CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

4.6.12



Por Leide Franco (@LeideFranco)

É tão estranho, às vezes pergunto-me quem sou eu, quem somos nós entre tantos lobos e feras humanas. Outras vezes faço questão de esquecer essas perguntas que nunca nos levam a nada. Vão ser para sempre interrogações se perguntando sozinhas. Acho que estamos perdidos dentro de uma selva construída por gente empedernida que por vezes pensa. É cada um por si e o deus de cada um por todos eles.

Levaram à banalização a tal da caridade, da compaixão que tínhamos pelos outros. Aqueles bilhetinhos que nos entregam dentro dos ônibus pedindo uma ajuda “porque meu filho é deficiente físico e eu não tenho o que comer em casa” já não fazem com que a gente leia até o fim aquele texto amassado e sujo no papel.

Não adianta o choro da criança que sente fome, o grito de inocência de quem diz que não praticou estupro e jura que só roubou uns objetos de valor – valor para quem perdeu. Do outro lado, ou melhor, de frente, pessoas de carne e osso e sangue e suor e coisas que chamam de sentimentos humilha, esnoba, pisa, debocha, acusa como o juiz de todas as razões desumanas: “não estuprou, mas queria estuprar!”.

Eu vejo grávidas, mães com criança no braço, velhos de bengala em pé dentro dos ônibus enquanto o menino de 17 anos, sentando, está em outro mundo, dentro do player do celular onde os fones tapam sua audição, visão e gentileza. Gente de pedra.

De repente você não se pega pensando em que tipos de pessoas estamos nos tornando? Meu esforço diário é para não endurecer – já disse isso, é tentar fazer com que eu me permita pelo menos sentir pena daquele rapaz que dorme na rua, onde o teto é o céu e o cobertor é um papelão. Essas coisas que de tão comuns já não nos chocam mais, já não nos deixam mais inquietos com aquela vontade de fazer alguma coisa e salvar o mundo. Onde está o humano de nós?

Que mundo estamos destruindo? Que mundo nossos filhos vão (re)construir?

São as mesmas perguntas de respostas vazias, tais como as que fiz no começo deste texto.

Estamos cegos, mudos e surdos. Perdemos os sentidos.

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