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Sávio Ximenes Hackradt

26.2.12


CINEMA

Por Carlos Emerenciano*

Se pudesse resumir a expectativa em torno da cerimônia de premiação do Oscar 2012 (84ª edição) em uma palavra, escolheria a imprevisibilidade. Não há grandes favoritos nas principais categorias. Isso, meus caros leitor e leitora, torna ainda mais interessante, para quem gosta de cinema, assistir ao evento. Sugiro, então, que comprem pipoca e bebida para acompanhar esta que se tornou a principal premiação do cinema mundial, muito em virtude da pujança da indústria cinematográfica nos Estados Unidos, a qual conta o dinheiro a partir da cifra dos bilhões.

Contar, então, um pouco dessa história, que se iniciou no longínquo 1928, é interessante para contextualizar a grande festa da Sétima Arte. Muitos se perguntam, até com certa razão, mas não desprovidos de pertubações ideológicas: por que uma cerimônia realizada pela indústria cinematográfica de um único país recebe o status de “Copa do Mundo do Cinema”?

Algumas explicações são necessárias. No período entre guerras mundiais, cineastas e atores europeus migraram para os Estados Unidos (o que ocorreu também em outros campos da cultura e da ciência). Alguns fugiam de regimes ditatoriais que lhes poderiam tolher a liberdade criativa; outros buscavam apenas um porto seguro para desenvolver suas ideias cinematográficas.


Todos esses elementos engrossaram o caldo do cinema americano, emprestando a ele ares universais. Apenas para vocês terem uma ideia, cito alguns ícones que desembarcaram em solo americano: Charles Chaplin e Alfred Hitchcock (Inglaterra); Ernst Lubitsch e Marlene Dietrich (Alemanha); Billy Wilder e Fritz Lang (Áustria); Frank Capra (Itália); Greta Garbo (Suécia). Poderia ir além. Creio, contudo, serem os exemplos suficientes para lançar uma interrogação: até que ponto o cinema realizado historicamente nos EUA pode ser considerado verdadeiramente o cinema americano?

A resposta, a meu ver, está posta. O cinema realizado em solo americano se expressa através de vários sotaques. O mais evidente e perturbador, que vem asfixiando o espaço de outros estilos, é o do cinema de ação hollywoodiano, frenético e assustador. Os seus realizadores perderam completamente a noção da escala humana e de nossa percepção. São filmes, na sua maioria, inteligíveis, pelo simples fato de explorarem a tecnologia como um fim e não um meio de se obter um resultado estético, contar uma história e passar uma mensagem. Não desanimem, porém, meus caros, existe uma luz no fim do túnel e o Oscar 2012 nos indica o caminho para alcançá-lo.

Se não, reparem em alguns dos concorrentes às principais categorias. Ressalto, primeiro, o inusitado “O artista” (The artist), filme que concorre a 10 prêmios. De nacionalidade francesa, presta uma homenagem, em tom de comédia, à revolução que ocorreu no cinema com o advento do som. Para se ter uma ideia, em 1928, exatamente o ano em que o Oscar foi criado, dos 294 filmes produzidos em hollywood, 220 não tinham som. No ano seguinte, uma surpreendente inversão: dos 290 produzidos, pasmem, apenas 28 eram mudo. Pois bem, “O artista” presta essa bem humorada homenagem no melhor estilo: utilizando-se da linguagem em voga antes da revolução propiciada pelo som.

Enquanto “O artista” consiste em um olhar francês sobre a produção americana, o recordista em indicações este ano, “A invenção de Hugo Cabret” (concorre em 11 categorias) é exatamente o inverso. A visão de um americano (Martin Scorcese) sobre a Paris dos anos 20. Um filme em 3D que conta a história de um garoto de 12 anos que acaba de perder o seu pai, um inventivo relojoeiro.

Além dos filmes citados, destaco também “Meia-noite em Paris” (Midnight in Paris) de Woody Allen, que concorre em 3 categorias (melhor filme, diretor e roteiro original). Uma grande viagem pela qual passeiam Hemingway, Picasso, F. Scott Fitzgerald, Salvador Dalí, entre outros personagens da chamada geração perdida que conviveu na Cidade Luz nos anos 20. Será que os conhecidos personagens tiveram notícia das descobertas do pequeno Hugo de Scorcese? Talvez.

Bem cotado ainda está o elogiado "Os descendentes" (The descendants) estrelado por George Cloney. Já faturou, por exemplo, os prêmios de melhor filme dramático e melhor ator no globo de ouro. Concorre em 3 categorias: melhor filme, diretor e ator. Entre as várias dúvidas que alimentam as bolsas de aposta, parece que há uma barbada: Meryl Streep tem tudo para ganhar o Oscar de melhor atriz por sua interpretação de Margareth Tatcher, em "A dama de ferro" (The iron lady). É apenas a 17ª vez que a brilhante atriz concorre nessa categoria. Venceu 2 vezes.

Entre os vários sotaques da festa, o brasileiro desponta na categoria melhor canção original: a música “real in rio” tem como um dos seus autores Carlinhos Brown. É mais um aperitivo para quem enfrentará a madrugada para assistir à cerimônia de premiação. Bom divertimento!

*Carlos Emerenciano - Apreciador de um bom filme, dividirá com os leitores suas impressões sobre cinema todas as sextas-feiras.
Twitter: @cemerenciano
e-mail: aemerenciano@gmail.com

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