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Sávio Ximenes Hackradt

14.9.12


Estudo aponta que nos últimos quatro anos percentual de brasileiros que declara intenção de economizar aumentou de 29% para 72%. Dívidas e novo padrão de consumo não deixam

iG São Paulo

Em meio à enxurrada de medidas do governo para manter o consumo aquecido e a economia em alta, o número de brasileiros que consideram a possibilidade de poupar para o futuro está crescendo. Em 2008, 29% dos entrevistados pela empresa de pesquisa Kantar para a elaboração do relatório Kantar Worldpanel diziam ter intenção de guardar algum dinheiro. Neste ano, o percentual foi de 72%. Mas o mesmo estudo mostrar que, por ora, é só intenção.


O motivo é o alto endividamento da população e o comprometimento da renda com a compra de uma série de bens e serviços aos quais não tinha acesso recentemente. Principalmente nas categorias de transporte, habitação e vestuário. Na prática, os brasileiros estão ganhando mais, mas também estão gastando mais, mostra o estudo. A renda média, que em 2008 era de R$ 1.558, chegou a R$ 2.373, neste ano. Mas no mesmo período os gastos médios também subiram em linha, de R$ 1.540 para R$ 2.350.


“Começa a haver um encantamento das pessoas com a possibilidade de guardar dinheiro para o futuro”, afirma o professor Adriano Gomes, do curso de administração da ESPM. “Mas ainda deverá levar uns dois ou três anos para que alcancemos um ponto de inflexão. É o tempo necessário para que as pessoas amortizem suas dívidas”, avalia.


Segundo o mesmo levantamento da Kantar, atualmente mais de metade dos brasileiros gastam acima do que ganham. Em 27% dos casos, o descontrole é considerado grave. Neste grupo predominam jovens de até 29 anos e casais com filhos, que gastam principalmente com habitação. Debaixo da rubrica habitação estão gastos com financiamento de imóveis, reformas e aluguel, mas também com bens duráveis usados para equipar a casa.

Outros 25% gastam um pouco menos do que ganham e, 23%, ganham ligeiramente mais do que gastam. Com sobras, mesmo, restam somente 25% dos brasileiros, um grupo no qual predominam donas de casa acima dos 50 anos e o que a Kantar classifica como independentes: solteiros, casais sem filhos ou casais com filhos adultos fora de casa e viúvos.


Na divisão por estratos de renda, porém, a única que gasta mais do que ganha é a classe C. Em média, a renda desse grupo, que representa 41% da população, é de R$ 2.027,70 e, os gastos, de R$ 2.060,12, uma diferença negativa de 2%. Na outra ponta, quem economiza mais proporcionalmente (4%) é quem ganha menos. Nas classes C e D, onde se enquadram 35% dos brasileiros, a renda média é de R$ 1398,88 e os gastos são de R$ 1.349,85. Nas classes A e B a folga no orçamento é de 1%, em média, em uma renda de R$ 4.372,58 e gasto de R$ 4.295,75.

Sobra quase nada para o futuro. Segundo Christine Pereira, diretora comercial da Kantar, o motivo é que ainda há uma série de bens que os brasileiros estão “conquistando” e muitos outros que gostariam de comprar. Tanto que um comportamento comum dos consumidores, afirma, têm sido reduzir o número itens de bens de consumo comprados, ou a frequência de compra, para que sobre dinheiro para a compra de outros bens. "Mas o consumidor não está deixando de comprar nada (em bens de consumo), só está comprando menos", diz a executiva.

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