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Sávio Ximenes Hackradt

9.3.12


Ela percorreu, por oito anos, os mais inóspitos cenários e lugares do Nordeste do Brasil, em meio aos cangaceiros do grupo de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, seu marido. Aventura e ousadia que lhe renderam o posto de “primeira-dama” do cangaço nacional, e, exatos 101 anos depois de nascida, ela se tornou referência e inspiração para a cultura e comportamento de muitas mulheres nordestinas e brasileiras.

Fonte: Jornal do Commercio

Ontem, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a vida de Maria Bonita ganhou as páginas do livro-reportagem A dona de Lampião, da jornalista e coordenadora de pesquisa do Jornal do Commercio, Wanessa Campos, que foi lançado, às 19h, no Centro Cultural Correios, no Bairro do Recife.

Formada há 30 anos, Wanessa passou boa parte da carreira no jornalismo em editorias dedicadas ao interior do Estado. Foi aí que surgiu o primeiro contato com as informações sobre o cangaço, que lhe chamaram atenção e se transformaram em foco de pesquisa à qual ela se dedica até hoje.

Embasado nos estudos e pesquisas de fragmentos de informações em jornais, revistas, fotografias, documentos da época e entrevistas com familiares, cangaceiros e ex-volantes, o livro mostra como Maria Bonita levou toques femininos e delicados à rigidez e frieza do cangaço. “Ela incentivou a higiene no bando. Quando ela entrou para grupo, eles passaram a acampar próximo aos rios, para facilitar os banhos. O bando também começou a respeitar as famílias. E os cangaceiros trouxeram sua mulheres para o grupo”, conta Wanessa.

Dona de uma beleza e vaidade sempre comentadas e lembradas nos relatos de quem a conheceu, e claramente visíveis nas fotografias, na contemporaneidade, as marcas e influências da mulher de Lampião chegam à moda, cultura regional e até à música. “Quando pequena, ela passava horas à frente do espelho. E até adulta, como a gente vê nas fotos, ela era vaidosa, fazia poses. As sandálias que ela usava, os anéis, tudo virou inspiração. Há até uma grife com o nome dela.”

A obra, publicada com apoio da Prefeitura do Recife, tem design gráfico de Andréa Aguiar, fotos de Hélia Scheppa, tratamento de Cláudio Coutinho e revisão de Laércio Lutibergue.

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