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Sávio Ximenes Hackradt

24.4.11


Artigo
Se o New York Times  não estivesse na internet, a maior parte do público consumidor de daqui a 20 anos de notícias não o conheceria.
Fábio Farias - Jornalista

Sem leitores, o prestígio do New York Times correria risco no futuro e, provavelmente, a publicação morreria. É por conta dessa consciência que a empresa se destaca como um dos principais inovadores quando o assunto é jornalismo digital.
Junto com o The Guardian, o New York Times experimenta modelos de negócios que são copiados no mundo inteiro. O sistema de pagamentos e assinaturas digitais, elaborado no final de março, por exemplo, atingiu em menos de um mês a marca de 100 mil assinantes.
Esse sistema de pagamentos que, segundo analistas da própria empresa, superaram as expectativas sem afetar muito a audiência do site (a queda ficou entre 5% a 15%) é uma das novas esperanças em garantir a liquidez do jornalismo como negócio.
A empresa investiu nesta década em ser não mais um jornal, mas um centro produtor de notícias para diversos meios: internet, tablets, smartphones, impresso.
O modelo não tardou a ser copiado no Brasil. A Folha de S.Paulo, na reforma editorial do ano passado, deixou esse objetivo claro: tornar-se um centro produtor de notícias. Integrou as redações do online com o impresso e investe em conteúdo para tablets, smartphones e SMS.
Neste ano, entusiastas do mundo online tiveram notícias que indicam mudanças nos paradigmas:  o Huffington Post, jornal online fundado em 2005, foi comprado por U$ 300 milhões pela AOL. E a publicidade digital, nos Estados Unidos, já supera a publicidade em meios impressos.
The times, they are changing.
No Brasil as coisas ainda andam devagar, mas andam.
O faturamento da publicidade online dos principais veículos de mídia representa, no máximo, 10% da receita. A publicidade brasileira é essencialmente veiculada na mídia impressa.
Mas para o jogo virar é questão de tempo. A febre dos tablets, impulsionado principalmente pelo Ipad, leva a um novo modelo de negócio lucrativo tanto para publicitários, quanto para jornalistas. Nos tablets as pessoas pagam pela praticidade de conteúdo e a publicidade pode ser explorada em diversos parâmetros.
O sucesso do sistema de pagamento feito pelo New York Times também abre alguns horizontes otimistas no negócio que é o jornalismo.
O crescimento da web, das mídias sociais e dos principais portais também devem desequilibrar o jogo para o digital. A tendência é que em 10 anos a publicidade online, no Brasil, esteja ao menos pareada com a impressa - isso pensando de forma pessimista.
É em um contexto completamente alheio a isso que vivem os jornais digitais do Rio Grande do Norte. Em um mercado pequeno até para a região - João Pessoa, por exemplo, tem um mercado bem mais amplo na área - os três portais levam uma sobrevida entre falências e cortes e ignoram as possibilidades de investimento, interação e difusão de notícias.
O que falta aos portais? Estratégia, administração, investimento? Ou o mercado potiguar ainda não abriu os olhos para as possibilidades da publicidade online?
Independente da resposta, o que é mais significativo é ver o quanto o mercado editorial do Rio Grande do Norte corre na contramão do resto do Brasil e do mundo.
Nem o crescimento da cidade e do potencial número de leitores fez os jornais ultrapassarem a pífia marca de oito mil exemplares vendidos.
A internet, que poderia servir como uma nova interface para, no mínimo, gerar leitores e aumentar a venda nas bancas, ainda é subutilizada pela maior parte das empresas locais. Não há investimentos e nem a preocupação de formar os novos leitores: aqueles que daqui a 20 anos serão potenciais consumidores de notícias.
E o que sobra, nesse espaço, é um universo potencial de leitores com cada vez menos possibilidades (e veículos) para se informar.
Um mercado desperdiçado.

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