CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

31.1.13


Hoje ao parar num determinado posto de gasolina em Natal, fui surpreendido por um ótimo atendimento, claro, foi uma surpresa agradável que me fez pensar um pouco sobre a excelência no atendimento e escrever.

Gustavo Maia (@GustavoMaia1)

Apesar de muito falada no mercado, a excelência de atendimento aos clientes é um indicador pouco utilizado para avaliar a gestão. Tenho certeza que você não irá contrariar a ideia de que a satisfação do cliente é um dos principais fatores de sucesso nos negócios. Por que, então, há tanta insatisfação de cliente nos mais diversos setores empresariais?

O atendimento é importante para os seus negócios?

Quantas empresas contrataram um treinamento para os funcionários recentemente? Acredito que pouquíssimas empresas.

Vejam só, despertado pela polêmica sobre a passagem ou não de Exupéry por Natal, dei-me ao trabalho de fazer uma releitura de alguns dos seus livros, como relatei em Carta anterior.

Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor-veranista

Fui além e li outras obras pela primeira vez, como: “Um sentido para a vida” e “Cartas ao Pequeno Príncipe”, além de um ensaio da irmã Rosa Maria: “E o céu sem limite”, Ed. Duas Cidades, São Paulo, 1959.

Num resumo da minha tarefa, retornei ao referencial maior desse piloto-escritor: “O Pequeno Príncipe” e então constatei o inusitado – buscava uma coisa e acabei encontrando outra, bem mais atrativa, porque invadindo as cercanias do espírito.

Então resolvi selecionar algumas frases e pensamentos resultantes das minhas leituras dos seus escritos e dos de outras pessoas, que podem representar um norte, uma régua ou um compasso para os caminhos a palmilhar.

A saga dos artistas nordestinos


Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor-veranista

No limiar do meu veraneio em Cotovelo, terminei a leitura do elucidativo livro "O Fole Roncou", de autoria dos jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, Ed. ZAHAR do Rio de \janeiro, 2012.

Até então tinha noção da trajetória individual de alguns artistas nordestinos, os mais famosos, a partir do Rei do Baião, LUIZ GONZAGA, cujo centenário de nascimento foi comemorado no ano que findou, mas ignorava a verdadeira saga de muitos deles, em especial, da verdadeira corrente de solidariedade que possibilitou, após sacrifícios e sofrimentos, a divulgação para o eixo Rio-São Paulo, o valor e a fibra do nordestino, que justifica o adágio: "o nordestino, antes de tudo, é um forte".

A obra começa narrando a viagem de Câmara Cascudo às entranhas do Rio Grande do Norte, percorrendo 1.370 quilômetros de estrada de ferro, e outros tantos usando transportes os mais diversificados, desde o automóvel, canoa, rebocador até hidro-avião, para constatar que o sertão se esvaía. Tinha então 41 anos e lá se iam os idos de 1934.

O Brasil perdeu nove posições no ranking mundial de liberdade de imprensa de 2013 publicado ontem (30), pela organização não governamental Repórteres sem Fronteiras, que tem sede em Paris, na França. De acordo com o levantamento, o Brasil passou da 99ª posição em 2012 para a 108ª posição da lista, que é composta por 179 países. Na lista do ano passado, o país já havia caído 41 posições em relação a 2011.

Agência Brasil

Os elementos analisados para avaliar o grau de liberdade dos veículos de imprensa vão desde a violência contra jornalistas até a legislação do setor. O Brasil tem perdido posições nos últimos anos e a contínua queda foi reforçada, nesta nova edição do ranking, pela morte de cinco jornalistas brasileiros registradas no ano passado - o maior número em mais de uma década – e pelos problemas persistentes no pluralismo da mídia nacional.

''Fortemente dependente de autoridades políticas no nível estadual, a mídia regional está exposta a ataques, violência física contra seus profissionais e censura provocada por ordens judiciais, que também atingem a blogosfera'', diz o texto do relatório sobre o Brasil, segundo a agência de notícias BBC Brasil.

28.1.13


Essa é a história da menina que roubou o azul do mundo...

Por Leide Franco (@LeideFranco)

Concluí que ônibus coletivo e filas de banco são lugares de muitas histórias. Certo dia, eu estava na terceira fila de cadeiras da longa espera por um atendimento bancário. Sobrava uma cadeira ao meu lado. Uma única. De repente, como se a poltrona de acolchoado azul mais ou menos fosse propriedade sua, nela sentou-se uma menina linda. Aparentava ter nove anos. Ela era tão linda que parecia ter saído diretamente de um comercial de bonecas. 

Carregava os olhos mais azuis do mundo e os mais vibrantes também. O sorriso era composto por lindos dentões brancos. Quando o rosto sorria formavam-se duas barroquinhas, uma em cada lado das bochechas cor de rosa. Os cabelos escorriam em cachos dourados pelos ombros, alcançando a cintura. Nunca vi igual.

Estranhei. Perguntei: 

- Você está sozinha aqui?

- Não. Vim com minha avó. Aquela que está ali falando com aquele homem de camisa azul, apontou com o dedo indicador esticado.

Coincidentemente muitos homens vestiam camisas azuis – quero dizer, azuis falsos, uma imitação barata do azul, pois todo o azul verdadeiro estava preso dentro dos olhos hipnotizantes dela. No mínimo eles roubaram o azul do mundo. Todo o resto era um meio pseudo-azul.

Como é seu nome? Perguntei.

Luiza, ela disse. Não, é Maria Luiza, consertou. Maria por causa da minha avó e Luiza era o nome da minha mãe, respondeu com essa frase pronta há anos.

Era da sua mãe? Indaguei.

Sim. Confirmou.

Mas por que era? Importunei.

Porque era. Ela morreu.

Calei.

Morreu quando eu nasci. Continuou ela interrompendo meu silêncio.

Ah, morreu de parto? Questionei desconcertada.

Foi. Minha avó diz que foi Deus quem quis assim. Ela diz que minha mãe é como Jesus para o mundo: morreu para me salvar.


No final do ano que passou escrevi uma série de artigos sobre a morte das livrarias, narrando a sua importância, não apenas para difundir as obras dos escritores, mas por dar guarida a intelectuais que a elas se agregam ao longo dos anos.

Carlos Roberto de Miranda Gomes , advogado e escritor

No segundo artigo, denominado MORRE OUTRA LIVRARIA (Parte II), fiz a narrativa da nossa trajetória, nos termos seguintes:          

"Não durou muito tempo e fomos convidados por Marconi Macedo, gerente da Livraria Câmara Cascudo e que trabalhara na Universitária e na Potylivros, para continuarmos em nossos encontros num terceiro grupo, com os mesmos Inácio, Bob, Gilvan, Carlos Gomes, Manoel Onofre Junior, Palocha, Manoel Moura, Soares, José Maria, acrescido agora de Manoel Sergio(Juiz), Dr. José Pinto, Pedro Vicente, Edson Gutemberg, Racine Santos, Francisco de Paula Medeiros(Alma de Vaqueiro), o oriental Satoro e, esporadicamente, Volonté, Homero, Ney Leandro de Castro, Antônio Capistrano, Wandyr Villar, Tarcísio Gurgel e outros."

Hoje, com pesar, registramos que o nosso confrade DR. JOSÉ PINTO partiu para outra dimensão da vida. Homem bom, ameno, apesar da sua idade vetusta, participava das brincadeiras da turma, que o apontava como possuidor de terras com petróleo e ele, com um sorriso largo, retrucava que dinheiro ganhava o Desembargador Manoel Onofre e tudo terminava em boas risadas.

Esteja certo, querido amigo, que a sua presença será sempre registrada em nossas tertúlias. Você não levará falta, pois está justificada a sua partida. Fique agora com Deus e participe da confraria dos que se foram antes, como o Clube dos Inocentes, tendo à frente Cascudinho e Professor Saturnino. Nós nos veremos em breve.


Ruy Castro relata seu tormento no dia em que decidiu parar de beber. “Enfim, foi hoje, há 25 anos. Mas hoje é apenas mais um dia”, escreve Castro.

Segue o texto abaixo:

Foi num dia 25 de janeiro, como hoje. Enquanto Alice tirava o carro, abri a geladeira e, tremendo muito, servi-me de quatro copos de vodca –pura, gelada, do freezer. Copos, não doses. Cheios, cada qual tomado de um gole, e que, como sempre, desceram como água. O tremor nas mãos não traía nervosismo. Tremia porque acabara de acordar e estava sem beber havia horas. Ainda não descobrira como beber dormindo.

Acordado, bebia um mínimo de dois litros de vodca por dia, só em casa –o consumo na rua era difícil de calcular. Uma vez por semana, a empregada botava os cadáveres para fora, à espera do garrafeiro. Os vizinhos deviam achar que os moradores daquela casa bebiam muito. Se soubessem que um único morador engolia aquilo tudo, não acreditariam.

Dali a pouco, estávamos na rodovia Raposo Tavares, rumo a Cotia, a 31 km de São Paulo, onde eu então morava. Sabia que, no lugar para onde Alice me levava –uma clínica para dependentes químicos–, não haveria bebida. Os quatro copos teriam de bastar até o fim do dia. Mas, e o dia seguinte? E os 30 dias seguintes? Não tinha ideia, nem me preocupava. Afinal, não vivia dizendo que “bebia porque gostava” e “seria capaz de parar quando quisesse”?

Os primeiros cinco dias foram de horror –o organismo reagindo ao corte súbito do suprimento com tremores pelo corpo inteiro, agitação, insônia, diarreia, taquicardia, suores, possibilidade de delírio. Nas palestras, as vozes dos terapeutas soavam muito longe e o que eles diziam, um mistério. Os colegas de internação, fantasmas sem rosto. Mas, aos poucos, o horror passou e, em menos de duas semanas, foi sendo substituído por uma sensação quase insuportável de lucidez, vigor físico e vontade de viver –como nunca antes. Até hoje.

Enfim, foi hoje, há 25 anos. Mas hoje é apenas mais um dia.

26.1.13


Coincidências

Não sei explicar a atração que os mais velhos têm pelas coisas passadas, como guardadas no recôndito da alma, para aflorarem em momentos oportunos.

Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor-veranista

Outra vez, na placidez do meu alpendre da casa de Cotovelo, fico em devaneios com as minhas leituras, ligando os fatos de um tempo bom que passou.

Agora terminei de ler o livro sobre Dolores Duran, do jornalista Rodrigo Faour, que oferece passagens da vida daquela extraordinária cantora-compositora que coincidem com a minha passagem pelo rádio, no curto período de 1948-1954.

Primeiro, o gosto pelo repertório de Edith Piaf, Noel Rosas e os bolerões de Gregório Barrios,   Bienvenido Granda,  Fernando Fernandez e as canções de Frank Sinatra e Charles Aznavour.

Neste 23 passado, foi um dia de graça para mim. Logo cedo, no Supermercado Nordestão encontro-me com o Dr. Ernani Rosado e D.Madalena, que me entregaram cópia do filme “Amor de Outono” (Le Blé en Herbe), produção da Franco London Filme, sob direção de Louis Wipf, a que fiz referência em uma das primeiras Cartas de Cotovelo, edição 2013.

Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor-veranista

O filme é de 1954 e devo tê-lo assistido nesse mesmo ano, quando ainda adolescente e, seu enredo, muito bem se amoldava aos meus anseios, daí o haver incorporado aos meus devaneios juvenis, haja vista se passar com um jovem (Pierre-Michel Beck), mais ou menos da minha idade e num período de veraneio, como era do meu costume, lugar onde as aventuras afloravam com maior intensidade.

No meu comentário confundi o ator que encarnava o personagem “Philippe”, como se fora Gino Leurini, de origem italiana, quando foi o francês Pierre-Michel, contracenando com Nicole Berger, personalizando “Vinca”, que nutria por Phil um amor platônico, com a indiferença deste, até travar, por acaso, conhecimento com a “Madame Dalleray”, interpretado pela atriz Edwige Feuillère, de idade já madura, que protagonizou la prima volta do amor carnal de Phil.

Apologia da preguiça

A preguiça, segundo os léxicos, é um estado de inação que inibe a apetência para o trabalho.

Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor-veranista

Na conceituação dada pelo costume, é um torpor que reduz a atividade laborativa.

Pode até ter todos esses significados e ser algo não condizente com o normal.

Contudo, quando se está num veraneio, diria que a preguiça vira um estado de graça para o corpo cansado de guerra  a merecer uma justa reparação, indiscutivelmente prazerosa e bemfaseja.
Assim diz um poeta, que Odúlio Botelho colheu o nome através de Gilson Barbosa, sobrinho  do grande Gil Barbosa, como sendo VERÍSSIMO DE MÉLO:

Coisa boa é querer bem
Ter alguém, namorar.
Coisa boa é um xodó,
um fobó, vadiar.
Coisa boa é o mar e o luar,
É caju com pitu,
Cafuné, cochilar.
.......
Esses versos são um prelúdio à preguiça, sobretudo em sua estrofe final:
Coisa boa que se diz e que se faz
Na hora que a gente quer.
Coisa boa é uma casa,
Numa praia, num alpendre,
Uma rede e uma mulher.

A lembrança me trouxe essas coisas e, preguiçosamente resolvi anotar em um caderno, pois após um bom churrasco e a brisa que sopra do mar não permitem que demore muito fora do ventre da minha rede.

Aaahhaaarrr ..... coisa boa é ...... 

Estação Música Total

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