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Sávio Ximenes Hackradt

4.4.11


O Globo - Reuters
Pelo menos 21 dos mais de cem técnicos japoneses que tentam controlar o vazamento de radiação da usina nuclear de Fukushima, atingida pelo terremoto seguido de tsunami que arrasou o nordeste do Japão no mês passado, já apresentam alterações genéticas provocadas pela exposição às emissões, informou ontem a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo a AIEA, todos eles receberam doses superiores a 100 milisieverts (mSv) de radiação, limite considerado seguro para a saúde, tendo aumentadas de 1% a 5% as chances de desenvolverem câncer a longo prazo.
O número de técnicos contaminados, no entanto, pode crescer muito mais, pois o governo japonês admitiu que poderá levar meses para o vazamento ser contido. As tentativas de consertar a rachadura de 20 centímetros no concreto do fosso de contenção do reator 2 da central, por onde está escapando água contaminada com grandes quantidades de radiação para o mar, fracassaram ontem. Agora os técnicos planejam usar polímeros absorventes nos tubos que alimentam o sistema para impedir o contato com o oceano, onde o nível de radiação atingiu 4.385 vezes o limite legal na região da usina.
Ainda ontem, foram encontrados os corpos de dois operários mortos na catástrofe que atingiu o país em 11 de março. Os restos mortais dos trabalhadores de 21 e 24 anos foram localizados na quarta-feira no prédio onde ficam as turbinas do reator 4 da usina e apresentavam múltiplos ferimentos externos, levando a crer que eles morreram no próprio dia do terremoto devido à perda maciça de sangue.

Falta de equipamentos adequados para trabalho
A descoberta dos corpos fez crescer as críticas quanto à demora da empresa responsável pela usina de reagir ao desastre e às condições de trabalho dos técnicos que tentam evitar que a radiação se espalhe ainda mais. Há 10 dias, três deles foram expostos a grandes quantidades de radiação, e dois tiveram de ser hospitalizados com queimaduras após mergulharem em água contaminada com vestimentas de proteção inadequadas.
- Sinto que não tem ninguém além de nós capaz de fazer este trabalho, e não podemos regressar para casa até que ele esteja finalizado - disse ao jornal espanhol "El País" um dos técnicos que trabalham na usina, pedindo que seu nome fosse mantido em segredo.
Enquanto isso, cerca de 18 mil soldados japoneses e 7 mil americanos, auxiliados por aviões, helicópteros e navios, continuam as buscas pelas mais de 15 mil pessoas ainda desaparecidas na tragédia. Em três dias de operações, eles recuperaram 306 corpos de vítimas, mas o temor é de que a maioria nunca seja encontrada. Até o momento, o Japão contabiliza 12.020 mortos na tragédia do dia 11 de março.

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