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Sávio Ximenes Hackradt

1.11.12


Produções intelectuais e indústria cultural dialogam entre tapas e beijos

Carlos Haag | Edição 200 - Outubro de 2012

Em A perda da auréola, dos Pequenos poemas em prosa, Baudelaire descreve o poeta, apressado, a saltitar por entre poças de lama. De repente, sua aura cai numa delas, mas ele nem se preocupa em pegá-la de volta, confessando seu alívio a um passante: “Posso enfim me entregar à devassidão, como qualquer mortal. A dignidade me entedia. Eis-me aqui, igualzinho a você, como vê!”. Assim, o antigo “bebedor de quintessências” e “comedor de ambrosia” percebe que precisa deixar, de bom grado, a sua aura na “lama” para viver os novos tempos. “No Brasil do século XIX já se percebe um diálogo inicial entre ‘alta’ e ‘baixa’ cultura, catalisado pelo crescimento da imprensa. Afinal, sem produtos comerciais como os jornais, fruto de uma indústria cultural nascente, não haveria espaço para figuras como Machado de Assis, Lima Barreto ou João do Rio. Por um paradoxo, foi um movimento na ‘baixa’ cultura que provocou a criação de obras de ‘alta’ literatura”, diz a Pesquisa FAPESP o sociólogo Sergio Miceli, da Universidade de São Paulo (USP).


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