CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

15.4.11


Sanderson Negreiros nasceu em Ceará-Mirim/RN, em julho de 1939. Publicou seu primeiro livro de poesia, O Ritmo da Busca, aos 16 anos de idade, quando começou a exercer o jornalismo. Foi repórter e cronista durante muitos anos, com passagem pelos dois principais jornais de Natal e revistas no Rio de Janeiro.
É professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde lecionou Cultura Brasileira durante mais de 30 anos. Outros livros publicados: Lances Exatos e toda sua poesia reunida em Fábula Fábula. E mais A Hora da Lua da Tarde (crônicas), Na Direção do Relâmpago (reportagens e ensaios) e Sócrates, Patrono do Humanismo (ensaio).

                  À TARDE

À tarde,
do mais humano da calçada,
víamos mulheres com cântaros à cabeça.
A rodilha pairava na asa do tempo. Tenras certezas
a paz mineral fulgia. Animais em sua herdade. Mar
campestre, enquanto mulheres
cantam a segurança azul da água.
Um velho prendia-se à jovial corrente de ouro
e varava
o esquecimento.


A RIMBAUD, O AMÁLGAMA

Houve morte de onde nasci
houve pranto onde estive incomunicável
houve silêncio onde estive impassível
e houve além Rimbaud. Ele é
e é a matéria e uma certa mulher
um certo bêbado e um certo metafísico
um certo santo e um certo dionisíaco.
Rimbaud, o teu limite de imagem
é a circunstância de te deparares
com o tempo vazio no retrato de Charleville.
Rimbaudiei-te, sonhos de remanso e sordidez,
e me permaneci populoso na poesia.

NEGREIROS, Sanderson. “50 poemas escolhidos pelo autor”.
Edições Galo Branco, 2008.

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