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Sávio Ximenes Hackradt

15.3.12


Países detentores de florestas tropicais como o Brasil podem ser absolutamente afetados pela falta ou escassez desses serviços

Shigueo Watanabe* (Fonte: Ibope)

Atribuir um valor econômico aos serviços prestados pelos recursos naturais, como a estabilidade do clima, a qualidade da água ou do solo é uma forte tendência no debate sobre sustentabilidade. Hoje, esses serviços ecossistêmicos são considerados como uma falha de mercado por não serem contabilizados no balanço das empresas ou nas contas nacionais. Ou seja, no cálculo dos custos dos produtos ou do Produto Interno Bruto (PIB) de uma nação não sabemos quanto do patrimônio ecológico natural é depreciado anualmente e também não temos a noção real do valor desse ativo.

Estudos recentes buscam mensurar esses serviços em ecossistemas diferentes, tornando-os comparáveis entre si e, em um passo seguinte, atribuindo valor econômico conforme a necessidade humana a cada serviço.

Em junho deste ano, durante a Rio + 20, os princípios e critérios básicos para a chamada economia verde estarão em pauta. Em tempos de aquecimento global e crise econômica, precisamos encontrar o equilíbrio entre as dimensões que compõem a sustentabilidade - ambiental, social e econômico – e avaliar os riscos e as oportunidades decorrentes da nossa dependência e impacto sobre os ecossistemas.


O risco é claro e eminente. A Avaliação Ecossistêmica do Milênio, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), alerta que a degradação e a pressão sobre os ecossistemas é da ordem de 60%. Países detentores de florestas tropicais como o Brasil, cuja economia é pautada por atividades diretamente dependentes dos recursos naturais, podem ser absolutamente afetados pela falta ou escassez desses serviços.

Por outro lado, as oportunidades se anunciam. Projetos experimentais no mundo todo demonstram a viabilidade de se incorporar o valor dos serviços ecossistêmicos às estratégias de negócio e às políticas públicas, consolidando sua importância estratégica para a economia mundial.

Uma economia verde e de baixo carbono pode gerar oportunidades de negócios pela possibilidade de se atribuir valor aos recursos naturais e as empresas estão se preparando para essa transição. Primeiro, ao identificar, evitar e mitigar os impactos em razão da utilização dos serviços ecossistêmicos na cadeia produtiva. Depois, incorporando os serviços prestados pelos ecossistemas como fatores de decisão do setor privado.

No campo das políticas públicas, programas e projetos que instituem mecanismos de pagamento por serviços ecossistêmicos e definem através de marcos legais as dinâmicas entre provedores e beneficiários desses serviços estão em evidência, tornando a gestão ambiental flexível, de modo que haja um incentivo positivo à preservação em desestimulo à degradação.

Com base nesse cenário favorável e desafiador, o IBOPE Ambiental, nova unidade de negócios do Grupo IBOPE, atua com serviços de consultoria e certificação voltados aos aspectos ambientais da sustentabilidade, desenvolvendo e aplicando métodos e modelos de valoração econômica, a fim de gerar oportunidades de negócios com os ativos ecossistêmicos, para o setor público e privado.

*Shigueo Watanabe Junior
Bacharel e mestre em física pela Universidade de São Paulo (USP). É diretor executivo do IBOPE Ambiental e especialista em projetos de carbono.

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