CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

14.1.13



Por Leide Franco (@LeideFranco)

Posso contar meus vícios nos dedos de uma das mãos e ainda sobram dedos, no entanto, nenhum traz malefícios, quer dizer... Não há como saber o que vem matando sem morrer um pouco de cada vez.

Está diagnosticado. Tomar café depois das sete horas da noite me tira o sono e deixa alucinações. Mas só depois das sete. Se eu tomar um gole sequer após esse horário, mais tarde, ele cruelmente me impede de passar do estado de vigília para o estado de sono: essa ressurreição.

Na hora de dormir, entorpecida, eu deito e fico sonhando coisas sem nem precisar dormir – isso é até tarde da madrugada. Da última vez sonhei acordada até três horas da manhã.  Nem quero saber o que Freud diria sobre o assunto.


Quase cataplexa, deliro de um lado e de outro até encontrar o jeito certo de descansar por algumas eternas horas. Dormir é quase, necessariamente, morrer; é quase não ser mais nada: uma vela apagada. Essa insustentável leveza do ser.

Como diria Belchior, “a minha alucinação é suportar o dia-a-dia e meu delírio é a experiência com coisas reais...”. Essas coisas reais são as principais fontes da insônia na humanidade. Viver dói. A realidade é tóxica e quase sempre vicia. Há outras patologias: tem gente com medo de dormir, aí já se caracteriza uma psicose. Tem tratamento.

Uma amiga me indicou tomar café descafeinado, e talvez seja até bom, assim como chupar bala com papel. Café bom, em meu gosto, precisa ser, imprescindivelmente, doce e forte, tipo como gente.
Esse líquido negro é hoje, por opção, o meu principal distúrbio do sono, depois da tristeza quando pernoita aqui. Para essa última, há uma desintoxicação diária com doses homeopáticas de felicidade: uma colher das de sopa três vezes ao dia. Tem dado certo.

É interessante. Café é uma contradição: desperta e desperta demais - quando não poderia.

Muitas coisas na vida são assim: fazem bem e mal. Concorda? O segredo está na dose que ingerimos. Preciso dormir? Sim. Gosto de café? É pouco. Sou viciada. Mas não posso continuar insistindo em algo que me faz mal à noite, embora que sonhar acordada seja até bom. É aquele encontro com todas as pessoas que não existem fora de mim, que só acontece na calada da noite, na reunião não marcada comigo mesma. 

Dormir traz saúde e é preciso trair a morte todos os dias.

Pensando nisso, troco a cafeína por um suco ou achocolatado gelado, e assim engano com forças ocultas, meu cérebro, porque eu também não quero renunciar à liberdade deliciosa de me enganar. Sim. Ninguém é melhor para nos enganar que nós mesmos. Alguém dentro de mim mente e mente muito bem só para tentar me proteger, assim como diz um poeta contemporâneo.

E assim tem sido: estou trocando insônia por deitar e adormecer logo, sem esforço. Vou procurar gostar de chá sem que isso me traga à lembrança a sensação de estar doente. Até gosto do de canela. Lembrei. Mas só para depois das sete horas da noite. Há um dia inteiro antes disso para os cafés doces e fortes.

Às vezes, algumas renúncias podem ser boas. Podem ter gosto de fruta ou chocolate ao leite, e geralmente um clichê é a melhor saída para apresentar um ponto de vista, como esse. Então estamos aqui até às sete horas da noite ‘por todo café que houver nessa vida e algum trocado para dar garantia. ’.

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