórios sobre o acesso aos recursos ambientais e seu uso, E, como desenvolvimento sustentável, o “processo dinâmico destinado a satisfazer as necessidades atuais sem comprometer a capacidade de gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades, conforme citam o Programa Nacional de Educação Ambiental e a Comissão Mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento.

Nesse sentido, estabelecer mecanismos que possam promover capital social é um dever de cada cidadão e esse propósito será conseguido, a partir da participação e inclusão social, da cooperação interinstitucional, de diálogo de saberes, produção de conhecimento, sustentabilidade, enraizamento, formação permanente e continuada de ações educativas, autonomia, constituição de comunidades interpretativas e de aprendizagem e da práxis pedagógica.

O desenvolvimento sustentável levanta questões como a concentração de riqueza que leva às grandes desigualdades sociais entre os países e no interior deles; a matriz de energia mundial baseada no petróleo, fóssil, finito e poluidor; a utilização irracional de recursos naturais, como a água; a urbanização descontrolada; e a industrialização, descomprometida com processos limpos de produção.

Apesar desses importantes avanços, o meio ambiente global continua a ser deteriorado e significativos problemas ambientais permanecem embutidos na estrutura socioeconômica de diversos países, no tipo de gestão pública implementada e nos métodos adotados por grande parte do setor empresarial mundial.

Enfim, a problemática evidenciada tem gerado na sociedade uma expectativa de transformação. Por isso, acredito que os veículos de comunicação vêm se tornando um agente de informação capaz de transformar o comportamento da população. Com o Calangotango não é diferente. Nossa proposta é refletir sobre essas questões.

Assim, finalizo a reflexão de hoje.

Vamos pensar a próxima. O tema? O nosso dia-a-dia dirá.

22.1.11

Por Renato Rabelo, em seu blog http://renatorabelobr.blogspot.com/

Não é mais suficiente ficarmos numa grita única condenando aumentos sucessivos da taxa de juros. Infelizmente, as coisas passam a ter caráter anticientífico, de bem (“combate à inflação”) contra o mal (aumento de salário mínimo, “estouro da previdência”, “farra de gastos” etc).

O que piora o quadro é o fato de a repetição de ações humanas (utilização do ferramental dos juros contra a inflação, por exemplo) ter-se transformado em lei quase objetiva do sistema. Num quadro desses, uma das únicas soluções é partirmos para o acirrado e necessário debate e combate de ideias.

Vejamos alguns exemplos. Impera uma “verdade estabelecida” de que o aumento do salário mínimo redundaria numa onda de pressão inflacionária. Ou mesmo a lógica pobre de que “crescimento gera inflação”. Qualquer análise que se baseie puramente na fotografia do presente irá corroborar essa tese.

Por outro lado, sabendo-se que a elevação da demanda dá-se em velocidade maior que a oferta e que somente no médio e longo prazos é que essa relação entre oferta e demanda tende a se estabilizar é que teremos condições de advogar – com base em ciência histórica – a necessidade de se enfrentar o tal problema da inflação não a partir de ilações conjunturais e sim como parte de um todo que envolve o alargamento da base de oferta partindo do pressuposto do aumento da taxa de investimentos com relação ao PIB.

Eis o “x” do problema: a lógica da governança brasileira, principalmente, a partir da década de 1990 passou a ser o exercício de busca de objetivos imediatos, sendo o principal deles o do “combate à inflação”. Daí o senso comum a-histórico (qual país do mundo prosperou sob políticas macroeconômicas como a praticada no Brasil? Como advogar o “corte de gastos” com uma crescente dívida interna?) estabelecido atualmente na discussão econômica.

Existe toda uma problemática ideológica que nasce no velho debate do agrarismo x industrialismo, porém na medida em que a indústria nacional passou a ser uma conservadora realidade, o nível deste debate atingiu outro nível: ou se continuaria o esforço industrializante iniciado com Revolução de 1930 sob o pressuposto da criação de um sistema financeiro como base material a continuidade deste mesmo processo ou nos remeteríamos a uma inserção externa subalterna baseada na velha ladainha da inexistência de poupança interna (daí a taxa de juros como forma de atrair poupança externa).

Os antigos agraristas passaram a se vestir sob o traje “modernizante” dos ditos monetaristas com a missão divina de corrigir os “imensos erros” cometidos em quase 60 anos de história da industrialização brasileira.

Devemos nos pautar pela fuga a esta “armadilha da análise conjuntural”. Neste contexto, podemos questionar e debater sobre a possibilidade de um país urbano-industrial como o Brasil se contentar em ocupar seu lugar na divisão social do trabalho com exportações de commodities e importações de máquinas e equipamentos.

Podemos questionar como essa orientação posta vai ser suficiente para o crescente gargalo infraestrutural. Podemos o devemos questionar qual o futuro de nossa juventude em um país cuja desindustrialização é algo passível de se tornar fenômeno objetivo e onde o setor de serviços não cresce nas áreas ditas “tecnológicas” e sim onde os baixos salários são os mais reprimidos possíveis.

Podemos e devemos questionar quando, de fato, o crescimento brasileiro vai deixar de ser puxado pela construção civil e serviços em prol do alavancamento dos investimentos produtivos? Vamos restringir o papel do planejamento a simples conta do orçamento anual da União ou vamos até às últimas conseqüências na utilização deste ferramental para conceber o futuro do país? Continuaremos, reacionariamente, combatendo a inflação pelo resto da vida nacional ou deixaremos de analisar a inflação como uma anomalia e sim como tudo na vida social, algo de caráter cíclico, com determinações mais estruturais do que conjunturais?

Enfim, o debate está colocado. Não se solucionará os impasses da vida econômica e social do Brasil sob parâmetros conjunturais. Temos ao nosso lado a ciência e a história de uma construção nacional única no chamado Ocidente. É momento de nosso país se encontrar consigo mesmo sob o preço de pagarmos caro por nossas opções macroeconômicas datadas do final das eleições de 1989 e do Consenso de Washington.

Do Blog do Alon

Quem quer ser potência tem que correr atrás, tem que poupar, industrializar-se, depender essencialmente de si próprio. E não se meter a dar lições para a humanidade enquanto vive do dinheiro alheio


O mundo observa atentamente o encontro bilateral Estados Unidos-China. Por um motivo singelo: se as coisas em ambos andarem bem, o mundo andará bem. O oposto também é verdadeiro.

O século 20 assistiu à substituição da hegemonia britânica pela estadunidense. Junto veio a Guerra Fria. Quando acabou, houve a ilusão momentânea de um mundo perenemente unipolar.

Houve também a ilusão da multipolaridade. Os fatos da vida agora desenham a reconstrução da bipolaridade, com a China ocupando o lugar que a União Soviética manteve na maior parte da segunda metade do século passado.

Mais uma ironia da História. O grande cisma sino-soviético a partir dos anos 1950 foi também explicado pelas diferenças quanto à “competição pacífica” entre capitalismo e socialismo, proposta pelos sucessores de Josef Stalin. Estratégia que a China de Mao Tsetung desprezava como revisionista.

Hoje é a China dos herdeiros de Mao (a foto dele continua a comandar a Praça da Paz Celestial) quem desenha o caminho nacional com base exatamente na tal competição pacífica.

Por um motivo: com a população que tem, se a China fizer tudo certo bastará esperar pelo dia de assumir a pole-position.

Aos olhos do Ocidente, a China tem atenuantes em relação à antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Seu processo parece ser essencialmente nacional, não se observam maiores movimentos de Pequim para exportar o modelo. E os chineses estão na Ásia, longe da Europa. Além de falarem chinês, ou mandarim.

Um processo de transição em paz da unipolaridade para a nova bipolaridade política parece bastante possível. Na economia já é fato.

Os Estados Unidos querem o acesso de seus produtos de bom valor agregado ao mercado chinês. Agora que a China já está plenamente industrializada há terreno de negociação.

Os chineses desejam segurança para os roteiros e fontes das matérias primas e produtos agrícolas e também a garantia de respeito a sua integridade nacional (Taiwan, Tibet). Nada que não possa ser calmamente resolvido. Hong Kong não foi?

Em Washington há desconfianças no tema militar, pelos gastos crescentes dos chineses na rubrica. Mas por qualquer critério eles estão ainda anos-luz atrás do que gastam os americanos.

O fio condutor das hegemonias planetárias nos últimos duzentos anos tem sido a industrialização. Ela é a expressão moderna da capacidade de inovar. Portugal e Espanha empreenderam os descobrimentos, mas a hegemonia restou para o Reino Unido. Depois vieram os Estados Unidos, a URSS e agora a China. Os três fizeram da industrialização o motor.

Até por não haver como avançar na ciência e na tecnologia, inclusive a militar, sem apoiar-se fortemente na indústria. E sem fazer da industrialização uma cultura. E um dínamo para a educação.

E nós? Infelizmente, a ascensão da centro-esquerda e da esquerda ao poder não rompeu com as deformações de uma economia subalterna, essencialmente produtora e exportadora de matérias primas. Em vez de poupança interna e industrialização, preferimos a comodidade de viver à custa do esforço e do sacrifício alheios, inclusive para manter nosso arremedo de estado de bem-estar social.

No governo, a esquerda brasileira reciclou a ideologia da subalternidade, enquanto se entretém falando mal das elites que governaram o Brasil nos últimos cinco séculos.

E a subalternidade vem maquiada com tinturas ultramodernas, como o suposto antagonismo entre industrialização e responsabilidade ambiental. Mas sob a maquiagem é só o arcaico agrarismo.

Viver da exportação de primários -ou semi- para os Estados Unidos era colonial. Já fazer o mesmo para a China é apresentado como sinônimo de afirmação nacional soberana.

O antecessor de Dilma Rousseff não estava errado ao ambicionar um papel protagonista para o Brasil. O problema é que esse protagonismo não se alcança apenas com discursos bonitos em duvidosos fóruns multilaterais, ou com uma diplomacia de viés presidencial. Ou com tentativas de colocar a qualquer custo em pé todos os ovos.

Quem quer ser potência tem que correr atrás, tem que poupar, industrializar-se, depender essencialmente de si próprio. E não se meter a dar lições para a humanidade enquanto vive do dinheiro alheio.

Nem se satisfazer com o elogio interessado de quem vem aqui apenas para ganhar muito dinheiro rapidamente e cair fora com ele depois.

Matéria publicada pela jornalista Cibelle Bouças, no dia 17 de janeiro de 2011, no jornal Valor Econômico de São Paulo sobre audiência de internet

Segundo a cultura chinesa, a vida humana, assim como a natureza, é feita de ciclos. A internet, 'construída' por pessoas, também está sujeita às sazonalidades na audiência. A procura sazonal por conteúdos está diretamente ligada a eventos que mudam o cotidiano por determinado período. E, embora as redes sociais tenham se tornado o principal interesse dos brasileiros, os assuntos e o comportamento seguem rotina semelhante à das emissoras de TV. 

Em janeiro, por exemplo, ganham mais audiência as notícias de clima, os sites de automóveis e de finanças pessoais, segundo dados do IBOPE Nielsen Online. Em maio, o espaço é para as mensagens e cartões de Dia das Mães. "Julho, por conta das férias escolares, é de longe o mês com a maior média de audiência", afirma o analista de mídia do IBOPE Nielsen Online, José Calazans. Nesse caso, as páginas mais acessadas são as de jogos, vídeos e, claro, as redes sociais. No fim do ano, ganham destaque as compras online, informações sobre vestibulares, as mensagens de boas festas e, nos últimos dois anos, Mega Sena da Virada. 

Semelhante à Copa do Mundo e às eleições, o "reality show" "Big Brother Brasil" está entre os eventos de maior procura sazonal na web, entre janeiro e março. Segundo dados da Globo, o site do BBB11 registrou no primeiro dia do programa 1,3 milhão de acessos, 48% mais que no primeiro dia da edição passada. O número de páginas vistas foi de 8,4 milhões, ante 3,1 milhões do BBB10. 

O programa também ficou entre quatro dos dez termos mais buscados pelo Google na semana passada. Nas redes sociais, o programa rendeu mais de 510 mil mensagens até o dia 11. "Eventos que geram uma comoção social, como novelas e "reality shows", catalisam a audiência", afirma o diretor de desenvolvimento editorial do iG, Caíque Severo. O portal é o quarto em audiência, com 23,2 milhões de visitantes ao mês, depois de Google (33,6 milhões), MSN (32 milhões) e UOL (26,8 milhões). 

Segundo Severo, a internet funciona como um canal de conversa paralela à mídia convencional. Com a chegada de novos usuários da classe C, que assistem mais TV que as classes A e B, a tendência é que a programação das grandes emissoras motive mais audiência nos portais e redes sociais.

No portal Terra, que conta com uma audiência de 22,1 milhões de visitantes por mês, a situação é semelhante, afirma o diretor de inteligência de mercado do portal Terra e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Coutinho. "A sazonalidade de conteúdo na internet tende a se tornar cada vez mais semelhante à de outras mídias, por conta da popularização do acesso à web", diz. 

No portal Terra, como no iG, os temas que despertam mais interesse dos usuários são os sites de celebridades, informações sobre esportes e noticiário mundial e nacional.

O diretor de audiência do Yahoo Brasil, Fabio Boucinhas, observa que além do "reality show", também têm uma procura maior neste mês as notícias sobre clima, condições de trânsito e até sites sobre dieta. "Muita gente resolve trocar de carro ou emagrecer para cumprir a promessa de Ano Novo e isso também influencia a audiência", afirma. 

Para janeiro, a expectativa é de que haja um aumento na audiência de 10% a 15%, em função das férias esco lares e do BBB, diz Boucinhas. O portal não divulga projeção para o ano, mas para o executivo, em um ano sem Copa do Mundo e nem eleições, a preparação para a Olimpíada no Brasil e o primeiro ano de governo Dilma Rousseff devem garantir boa parte da audiência na internet. O portal tem uma média de 21,5 milhões de visitantes únicos por mês. 

O diretor-executivo da consultoria ComScore, Alexander Banks, confirma que há mudanças na procura por conteúdo ao longo do ano. E, de modo geral, há incremento no acesso nas principais categorias. Até novembro de 2010, o acesso à internet nos domicílios e empresas no Brasil, considerando o público com mais de 15 anos de idade, havia crescido 19,7%, alcançando 39,3 milhões de usuários. 

O tempo médio de acesso por mês não mudou muito. Em média, cada internauta ficou 26 horas e 54 minutos por mês na web, 12 minutos a mais do que no ano anterior.

Entrevista 10 x 140

Perfil de Aclecivam Soares – Mossoró/RN, casado, 2 filhos, jornalista, estuda Comunicação e Direito, editor do Jornal Central e blogueiro www.aclecivam.com.br

P- O Jornal Central é mensal e circula há 13 anos no Vale do Açu e na Região Central. Como ele se mantém?

Aclecivam Sopares – Com reduzidos recursos dos poucos contratos junto a prefeituras e câmaras municipais. Governo do Estado não valoriza imprensa do interior.

P- Antes do Jornal Central você trabalhou em Mossoró na Gazeta do Oeste e no O Mossoroense. Como é o jornalismo no interior do RN?

Aclecivam Soares – Sofre pela questão da falta de apoio, como também sofre com algumas pessoas que pensam que são o que nunca vão ser. Querem ser intocáveis.

P- O curso de comunicação que você está fazendo tem contribuído para o exercício da profissão de jornalista?

Aclecivam Soares – Ajuda, tenho dito q fazer jornalismo precisa ter sangue no olho, prazer, paixão. O q não me surpreende é a falta de ética de alguns colegas

P- Por que estudar, também, Direito?

Aclecivam Soares – Fui incentivado por uma grande amiga, a juíza Alba Paulo de Azevedo. É um curso que vai ajudar profissionalmente. Talvez seja meu futuro.

P- Os jornais do interior estão bem equipados em termos de Novas Tecnologias?

Aclecivam Soares – Aqueles que têm boa estrutura financeira sim, os demais vão caminhando com determinação. Manter um jornal é caro e equipá-lo é mais ainda.

P- Qual sua visão sobre a independência da mídia potiguar em relação aos governos?

Aclecivam Soares – Se tivesse essa independência não haveria jornal. Manter jornal vendendo exemplar e publicidade é impossível. Contrato sim, vender-se não.

P- Explique como é o seu blog www.aclecivam.com.br

Aclecivam Soares – Aborda temas gerais, o foco: Região Central e Vale do Açu, mas publicamos todas regiões. Todos assuntos, vamos organizar para ser comercial.

P- Com o avanço das Novas Tecnologias como você enxerga o futuro dos jornais?

Aclecivam Soares – Acredito q o impresso não se acaba, porém a forte tendência caminha no rumo d transformar jornal diário em semanal. Se encaixar a realidade.

P- O que é o Twitter para você?

Aclecivam Soares – Uma ferramenta fantástica que nos deixa informado e aproxima as pessoas. Parece que cada seguidor vira parente. Que não seja banalizada.

P- Quando não está trabalhando ou tuitando que você mais gosta de fazer?

Aclecivam Soares – Tenho lido um tanto, os cursos me obrigam. Voltaire dizia que "a leitura engrandece a alma" e Sêneca que "a leitura nutre a inteligência".

*Se você quer conhecer um pouco mais o Aclecivam Soares converse com ele no Twitter @aclecivamsoares

Estadão.com.br

Você pode não gostar, fazer cara feia, reclamar no Twitter, Facebook ou YouTube. Não importa muito. Brasileiro gosta mesmo de um reality show. E a atividade dos observados é a mais variada. Eles podem comer olhos de cabra, ou limpar os dejetos de bois e cavalos numa fazenda. Agora, é possível ver, também, a gravação do próximo disco da sua banda favorita. Convenhamos, é bem mais interessante.

“Pode ser como o Big Brother Brasil (risos)”, brinca o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, de 42 anos. Acompanhado pelos colegas de banda – Derrick Green (vocal), Paulo Jr.(baixo) e Jean Dolabella (baterista) – ele entra hoje em estúdio para começar a gravação do próximo CD, ainda sem nome definido.

Das 16 às 18horas, diariamente, tudo o que eles fizerem será transmitido ao vivo, pela internet, através da TV Trama (www.tvtrama.com.br), canal online da gravadora de mesmo nome. “É uma parte do nosso dia de gravação. Não é invasivo”, comenta Kisser.

Essa não é a primeira vez que o Sepultura exibe uma gravação ao vivo. Trabalho parecido foi feito durante a produção do CD A-Lex, de 2009. Mas, na ocasião, a transmissão foi feita no site oficial do grupo. A iniciativa para esta nova ação foi da TV Trama.

“Como transmitimos duas horas ao vivo diariamente em live streaming, achamos interessante colocar na programação a gravação de um disco completo”, explica João Marcelo Bôscoli, responsável pela gravadora. “É algo que a maioria das pessoas nunca viu: um making of ao vivo.”

A produção desse novo trabalho do Sepultura fica a cargo de Roy Z. “Conhecemos o Roy há muito tempo. E sempre tivemos a ideia de fazer uma parceria. Ele tem um know-how muito grande de estúdio”, analisa o guitarrista da banda. O produtor já trabalhou com Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, e atualmente acompanha Rob Halford (líder do Judas Priest).

Este é o 12º disco da carreira do Sepultura, em 26 anos de carreira. Neste trabalho, a banda foge da linha que vinha adotando nos dois últimos discos. Se em A-Lex e Dante XXI, de 2006, eles se inspiraram em obras literárias – A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, e A Divina Comédia, de Dante Alighieri, respectivamente –, desta vez a temática é a carreira do próprio grupo.

Bom momento

“Estamos celebrando o momento da banda. São 26 anos de existência. Na época que começamos, o fax era moderno”, lembra Kisser. O disco também é o segundo após a saída de Igor Cavalera e a entrada de Jean Dolabella. “Estamos cada vez mais entrosados. Fazemos shows pelo mundo inteiro. É uma situação boa para entrar em estúdio”, completou.

Mas há de se fazer um alerta: a gravação de um disco não é rápida. “É gravado por partes, primeiro a bateria, depois o baixo. Pode ser legal, ou maçante, depende”, diz Kisser. Bôscoli completa: “É como se o grupo convidasse o público a visitar a gravação do disco no estúdio”. De qualquer forma, é melhor do que assistir a alguém limpando esterco de vaca, não?

Vanessa Rodrigues
colaboração para a Folha, no Porto

Cortes salariais, aumento de juros e impostos, cerco apertado ao crédito e até mesmo uma possível intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Desde ano passado, essas têm sido as palavras do cotidiano dos portugueses, e é nesse clima que Portugal vai às urnas amanhã escolher seu presidente.

Para manter a estabilidade econômica, defendem Luís Mira Amaral e Vítor Bento --dois nomes fortes do panorama político-econômico português ouvidos pela Folha--, deve-se blindar o Orçamento de Estado, apostar na educação, justiça e privatizações, além de promover negócios com duas ex-colônias: Brasil e Angola.

Quanto ao antídoto para a crise política, analisam, o melhor é manter o "moderado" Cavaco Silva no Palácio de Belém, a residência presidencial.

O atual chefe de Estado, do Partido Social Democrata (PSD), deve se reeleger em primeiro turno, segundo as últimas pesquisas. Tem algo como 60%, mais que o dobro do socialista Manuel Alegre.

A campanha eleitoral ficou marcada pelo destaque dado pelos seis candidatos ao cenário nublado do país, ainda sob efeito psicológico de uma greve geral em novembro passado, e pelos recentes cortes salariais no funcionalismo público.

Pensando ainda mais para os 10 milhões de portugueses --depois da euforia do Portugal pós-ditadura (1974) e da adesão à União Europeia (1985)--, estão realidades como pobreza, fome e desemprego que chega à casa dos 10,5%.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, há cerca de 2 milhões de portugueses pobres e 300 mil passando fome.

O próprio Cavaco se disse "envergonhado" durante a campanha. Mas o debate sobre a crise correu vazio.

Medidas para os problemas do país estiveram à margem do debate, assim como um Portugal que se manteve, em geral, desinteressado das presidenciais.

O cargo de presidente tem importância simbólica e política, mas quem cuida do dia a dia do governo é o premiê, atualmente o socialista José Socrates.

DÉCADA PERDIDA

Afinal, que Portugal é este hoje?

"É um país que se pôs a dormir à sombra do sucesso do pós-25 de Abril [data alusiva à democratização]", diz Mira Amaral, que foi ministro do Trabalho quando Cavaco Silva era primeiro-ministro (1985).

"A última década é um tempo perdido: esquecemo-nos do rigor nas finanças públicas", critica. "Portugal esbanjou oportunidades de crescimento. Endividou-se".

Há dez dias, o país teve de recorrer a um leilão de títulos públicos ante crescentes temores de insolvência devido a elevados níveis de deficit público e de endividamento.

A operação teve relativo sucesso, contendo ao menos por enquanto o risco de o país ter de recorrer a empréstimos da UE, como tiveram de fazer no ano passado Grécia e Irlanda.

"Para sair deste aperto será necessário desalavancar a economia, diminuindo endividamento e promovendo competitividade", afirma o economista português Vítor Bento, ex-presidente da Associação para o Desenvolvimento Econômico e Social e autor do livro "Perceber a Crise para Encontrar o Caminho" (2009).

Prevê "muito tempo" para isso. "O país vai precisar manter aberto o acesso ao financiamento internacional", defende.


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