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Sávio Ximenes Hackradt

14.4.12

Com o objetivo de estimular o hábito da leitura e formar novos leitores, os eventos literários têm se difundido no país. Embora não haja números precisos sobre esse crescimento, especialistas ouvidos pela Agência Brasil garantem que esse tipo de evento tem ganhado espaço não apenas nos grandes centros. As feiras e bienais ajudam a satisfazer o desejo de quem sonha estar próximo a seu autor preferido, conhecer novos escritores ou quer discutir literatura e divulgar seus próprios textos.

Agência Brasil

Em 2011, quando lançou o Circuito Nacional de Feiras de Livros e assumiu o compromisso de organizar o calendário anual de eventos, a Fundação Biblioteca Nacional identificou 100 iniciativas. A estimativa é que, juntas, elas tenham recebido mais de 10 milhões de visitantes. O cálculo, no entanto, não inclui os eventos pontuais de menor porte, como as visitas de escritores a escolas, cursos e bate-papos promovidos por bibliotecas, feiras escolares e saraus. Iniciativas que, em algumas capitais, como São Paulo, ocorrem às dezenas, diariamente.

A meta da fundação é chegar a 150 eventos cadastrados até 2014. Embora a Biblioteca Nacional ainda não tenha concluído o calendário deste ano, os especialistas parecem não ter dúvidas de que o número de iniciativas aumentou. Só este mês, estão marcadas duas novas bienais (Brasília e Manaus).

“Há muita coisa acontecendo e a expectativa em relação às primeiras bienais de Brasília e do Amazonas é muito grande", disse à Agência Brasil a presidenta do Sindicato Nacional dos Editores de Livro (Snel), Sônia Machado Jardim.

A Bienal do Livro e da Leitura promete levar à capital federal, a partir de amanhã (14), 150 autores de todos os continentes, entre eles, o vencedor do Prêmio Nobel de 1986, o nigeriano Wole Soyinka e o paquistanês Tariq Ali.


Já a Bienal do Livro Amazonas, que começa no próximo dia 27, em Manaus, deve contar com a presença do angolano valter hugo mãe, da chilena radicada no Brasil Carola Saavedra, e de mais 48 escritores convidados e 60 expositores.

A presidenta da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Gonçalves Pansa, garante que não apenas os números de eventos e de público têm aumentado, como também o interesse das editoras em participar e expor seus produtos. Karine cita uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro que indica que 7 milhões de pessoas compram publicações durante os eventos literários.

Somente a Bienal de São Paulo de 2010 atraiu mais de 740 mil visitantes, movimentando R$ 49,3 milhões com a venda de livros.
“Há cada vez mais eventos recebendo o apoio institucional de prefeituras e governos estaduais. Não só nos grandes centros urbanos, mas também em pequenas cidades do interior, que passaram a criar novos eventos", disse a presidenta da CBL, entidade responsável pela Bienal do Livro de São Paulo, que este ano chega a sua 22ª edição na condição de uma das maiores vitrines literárias comerciais do mundo.

"A bienal é um evento muito grande e exige um investimento gigantesco para o qual precisamos contar com patrocínios diretos ou com a Lei Rouanet, que tem possibilitado a realização de vários eventos. Uma dificuldade que sentimos é que, se por um lado há mais empresas interessadas em patrocinar este tipo de evento, também há mais gente pedindo esses recursos. O que obriga os organizadores a realizar algo muito mais atraente, levando mais e melhores autores", explicou Karine.

Organizador do festival Tarrafa Literária, que este ano chega a sua 4ª edição, em Santos (SP), José Luiz Tahan, também aponta a necessidade da obtenção de patrocínios. Segundo ele, com esse mecanismo, o organizador fica obrigado a oferecer algo diferenciado, mas também a cumprir condições impostas pelo financiador.

" Em geral, as empresas dispostas a apoiar eventos culturais são aquelas maiores, que, na maioria das vezes, não querem colocar dinheiro em eventos sem grande repercussão", disse Tahan, contabilizando cerca de 3 mil frequentadores durante os cinco dias da última edição do evento.

"A realização de um evento literário é sempre uma boa notícia. As pessoas conversam e consomem literatura e, com certeza, isso alimenta, em muita gente, a vontade de ler, mesmo entre aquelas que não têm o hábito da leitura", destacou.

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