CALANGOTANGO não é um blog do mundo virtual. Não é uma opinião, uma personalidade ou uma pessoa. É a diversidade de idéias e mãos que se juntam para fazer cidadania com seriedade e alegria.

Sávio Ximenes Hackradt

16.4.11


O instituto de pesquisa Consult terminou criando um frisson no mundo político norte-rio-grandense, em março, nas duas maiores cidades do estado, Natal e Mossoró, ao divulgar duas pesquisas, mostrando a péssima avaliação das administrações das prefeitas Micarla de Souza (PV), com 84,5% de desaprovação em Natal, e de Fafá Rosado (DEM), com 53,8% de desaprovação em Mossoró.
O índice de desaprovação do governo Micarla é alarmante. Péssimo para quem sonha em disputar a reeleição. O índice de desaprovação de Fafá é preocupante. Sem poder ser reeleita, poderá ter dificuldade até mesmo para escolher um candidato da sua preferência; afinal, quem quer ser o candidato(a) de um mau governo?
As duas pesquisas não mostram, do ponto de vista estatístico, os motivos da desaprovação das duas administrações. Mesmo assim, é possível enxergar que os dois governos não conseguiram chegar na casa dos cidadãos e cidadãs de Natal e Mossoró. São governos distantes da cidadania. São governos sem políticas públicas eficientes em áreas como saúde e educação, por exemplo, para ficar apenas nesses dois setores.
A questão que se coloca agora é: o que vai acontecer daqui para a frente? Como vão se comportar os governos de Micarla e de Fafá? Se até agora não foram competentes para responder às demandas da sociedade, como vão resolver os graves problemas que se acumulam em Natal e Mossoró no pouco tempo que lhes restam de mandato? Ademais, vale perguntar: e por que só começar a resolver os problemas no ano que antecede as eleições? Isso resolve? Satisfaz a população? É uma aposta digna? Afinal, o que as duas fizeram nos dois primeiros anos de governo? As pesquisas mostram que, para a população, a percepção geral é que pouco ou quase nada fizeram para honrar seus mandatos e justificar os votos recebidos nas urnas.

Nos momentos de dificuldades dos governos, a primeira critica é para a comunicação e o marketing. A comunicação e o marketing das prefeituras de Natal e Mossoró funcionaram bem? Não. Mas, é correto perguntar: a comunicação e o marketing fazem milagres com administrações que pouco ou quase nada fizeram? Não. Não há milagres quando o governo é ruim. Não há milagreiro. Se a comunicação e o marketing não batem com a realidade, não se sustenta por muito tempo, por melhor que seja. E a realidade são os números das pesquisas desaprovando os dois governos.
O fato é que Natal e Mossoró não tiveram projetos para o desenvolvimento das cidades. Suas prefeitas foram incapazes de planejar as cidades e são pedintes junto aos governos estadual e federal.
Micarla se agarra nas obras da Copa/2014 como suas. E não são. As obras da Copa/2014 viriam para Natal fosse quem fosse o prefeito(a) da cidade. Não são obras do planejamento e da inteligência da administração de Natal.
Mossoró não terá obras da Copa/2014. Em que Fafá vai se agarrar?
Quem são Micarla e Fafá?
Micarla de Sousa, chegou à prefeitura de Natal, como fenômeno midiático, montada numa base política populista, herdada do seu pai, o radialista e ex-senador Carlos Alberto de Sousa, que tinha em Natal, nas décadas de 1980 e 1990, sua base de apoio popular. Jornalista, dona da TV Ponta Negra, e dominando com competência as técnicas televisivas, Micarla construiu meteoricamente uma carreira política em Natal, entre 2004 e 2008, como vice-prefeita, deputada estadual e prefeita.
Fafá Rosado é produto de uma banda da oligarquia Rosado, que se reveza no poder em Mossoró há décadas. Em Mossoró é fundamental ser da oligarquia Rosado para estar no poder, o que foi o suficiente para Fafá chegar à prefeitura.
2012 se aproxima
Há um ano e sete meses das eleições de 2012, Micarla e Fafá vão ter que dar nó em pingo d’água e consertar relógio com luva de box para convencer aos natalenses e mossoroenses que suas administrações merecem continuar.
As pesquisas da Consult mostram, quando simulam cenários eleitorais para 2012, que dois nomes surgem na oposição. Carlos Eduardo (PDT), em Natal e Larissa Rosado (PSB), em Mossoró.
 É evidente que ninguém ganha ou perde eleição por antecedência. Mas, pode-se dizer que quem está há dois anos no poder e não cumpriu com o que prometeu terá sérias dificuldades eleitorais no próximo ano, mesmo que venha a executar parte do prometido.
É interessante a diferença de percepção dos eleitores de Natal e Mossoró em relação aos prováveis candidatos em 2012, que hoje lideram as pesquisas. Vejamos: Em Mossoró, lidera a pesquisa a deputada Larissa Rosado (PSB), com 27,33%;  em Natal, lidera Carlos Eduardo (PDT), com 50%. Ambos são de oposição. Mas, vamos às diferenças: em Mossoró, nenhum pré-candidato chegou perto dos 50% de intenção de votos. Aparentemente o eleitor de Mossoró está dizendo: “calma com o andor, que o santo é de barro”. É preciso ser mais do que um candidato de oposição. E o eleitor pode também estar perguntando: “qual a experiência de Larissa?”. O eleitor está cabreiro  com candidato(a). Para ser uma candidata vitoriosa em 2012 Larissa terá que percorrer um longo caminho com uma estratégia de marketing competente. Cada passo terá que ser bem calculado. Já em Natal, o eleitor é mais generoso na sua definição e chega a 50% na intenção de votos em Carlos Eduardo. Ex-prefeito de Natal, com uma avaliação positiva de 75% quando deixou a administração, Carlos Eduardo é o contraponto à administração de Micarla. O eleitor faz uma comparação imediata entre Micarla e Carlos. Essa é a grande vantagem de Carlos Eduardo. A comparação.
O que importa, de verdade, neste instante, do ponto de vista da população, é atenção e muita capacidade de avaliação com os que se apresentam como candidatos. Olho vivo. Chega de apostas desastrosas, que só ajudam a destruir as cidades. É importante que cada cidadão analise bem o que cada um dos candidatos propõe e escolha bem, sem entrar no barco de aventureiros de plantão. E do ponto de vista dos que sonham com os cargos? Decerto é o momento de encarar candidaturas a prefeito com a responsabilidade que o cargo exige, sem pirotecnias, propostas mirabolantes e apenas gogó. Projetos e propostas precisam ser detalhados e encarados com seriedade, com responsabilidade. Chega de aventuras e aventureiros.
*Artigo que escrevi para a revista Papangu de março

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