CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

27.12.12



Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

O costume das Confrarias vem do tempo da “belle époque”, século passado, por volta de 1905 nas livrarias das cercanias da Avenida Central com a Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, conforme retrata o livro “O sorriso da sociedade”, de Anna Lee – editora Objetiva (RJ), 2006.

Nesse livro estão relatadas reuniões sabáticas de fim de tarde, intrigas e até um crime que ocorreu em 20 de junho de 1915, mas só perdendo força quando da semana de arte moderna de 1922, quando alguns fundadores já haviam falecido.

Há registros da frequência dos confrades Machado de Assis, Olavo Bilac, Paula Nery, Lima Barreto, João do Rio, Coelho Neto, Emílio de Menezes, João Ribeiro, Bastos Tigre, Antonio Noronha, Guimarães Passos, Manoel Bonfim, Medeiros e Albuquerque – entre eles, Annibal Theophilo, que foi assassinado por Gilberto Amado, fato que abalou as tertúlias dos letrados.

Natal não foi diferente, tendo criado pelos idos de 1952 o “Clube dos Inocentes”, que se reunia em casa de cada um ou num ou noutro bar, liderado pelo Professor José Saturnino, contando com a adesão de Câmara Cascudo, Diógenes da Cunha Lima, Gorgônio Regalado, Ascendino Henriques, Arnaldo Arsênio, Djalma Santos, Renato Gouveia, João Medeiros Filho, Veríssimo de Melo, Reginaldo Rocha, Raimundo Feliciano, José Leiros, Eulício Lacerda, Severino Nunes, Mílton Cavalcanti, Reinaldo Ferreira, o americano Frank Walton e José Melquíades, que retratou a Confraria em livro editado em Porto Alegre(RS) em 1992, dando conta do sodalício – “... que povoou algumas noites natalenses [sextas-feiras à noite] de boemia sadia”.

Eram os inocentes das maldades alheias, vivendo cada minuto da vida como se fosse o último, tendo por senha “Rei-Vassalo”. Nas reuniões, o Prof. Saturnino e Cascudinho levavam as suas comendas e distribuíam aos presentes, que as colocavam em seus pescoços e as devolviam no final da reunião, contanto que todos fossem condecorados, num reconhecimento de rigoroso critério de igualdade.

Afirma Melquíades – “o sodalício  já não existe mais, mas permanece ligado à história lúdica da cidade de Natal” – nas sessões o “latinorium” era abundante!

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